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| Ex-governador Cláudio Castro é alvo de operação da Polícia Federal (Foto de reprodução - Tempo Real) |
Por Marcelo Procópio| Redação Jornal O Folhão
Rio: O Rio de Janeiro amanheceu novamente sob o barulho das sirenes da Polícia Federal. Nesta sexta-feira, a PF deflagrou a Operação “Sem Refino”, uma ofensiva de grandes proporções que colocou o ex-governador Cláudio Castro entre os principais alvos da investigação. Agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-chefe do Executivo fluminense, incluindo sua residência em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste da capital.
A investigação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, apura um suposto esquema bilionário envolvendo empresas do setor de combustíveis, suspeitas de utilizar estruturas empresariais complexas para ocultação patrimonial, lavagem de dinheiro, fraudes fiscais e envio ilegal de recursos para o exterior.
No centro das apurações aparece o empresário Ricardo Magro, proprietário do Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Segundo informações divulgadas pela PF, a corporação solicitou inclusive a inclusão do nome do empresário na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo internacional utilizado para localizar foragidos considerados prioritários. Magro estaria atualmente nos Estados Unidos.
Ao todo, foram expedidos 17 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. Além disso, a Justiça autorizou medidas cautelares severas, incluindo afastamentos de funções públicas, bloqueios bilionários de ativos financeiros e suspensão de atividades econômicas de empresas investigadas. Parte das informações aponta para bloqueios que podem alcançar cifras superiores a R$ 52 bilhões em ativos ligados ao grupo investigado.
A operação não atingiu apenas figuras políticas. Também entraram na mira da PF o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-procurador Renan Saad e o ex-secretário estadual da Fazenda Juliano Pascoal. Os investigadores trabalham com a hipótese de que setores do poder público possam ter facilitado ou ignorado irregularidades fiscais envolvendo o conglomerado econômico investigado.
A ofensiva da PF acontece em um momento extremamente delicado para a política fluminense. Cláudio Castro deixou o governo do estado em março deste ano, um dia antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral que terminou declarando sua inelegibilidade por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A renúncia abriu uma crise institucional inédita no Rio, com disputas judiciais sobre a sucessão estadual e debates no STF sobre a realização de eleição direta ou indireta para um mandato-tampão.
Mesmo fora do Palácio Guanabara, Castro ainda articulava sua permanência no cenário político e pretendia disputar uma vaga ao Senado Federal nas eleições deste ano. A nova operação, entretanto, aumenta significativamente a pressão política e jurídica sobre o ex-governador, transformando seu futuro eleitoral em um terreno cercado de incertezas.
Até o momento, a defesa de Cláudio Castro afirma não ter tido acesso completo aos autos da investigação. O advogado Carlo Luchione declarou à imprensa que aguarda detalhes formais da operação antes de qualquer manifestação mais aprofundada.
Nos bastidores políticos do Rio, a operação já provoca fortes repercussões. Analistas avaliam que a investigação pode aprofundar ainda mais a crise institucional fluminense, que há anos parece caminhar sobre uma ponte de vidro em meio a sucessivos escândalos políticos, disputas judiciais e intervenções federais. A “Sem Refino” surge agora como mais um capítulo de um enredo em que o combustível não move apenas carros, mas também suspeitas, poder e bilhões de reais.
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