quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Fim da Jornada 6x1 está próximo de se tornar uma realidade

Por Agência Senado

Senado Federal: A redução da carga horária de trabalho deve ser prioridade do Congresso em 2026, de acordo com senadores governistas e a Presidência da República. Pronta para ser votada no Plenário do Senado, uma proposta de emenda à Constituição aumenta de um para dois dias o descanso mínimo semanal — preferencialmente aos sábados e domingos. E diminui de 44 para 36 horas o tempo máximo de trabalho semanal, sem contar horas extras.

De acordo com a PEC 148/2015, o fim da chamada escala 6x1 ocorrerá de forma gradual. No ano de publicação do texto, as regras atuais se manterão. Já no ano seguinte, o número de descansos semanais passará de um dia, como é hoje, para dois dias na semana e a jornada começará a ser reduzida. Apenas seis anos depois os novos direitos estarão plenamente instituídos.  

A PEC foi aprovada em 10 de dezembro na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com relatório do senador Rogério Carvalho (PT-SE). Antes de ser promulgado e passar a valer, o texto ainda precisa passar por duas votações no Plenário do Senado e mais duas no da Câmara, com o voto favorável de pelo menos 49 senadores e 308 deputados.    

Mas ainda não há definição clara sobre a proposta que vai a votação. Segundo o próprio relator, que é líder do governo no Senado, o Palácio do Planalto deve enviar um novo projeto de lei em regime de urgência constitucional para acelerar a tramitação. 

Na abertura dos trabalhos legislativos na segunda-feira (2), Rogério Carvalho defendeu a redução da jornada, que deverá beneficiar milhões de pessoas.

— É o projeto que mais vai mexer com a vida dos brasileiros. Serão 38 milhões de trabalhadores [contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho — CLT] beneficiados. Sem contar os 120 milhões de brasileiros que, de alguma forma, terão ganho com a redução da jornada — disse.


Pesquisa

Os contratados pela CLT a serem beneficiados representam 37% das pessoas que declararam ter alguma ocupação em 2024, segundo uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) citada na justificativa do relatório aprovado na CCJ.

Também terão direito à redução da jornada: servidores públicos; empregadas domésticas; trabalhadores de portos e outros trabalhadores avulsos.

Contratados como pessoas jurídicas não terão o direito à nova jornada. No entanto, tanto esses como os trabalhadores informais terão a vantagem de um novo padrão no mercado de trabalho para se espelhar, segundo o relatório.



Mesmo salário

Os empregadores não poderão reduzir a remuneração do trabalhador como forma de compensar o novo tempo de descanso.

Mesmo após a transição, será mantido o limite de oito horas por dia, na jornada normal. No entanto, futuros acordos trabalhistas poderão alterar o tempo de trabalho para ajustá-los ao teto final de 36 horas semanais. O expediente poderia ser, por exemplo: oito horas de segunda-feira à quinta-feira, e quatro horas, na sexta-feira; sete horas e 12 minutos de segunda-feira à sexta-feira, entre outras alternativas.

A PEC mantém a possibilidade de compensar horários e reduzir as jornadas por meio de acordos de trabalho, como a Constituição já prevê.



Impacto financeiro

No dia da aprovação do texto na CCJ, o senador Izalci Lucas (PL-DF) afirmou em Plenário que a medida poderá ter efeitos negativos na economia que, para ele, ainda não foram considerados.

— O que custa isso? Quem é que paga essa conta? Acho que essas pessoas não fazem conta, acham que o dinheiro só cai do céu. Eu fico imaginando as pequenas empresas, que têm um, dois funcionários.


Fonte: Agência Senado

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

STF condena por unanimidade os responsáveis pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes

Marielle Franco era vereadora do PSOL e foi covardemente assassinada junto com seu motorista Anderson Gomes em março de 2018.

Por Marcelo Procópio| Jornal O Folhão 

Brasília, 25 de fevereiro de 2026 – A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou por unanimidade, nesta quarta-feira (25), os cinco acusados de planejar e ordenar o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crime ocorrido em 14 de março de 2018 no centro do Rio de Janeiro.

O julgamento foi concluído com os votos dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, que seguiram integralmente o voto do relator da ação penal, ministro Alexandre de Moraes.



Quem foram os condenados

Os cinco réus foram considerados culpados por envolvimento no planejamento e ordenação do ataque que vitimou Marielle e Anderson, além de tentativa de homicídio contra a assessora da vereadora, Fernanda Chaves, que sobreviveu ao atentado:


Principais condenados

  • Domingos Inácio Brazão – conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ)
  • João Francisco Inácio “Chiquinho” Brazão – ex-deputado federal
    Ambos foram condenados a 76 anos e 3 meses de prisão por organização criminosa, duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio.


Demais réus

  • Ronald Paulo Alves Pereira – ex-policial militar, condenado por duplo homicídio qualificado, organização criminosa e tentativa de homicídio, com pena de 56 anos de prisão, segundo a acusação oficial.
  • Robson Calixto Fonseca – ex-assessor e policial reformado, condenado por participação em organização criminosa armada; sua pena inclui anos de reclusão por esse crime.
  • Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior – ex-delegado da Polícia Civil do Rio, condenado por obstrução à Justiça e corrupção passiva, após constatação de interferência nas investigações.

Somente Barbosa foi absolvido da acusação direta de homicídio, mas foi responsabilizado por crimes relacionados à investigação.


Como o crime ocorreu

Em 14 de março de 2018, Marielle Franco, então vereadora pelo PSOL e ativista dos direitos humanos, foi executada a tiros no centro do Rio de Janeiro enquanto viajava com seu motorista, Anderson Gomes. Os disparos foram feitos por um grupo que foi identificado em investigações posteriores como milícia ligada a interesses políticos e imobiliários na cidade.

O assassinato chocou o Brasil e o mundo, devido ao perfil da vereadora — mulher negra, lésbica e crítica frequente às práticas de milícias e abuso policial — e ao simbolismo de sua atuação política.


Provas e delações premiadas

Boa parte das informações que sustentaram a acusação veio de delações premiadas de executores do crime, como o ex-policial Ronnie Lessa, que confessou ter disparado os tiros, e de outros envolvidos que detalharam ligações entre os mandantes e a execução do atentado.

Segundo os ministros, os réus agiram para manter interesses econômicos e políticos em áreas de atuação de milícias no Rio, tendo como alvo a atuação de Marielle contra essas práticas.


Repercussão e efeitos jurídicos

A condenação por unanimidade no STF representa um marco importante quase oito anos depois do crime, colocando fim à fase judicial que faltava definir os mandantes. Representantes de direitos humanos, como a família de Marielle e organizações civis, consideraram a decisão histórica para a Justiça no Brasil.

Especialistas em segurança pública destacam que o caso expôs laços entre crime organizado, milícias e política no Rio de Janeiro, e pode impulsionar políticas mais rígidas contra a impunidade e a violência política que atingem especialmente defensores de direitos humanos no país.



O que vem a seguir

Os condenados podem recorrer da decisão em instâncias superiores, mas a sentença unânime da Primeira Turma do STF reforça a posição da Corte sobre a gravidade do crime e a necessidade de responsabilização de seus mandantes e apoiadores.

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Duque de Caxias inicia Censo Rural com a UFRJ para fortalecer a agricultura familiar

Produtos expostos na feira popular da agricultura familiar

Por Cleide Gama| Jornal O Folhão 

Agricultura: A Secretaria Municipal de Obras e Agricultura de Duque de Caxias anunciou que, a partir do dia 2 de março de 2026, será iniciado o Censo Rural em parceria com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRJ). A ação, que não terá nenhum custo para os produtores rurais, tem como objetivo mapear a produção local, identificar as necessidades das comunidades agrícolas e orientar políticas públicas que promovam o fortalecimento da agricultura familiar no município.

O trabalho de campo inclui visitas a propriedades rurais das áreas de Xerém e outras localidades periurbanas, onde há forte tradição de agricultura urbana e periurbana — práticas que a UFRJ já acompanha em projetos de extensão e pesquisa voltados à segurança alimentar e à inclusão social na região. 



Contexto da agricultura em Duque de Caxias

Embora Duque de Caxias seja um dos grandes polos industriais da Baixada Fluminense e tenha cerca de 808 mil habitantes, a agricultura ainda desempenha papel importante na economia local, principalmente em áreas rurais e periurbanas. Relatórios oficiais apontam que existem mais de 388 estabelecimentos agropecuários distribuídos em cerca de 5.557 hectares, nos quais estão envolvidos mais de 1.157 trabalhadores rurais, muitos deles em regime familiar. 

Historicamente, a produção agrícola da região inclui culturas como banana, aipim, cana-de-açúcar, hortaliças e frutas tropicais, além de atividades de piscicultura que vêm ganhando espaço nos últimos anos — com potencial de crescimento, segundo dados estaduais. 

A cidade também é sede de iniciativas voltadas ao escoamento da produção familiar, como a Feira Popular da Agricultura Familiar, onde agricultores vendem produtos diretamente ao público, fortalecendo o mercado local e promovendo segurança alimentar e nutricional, além de renda para pequenos produtores. 



O que se espera do Censo Rural

O Censo vai além da simples contagem de propriedades: pretende mapear as principais cadeias produtivas em Duque de Caxias, as condições de infraestrutura (como acesso à água, máquinas e assistência técnica) e as demandas dos produtores para acessar linhas de crédito, certificações e programas como o PRONAF, que viabiliza financiamento rural com juros menores. 

Segundo a organização do Censo, os dados coletados serão essenciais para planejar programas de capacitação, comercialização e inclusão produtiva de agricultores familiares em mercados mais amplos, bem como para subsidiar políticas públicas municipal e estadual.



Opiniões e reações

Evandro Brasil, empreendedor,  comentarista de políticas públicas e Conselheiro de Segurança Alimentar em Duque de Caxias, destacou que “este Censo é uma oportunidade histórica para a agricultura familiar de Duque de Caxias sair do invisível. Conhecer quem produz, quanto produz e quais são as dificuldades é o primeiro passo para criar políticas que de fato gerem renda e sustentabilidade para nossas famílias do campo.”

Já Sidney Campos Neves, presidente do Consea - DC, ressaltou a importância técnica da parceria: “A integração entre a prefeitura e a UFRJ, é uma luta antiga do nosso conselho, trará credibilidade científica ao Censo e permitirá que os resultados sirvam não apenas para ações locais, mas como referência para outras cidades da Baixada Fluminense que enfrentam desafios semelhantes na agricultura periurbana.”

Produtores locais veem a iniciativa com expectativa positiva. Maria Aparecida, agricultora de Xerém, afirma: “Sempre tivemos dificuldade para acessar apoio técnico e mercados maiores. Se o Censo nos der uma voz oficial, acho que poderemos melhorar nossa produção e vender mais.” Outro agricultor, João Pereira, acrescentou que “identificar nossas necessidades pode trazer máquinas, assistência técnica e maior acesso a crédito — isso faz a diferença na sobrevivência de quem vive da terra.”



O que vem pela frente

O Censo Rural deve percorrer centenas de propriedades nos próximos meses, com previsão de conclusão ainda em 2026. O resultado será divulgado em relatório público e apresentado em audiências com agricultores, técnicos da UFRJ, representantes municipais e entidades de apoio à agricultura familiar.

A expectativa é que, com um diagnóstico claro da realidade rural caxiense, o município possa desenvolver programas mais eficazes de inclusão produtiva, fortalecer cadeias de valor locais e ampliar o papel da agricultura familiar na economia e segurança alimentar de Duque de Caxias.

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Divisões no “Bolsonarismo”: Família e aliados em choque enquanto eleição de 2026 se aproxima

Jair Bolsonaro está preso na Papudinha. Ele foi julgado e condenado a 27 anos de prisão. Seu filho Flávio anunciou que vai disputar as eleições para dar continuidade ao trabalho de seu pai. Foto de reprodução - Gazeta do Povo.


Por Marcos Vinicius| Redação Jornal O Folhão 

Brasília – O que era esperado ser a convergência de um núcleo político para as eleições de 2026 transformou-se em uma sequência de atritos internos entre integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados próximos, abrindo fissuras que reacendem debates sobre liderança, estratégia e lealdade dentro do bolsonarismo.


Crise aberta por Michelle Bolsonaro

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), figura tradicionalmente associada ao núcleo familiar e à base bolsonarista, tomou nos últimos meses uma postura que expõe tensões claras com membros do próprio clã. Decidiu não participar ativamente da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o principal nome hoje associado ao legado político de Bolsonaro para 2026, comunicando sua decisão mesmo após diálogo com o ex-presidente. 

Esse distanciamento foi interpretado por aliados de Flávio e por aliados do bolsonarismo tradicional como um sinal de divisão estratégica. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, chegou a criticar tanto Michelle quanto o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) por não apoiarem com afinco a candidatura presidencial do senador, chegando a dizer que ambos tinham “amnésia” em relação à campanha. 

Por sua vez, Nikolas rebateu as críticas e negou que ele ou Michelle estivessem com “amnésia”, defendendo o posicionamento deles e destacando a necessidade de priorizar questões maiores, como o estado de saúde de Jair Bolsonaro e a situação nacional sob o governo Lula. 



Reações da família e disputa por espaço

A reação dos filhos de Bolsonaro não se limitou a críticas verbais. Em episódios anteriores, Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro — três dos filhos mais politicamente ativos — se colocaram contrários a posicionamentos públicos de Michelle, especialmente quando ela teceu críticas a alianças consideradas estratégicas pelo PL. Isso gerou reuniões internas de emergência no partido e debates acalorados sobre a direção da agenda eleitoral. 

Em um dos episódios mais emblemáticos, Michelle bateu de frente com a movimentação do PL em apoio ao ex-governador Ciro Gomes em um Estado do Nordeste, o que desencadeou uma reação imediata dos filhos e de setores partidários que defendiam a estratégia. 

Embora Flávio tenha buscado minimizar certas críticas e afirmado que não cobraria apoio, a situação evidencia que há mais do que um simples “descompasso”: existe uma ativa disputa por narrativa e protagonismo dentro do movimento bolsonarista, potencialmente agravada pela ausência física do líder máximo — Bolsonaro está atualmente preso na Papudinha (Brasília) após condenação por tentativa de golpe à democracia. 



Contexto eleitoral e forças externas ao clã

Especialistas em política destacam que essa fragmentação vai além de conflitos familiares. Com a eleição presidencial de 2026 se aproximando e a contra-hegemonia ao governo do Luiz Inácio Lula da Silva, aliados históricos e ex-bolsonaristas vêm recalibrando suas posições. Alguns militantes conservadores, que antes se alinhavam fielmente à família, agora criticam a incapacidade de formar alianças mais amplas ou de manter unidade em torno de um projeto político consistente.

Além disso, membros que já integraram estruturas de apoio ao bolsonarismo — como o ex-aliado e deputado Alexandre Frota ou a ex-deputada Joice Hasselmann, que denunciaram práticas como as chamadas “milícias digitais” durante o governo — têm ressaltado que a fragmentação atual é reflexo de uma ausência de liderança clara e de um grupo que falha em conciliar interesses pessoais com objetivos coletivos. 



E as acusações que cercam Flávio Bolsonaro?

Não se pode dissociar as tensões internas do pano de fundo judicial que acompanha a família. O senador Flávio Bolsonaro tem sido historicamente ligado ao caso conhecido como “rachadinha” — um esquema investigado pelo Ministério Público e pela Justiça que envolvia supostas irregularidades na devolução de parte do salário de assessores ao então parlamentar quando este era deputado estadual no Rio de Janeiro. Movimentações financeiras atípicas e outras operações levantadas pelo conselho fiscalizador levantaram suspeitas de lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa, e culminaram em investigações e denúncias no tribunal do Rio. 

Embora algumas decisões judiciais tenham anulado provas ou questionado a condução do caso, o episódio permanece como um elemento que acompanha a carreira política de Flávio e é frequentemente utilizado por críticos para questionar sua integridade e aptidão para liderar um projeto nacional. 

O bolsonarismo, enquanto movimento político, demonstra hoje um mosaico de vozes muitas vezes dissonantes. A disputa interna entre Michelle Bolsonaro e membros diretos da família, as críticas de Eduardo Bolsonaro a aliados que divergem de sua estratégia, e o debate mais amplo entre ex-bolsonaristas e apoiadores históricos revelam uma crise de coesão. Essa disputa, longe de ser apenas familiar, tem implicações diretas no fortalecimento ou fragilização de um bloco político que, até poucos anos atrás, parecia invencível no espectro conservador brasileiro.

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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Entre o Cunctatório e o Alcantil Digital: A Urgência de uma Estratégia Progressista no Século XXI

Por Evandro Brasil | @evandrobrasil.oficial

Opinião: Vivemos uma inflexão histórica na arena política brasileira. O debate público deixou de ocorrer prioritariamente nos parlamentos, nas universidades e nos jornais impressos. Hoje, ele se estrutura majoritariamente nos ambientes digitais — espaços mediados por algoritmos, impulsionamentos e dinâmicas emocionais.

Plataformas como Facebook, Instagram, YouTube e X tornaram-se verdadeiros territórios de disputa simbólica. Quem compreende sua lógica domina a narrativa. Quem a ignora, torna-se refém dela.


A hegemonia digital da extrema direita

Nos últimos anos, setores da extrema direita demonstraram notável capacidade de adaptação ao ecossistema digital. Entenderam rapidamente que a arena contemporânea não é apenas ideológica — é algorítmica.


Operam com:

Linguagem simples e emocional.

✓ Mensagens curtas e altamente compartilháveis.

✓ Redes coordenadas de engajamento.

✓ Uso intensivo de vídeos curtos e cortes estratégicos.

✓ Narrativas polarizadoras que mobilizam identidade.

Essa estratégia não surgiu por acaso. Ela compreendeu algo fundamental: o algoritmo privilegia engajamento, e engajamento é frequentemente movido por emoção — não por racionalidade técnica.


O Cunctatório progressista

Enquanto isso, setores progressistas frequentemente assumem postura reativa. Respondem a pautas já estabelecidas, tentam corrigir desinformações após sua viralização e mantêm linguagem excessivamente técnica em ambientes que operam por síntese.

Esse fenômeno pode ser denominado “Cunctatório” — termo derivado do latim cunctator, associado a Quinto Fábio Máximo, general romano conhecido por sua estratégia de retardamento e desgaste do inimigo.

No contexto atual, o cunctatório deixa de ser virtude estratégica e passa a representar:

✓ Hesitação comunicacional.

✓ Lentidão decisória.

✓ Subestimação do ambiente digital.

✓ Incapacidade de disputar narrativa em tempo real.

Em uma arena acelerada, a demora equivale à derrota simbólica.


O Alcantil em que navegamos

Vivemos um “alcantil” digital — um terreno escarpado, instável, permeado por riscos reputacionais e ataques coordenados. Não se trata de águas calmas. Trata-se de um ambiente de alta volatilidade informacional.

Navegar nesse cenário exige:

✓ Profissionalização da comunicação.

✓ Compreensão técnica dos algoritmos.

✓ Produção de narrativas mobilizadoras.

✓ Integração entre militância, intelectuais e estrategistas digitais.

✓ Velocidade de resposta e coordenação.

✓ Não basta ter razão técnica. É preciso ter eficácia comunicacional.


Içar as velas: a necessidade de uma virada estratégica

Içar as velas significa abandonar a postura defensiva e assumir protagonismo narrativo. Significa compreender que a disputa política contemporânea é também uma disputa de atenção.


Isso implica:

✓ Traduzir complexidade em clareza.

✓ Produzir conteúdo com estética contemporânea.

✓ Formar quadros capacitados em comunicação digital.

✓ Utilizar dados e métricas como instrumentos estratégicos.

✓ A política do século XXI não se faz apenas com ideias — faz-se com estratégia de circulação dessas ideias.

Por fim, podemos concluir que a questão central não é ideológica, mas estrutural: quem dominar os ambientes digitais moldará a percepção coletiva da realidade.

O Cunctatório precisa ser superado. O Alcantil precisa ser atravessado. As velas precisam ser içadas.

A disputa não é apenas por votos. É por narrativa. É por hegemonia. É por futuro.


Evandro Brasil é professor, pedagogo, profissional em SST, contabilista e estudioso no campo da biomedicina. Pós-graduado em microbiologia; gerontologia; e estética. Evandro é membro do partido Cidadania23 RJ. @evandrobrasil.oficial | evandrobrasil.blogspot.com 

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Paes anuncia candidatura ao Governo do Rio com ampla aliança e desafios políticos intensos

 

Prefeito Eduardo Paes (PSD) e Jane Reis (MDB)

Marcos Vinicius | Redação Jornal O Folhão 

Eleições 2026: O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), confirmou nesta quinta-feira (19) sua decisão de disputar o cargo de governador nas eleições de outubro de 2026 e anunciou a advogada e empresária Jane Reis (MDB) como candidata a vice-governadora em sua chapa. Para se dedicar integralmente à campanha, Paes deixará o comando da prefeitura da capital no dia 20 de março, data em que o vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) assumirá o Executivo municipal. 

A oficialização da aliança entre PSD e MDB ocorreu durante a solenidade de recondução do Washington Reis ao cargo de presidente estadual do MDB, em que foi anunciado o nome de Jane Reis como vice. Irmã de Washington Reis — ex-prefeito de Duque de Caxias, ex-secretário estadual de Transportes e figura influente na política da Baixada Fluminense — Jane se apresenta como cristã, mãe, advogada e empresário, trazendo para a chapa um perfil de gestão e conexão com territórios fundamentais fora da capital. 

O anúncio também contou com a presença de lideranças nacionais, incluindo o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e do MDB, Baleia Rossi, o que reforça a dimensão da aliança no plano estadual e nacional. 


Contexto político e apoio consolidado

Com essa articulação, Paes amplia seu arco de alianças e consolida apoio importante de parlamentares e lideranças estaduais, incluindo nomes do Cidadania-23 como Comte Bittencourt e Webert Rezende, que já anunciaram apoio à pré-candidatura. O professor Evandro Brasil, membro do Cidadania-23, destacou esse apoio como um movimento que fortalece a liderança de Paes no pleito fluminense.

Apesar da vantagem nas pesquisas, a campanha de Eduardo Paes enfrenta obstáculos significativos:

1. Cenário adverso no interior e na Baixada Fluminense:

Embora forte na capital, Paes historicamente tem menor capilaridade nas regiões interiores do estado, onde candidatos de outras siglas, incluindo nomes do PL e de oposição, ainda possuem influência. A inclusão de Jane Reis busca justamente ampliar a presença política nessas áreas, aproveitando a base eleitoral da família Reis em Duque de Caxias. 


2. Segurança pública e economia:

O Rio de Janeiro enfrenta desafios antigos em segurança pública e finanças estaduais. A violência urbana e a necessidade de políticas eficazes de geração de emprego e renda continuarão sendo temas centrais no debate eleitoral, exigindo propostas claras e factíveis da chapa.


3. Competição com outros nomes fortes:

Embora Paes esteja bem posicionado, adversários podem consolidar candidaturas que fragmentem o eleitorado de centro e direita, especialmente se nomes ligados ao PL e a outras legendas alcançarem apoios regionais expressivos.


4. Gestão da capital e legado:

A saída antecipada de Paes da prefeitura para se dedicar à campanha foi alvo de críticas por parte de alguns adversários, que usam isso para questionar o compromisso com a gestão e as prioridades da população do Rio. 


Perspectivas eleitorais

A pré-candidatura de Eduardo Paes reflete a articulação de forças políticas tradicionais e a tentativa de projetar uma alternativa de centro-direita ao atual cenário estadual. Dados eleitorais indicam que, além de liderar dificilmente isolado, sua campanha precisará consolidar apoio nos municípios fora da capital e responder às demandas por segurança, serviços públicos e estabilidade fiscal ao longo da disputa. 


#EleiçõesRJ2026 #EduardoPaesGovernador #JaneReisVice #PolíticaNoRio #PSD #MDB #AliançaPolítica #GovernoDoRio

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Banco Pleno, ligado a ex-sócio do escândalo Master

Augusto Ferreira Lima, conhecido no mercado financeiro como “Guga Lima” - Foto de reprodução Brasil Paralelo 

Por Marcelo Procópio |Redação Jornal O Folhão 

Banco Central: Nesta quarta-feira (18 de fevereiro de 2026), o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do conglomerado prudencial do Banco Pleno S.A., instituição financeira controlada pelo empresário Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e ex-sócio do agora extinto Banco Master. A medida foi publicada oficialmente na manhã de hoje, em Brasília, e interrompe imediatamente as atividades da instituição e de sua integrante, a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (Pleno DTVM). 

O Banco Central informou que a decisão foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com agravamento da deterioração da liquidez, descumprimento de normas regulatórias e inobservância de determinações da própria autoridade monetária. A autarquia afirmou que seguirá tomando todas as medidas legais cabíveis para apurar responsabilidades e aplicar possíveis sanções administrativas. 

O Banco Pleno, classificado como de pequeno porte no Sistema Financeiro Nacional (SFN) — representando cerca de 0,04% dos ativos totais e 0,05% das captações — já enfrentava dificuldades de liquidez, o que teria prejudicado sua capacidade de honrar compromissos financeiros. 


Quem é Augusto Ferreira Lima

Augusto Ferreira Lima, conhecido no mercado financeiro como “Guga Lima”, construiu sua trajetória no setor de crédito consignado e ganhou destaque ao tornar-se sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Após deixar a sociedade em 2024, ele adquiriu o antigo Banco Voiter (ex-Indusval), com a aprovação do Banco Central, que passou então a operar sob a marca Banco Pleno. 

Lima chegou a ser preso pela Polícia Federal em novembro de 2025 no âmbito da Operação Compliance Zero, que investigou irregularidades na emissão de títulos de crédito pelo Master — o que acabou levando à liquidação daquele banco no fim do ano passado. 


Consequências da liquidação

Com a liquidação extrajudicial, os bens dos controladores e administradores da instituição foram tornados indisponíveis conforme a legislação vigente. O Banco Central ressaltou que continuará as apurações e poderá encaminhar informações às autoridades competentes. 

A medida reforça o impacto contínuo do chamado “efeito Master” sobre o sistema financeiro e mecanismos de garantia, como o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que já tem absorvido encargos relacionados a liquidações recentes de instituições associadas ao caso. 

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Viradouro é a Grande Campeã do Carnaval 2026 no Rio de Janeiro


Por Marcos Vinicius | Redação Jornal O Folhão 

Carnaval do Rio: A apuração foi marcada por tensão e notas extremamente equilibradas. No fim, a Unidos do Viradouro confirmou o favoritismo técnico e levantou a taça do Carnaval 2026 com um enredo emocionante em homenagem ao mestre de bateria Mestre Ciça — uma referência histórica do samba que marcou gerações na Marquês de Sapucaí.

A disputa foi voto a voto, quesito a quesito, demonstrando o alto nível do Grupo Especial deste ano. A Beija-Flor de Nilópolis pressionou até o último décimo, consolidando-se como vice-campeã em uma das apurações mais acirradas dos últimos tempos.

Já a Acadêmicos do Grande Rio, campeã de 2025, terminou na oitava colocação, mostrando como o Carnaval é dinâmico e altamente competitivo — um ano no topo não garante vantagem no seguinte.

E quem vibra mais uma vez é Niterói, que celebra mais um título da Viradouro. A cidade reafirma sua força cultural e sua tradição no samba, consolidando-se como protagonista na elite do Carnaval carioca.



Se quiser, posso transformar esse conteúdo em um texto mais opinativo para blog ou em um post estratégico para redes sociais com hashtags de alto alcance. 

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Escândalo na Sefaz-SP expõe fragilidades no controle do governo Tarcísio

 

Governador Tarcísio de Freitas tem sua gestão manchada com mais um escândalo de corrupção na sua administração no governo do Estado de São Paulo - Foto de reprodução, Infomoney 

Por Marcelo Procópio | Redação Jornal O Folhão 

São Paulo: Um esquema bilionário de corrupção investigado no âmbito da Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo (Sefaz-SP) colocou em xeque a capacidade do governo Tarcísio de Freitas de prevenir e conter desvios dentro da administração estadual. As apurações, conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo, indicam a existência de um esquema estruturado para concessão irregular de créditos de ICMS, com suspeitas de pagamento de propinas que podem ultrapassar a casa do bilhão de reais.

O caso veio à tona com a Operação Ícaro, que resultou na prisão e no afastamento de auditores fiscais, além da investigação de empresários ligados a grandes empresas do varejo. Segundo o MP, servidores públicos teriam utilizado brechas normativas e falhas de controle para acelerar e liberar créditos tributários de forma ilegal, causando prejuízo direto aos cofres públicos.

Diante da repercussão, o governo estadual anunciou exonerações, afastamentos e a revisão de normas internas que simplificavam o ressarcimento de ICMS. Apesar das medidas, críticos avaliam que elas ocorreram apenas após a revelação do esquema, levantando dúvidas sobre a eficácia da governança e dos mecanismos de controle durante a gestão atual.

Para o professor de administração pública e especialista em controle governamental, Carlos Menezes, o episódio “revela fragilidades sérias na estrutura de fiscalização do Estado”. Segundo ele, “não basta reagir depois do escândalo; a prevenção exige sistemas robustos, transparência ativa e auditorias independentes permanentes”.

A percepção popular também é de desconfiança. A auxiliar de serviços gerais Maria Aparecida, moradora da zona leste da capital, afirma que “o cidadão paga imposto caro e espera que o governo cuide do dinheiro. Quando surge um caso desses, parece que ninguém estava olhando”. Já o comerciante João Ribeiro questiona a liderança do Executivo: “Se isso aconteceu dentro da Fazenda, como confiar que outros setores estão livres de problemas?”.

Na Assembleia Legislativa, parlamentares da oposição defendem a ampliação das investigações e discutem a instalação de uma CPI para apurar responsabilidades políticas e administrativas. O argumento central é que, mesmo que não haja prova de envolvimento direto do governador, cabe ao chefe do Executivo garantir estruturas capazes de impedir esquemas desse porte.

O Palácio dos Bandeirantes sustenta que colaborou com as investigações e reforçou os controles internos, reiterando o discurso de tolerância zero com a corrupção. Ainda assim, o caso da Sefaz-SP deixa uma marca incômoda no governo Tarcísio: a de que falhas internas permitiram a atuação de um esquema milionário sem detecção prévia.

Para analistas, o desfecho das investigações e a adoção de medidas estruturais — e não apenas corretivas — serão decisivos para avaliar se o governo conseguirá recuperar a confiança da população e demonstrar capacidade real de impedir novos episódios de corrupção na máquina pública paulista.

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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Morre Renato Rabelo, histórico dirigente do PCdoB, aos 83 anos

 

Renato Rabelo morre aos 83 anos - foto de reprodução PCdoB

Por Marcos Vinicius| Redação Jornal O Folhão 

Luto: O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) comunicou neste domingo (15) a morte de Renato Rabelo, aos 83 anos. Baiano, Rabelo é apontado pela legenda como um dos mais importantes dirigentes de sua história e figura central na trajetória recente do partido.

Renato Rabelo presidiu o PCdoB entre 2001 e 2015, período em que a sigla buscou ampliar sua inserção institucional, fortalecer sua presença no Congresso Nacional e participar ativamente do debate político nacional. Sob sua liderança, o partido consolidou alianças, ampliou a atuação em governos estaduais e municipais e reforçou vínculos com movimentos sociais e sindicais.

Nos últimos três anos, Rabelo estava afastado da vida pública, dedicando-se aos cuidados com a saúde. Segundo informações divulgadas pelo partido, ele enfrentava a evolução de uma doença degenerativa, que se agravou nos últimos meses.

Além da atuação partidária, Renato Rabelo foi reconhecido como formulador político e intelectual orgânico da esquerda brasileira. Seus textos e intervenções abordaram temas como desenvolvimento nacional, soberania, democracia e o papel do Estado na redução das desigualdades sociais. Para aliados e militantes, sua trajetória foi marcada pela coerência ideológica e pela defesa permanente do regime democrático.

Em nota oficial, o PCdoB lamentou a morte do ex-presidente e destacou seu “compromisso histórico com o povo brasileiro e com a luta por um país mais justo e soberano”. Mensagens de pesar também foram divulgadas por lideranças políticas e sociais de diferentes correntes, que ressaltaram o papel de Rabelo no diálogo político e na construção institucional do partido.

O PCdoB informou que os detalhes sobre o velório e as homenagens oficiais a Renato Rabelo serão divulgados nas próximas horas.

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