segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Brasil 2025: O Ano em Que a Violência Contra a Mulher Continuou a Deixar Feridas Abertas

O número de casos registrados de violência contra a mulher tem crescido assustadoramente em nosso país, assim como os casos de feminicídio. Foto de reprodução - Catraca Livre

Por Cleide Gama 

Violência contra mulher: Ao fechar as páginas de 2025, o Brasil enfrenta um cenário preocupante no que diz respeito à violência de gênero, com dados que refletem a persistência (e em alguns casos o aumento) dos casos de violência contra a mulher e feminicídio em todo o país. A cada ano, milhares de brasileiras convivem com o medo dentro de suas próprias casas, e os números mostram que ainda há um longo caminho para a efetiva proteção e garantia de direitos. 

Segundo dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero, vinculados ao Senado Federal, 718 feminicídios foram registrados entre janeiro e junho de 2025, o que representa uma média de cerca de quatro mulheres mortas por dia por razões de gênero no primeiro semestre. No mesmo período, foram contabilizados quase 34 mil casos de estupro contra mulheres, uma média de aproximadamente 187 casos por dia. 

O levantamento mais amplo, que inclui estimativas até outubro, indica que o Brasil ultrapassou os 1.000 casos de feminicídio em nove meses de 2025, com 1.075 casos registrados, superior ao mesmo período de 2024. Em São Paulo, por exemplo, 207 feminicídios foram contabilizados até outubro – alto índice, mostrando que a violência não se restringe a regiões específicas. 

Além dos dados sobre feminicídio, uma pesquisa nacional do Instituto DataSenado revela que 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar em 2025. Esse estudo ouviu mais de 21 mil mulheres e mostrou que 71% dos episódios de agressão ocorreram com outras pessoas presentes, muitas vezes crianças, evidenciando as múltiplas vítimas desse tipo de violência. 

Organizações internacionais também destacam o impacto global e local da violência de gênero. De acordo com relatório das Nações Unidas divulgado em 2025, 50 mil mulheres e meninas foram mortas por parceiros íntimos ou familiares em 2024, o que significa que, em média, uma mulher é morta por um parceiro ou familiar a cada 10 minutos — e os dados combinados sugerem que esse ciclo brutal persiste em 2025. 



POR QUE ESSA VIOLÊNCIA ACONTECE?

Especialistas apontam que a violência contra a mulher é um problema estrutural, alimentado por desigualdades de gênero, discriminação e falhas nos mecanismos de prevenção. A maior parte dos casos de feminicídio ocorre dentro de casa, muitas vezes por parceiros ou ex-parceiros, mostrando que o lar, que deveria ser um espaço de segurança, se torna um ambiente de risco. 



UM PROBLEMA QUE EXIGE RESPOSTAS EFETIVAS

Apesar da existência de leis robustas, como a Lei Maria da Penha e a criminalização do feminicídio no Código Penal, sua aplicação efetiva ainda enfrenta desafios. Esforços de órgãos públicos e da sociedade civil se intensificaram em 2025, com campanhas de conscientização, capacitação de profissionais e ações de apoio às vítimas, reconhecendo que a prevenção começa muito antes do crime em si, desde a educação sobre igualdade de gênero até o fortalecimento de redes de proteção. 


Informações de utilidade pública: como agir para evitar e minimizar a violência contra a mulher

Se você ou alguém que você conhece está enfrentando violência doméstica ou ameaça de feminicídio, é fundamental buscar ajuda imediatamente. Aqui estão os principais canais de apoio e denúncia no Brasil:

📞 Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher

Atendimento gratuito e sigiloso 24h, com informações, orientação jurídica e apoio emocional.

📱 WhatsApp do Ligue 180 – (61) 99610-0180

Atendimento por mensagem para registrar denúncias ou solicitar orientações.

📞 Polícia Militar – 190

Em casos de emergência com risco imediato de vida.

📞 Disque Denúncia – 181

Canal para denúncias de violência e encaminhamento às autoridades competentes.

👮‍♀️ Delegacias da Mulher

Unidades especializadas no atendimento à mulher em situação de violência, com equipes treinadas para acolher, registrar ocorrências e iniciar medidas protetivas.

Além disso, procure apoio de familiares, amigos ou serviços de assistência social em sua comunidade e, se possível, registre boletim de ocorrência assim que houver sinais de violência. A conscientização e a mobilização da sociedade são essenciais para quebrar o ciclo de violência e promover um Brasil mais seguro para todas as mulheres.

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Anúncio, Divulgação 



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