domingo, 29 de março de 2026

Operação nacional mira preços abusivos nos combustíveis e acende alerta no bolso do brasileiro

Consumidores tem percepção que os preços dos combustíveis se mantém equilibrado após as operações da polícia federal. Foto de reprodução CNN

Por Cleide Gama| Redação Jornal O Folhão 

Abuso de Preços: Uma grande ofensiva coordenada pela Polícia Federal do Brasil está colocando sob pressão o setor de combustíveis em todo o país. A chamada operação “Vem Diesel” foi deflagrada simultaneamente em 11 estados e no Distrito Federal, com o objetivo de investigar aumentos considerados abusivos nos preços praticados por postos e distribuidoras.

A ação conta com o apoio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, da Secretaria Nacional do Consumidor e de órgãos estaduais de defesa do consumidor. Ao todo, milhares de estabelecimentos já foram fiscalizados, com foco em identificar práticas como cartel, manipulação de preços e distorções injustificadas nas margens de lucro.


Pressão no bolso

O impacto direto dessas práticas é sentido diariamente pela população. Em diferentes regiões do país, consumidores relatam aumentos repentinos e sem explicação clara.

De um dia para o outro o preço sobe e ninguém explica nada. A gente fica sem saber se é imposto, petróleo ou abuso mesmo”, afirma um motorista de aplicativo ouvido pela reportagem.

A percepção geral é de desconfiança. Para muitos brasileiros, o preço nas bombas não acompanha as reduções anunciadas nas refinarias, o que levanta suspeitas sobre possíveis irregularidades na cadeia de distribuição.


Posição do governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou sobre o tema e reforçou a necessidade de fiscalização rigorosa. Segundo ele, não é aceitável que o consumidor seja penalizado por práticas abusivas no mercado.

“O povo brasileiro não pode pagar mais caro por conta de distorções ou má-fé. Se houver abuso, o governo vai agir com firmeza”, declarou o presidente.

Lula também destacou que o governo federal tem trabalhado para garantir maior transparência na formação de preços, além de incentivar mecanismos que ampliem a concorrência e reduzam distorções no setor.


O que pode acontecer

Caso as irregularidades sejam comprovadas, empresas envolvidas poderão sofrer sanções severas, que incluem multas milionárias, suspensão das atividades e até responsabilização criminal dos gestores.

Especialistas em regulação econômica apontam que a operação pode marcar um ponto de virada no combate a práticas anticompetitivas no setor de combustíveis — um problema histórico no Brasil.


Cenário mais amplo

O movimento ocorre em um momento sensível da economia, em que o preço dos combustíveis impacta diretamente a inflação, o custo do transporte e o valor final de produtos e serviços.

Enquanto as investigações avançam, a expectativa da população é clara: transparência, justiça e, principalmente, preços mais justos nas bombas.

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Execução brutal em praça de Japeri assusta moradores e reforça clima de insegurança na Baixada

 

Imagens registrada por câmeras de segurança momentos antes do crime. Foto de reprodução, jornal Meia Hora

Por Marcos Vinicius| Japeri, RJ 

Violência: Um crime com características de execução chocou moradores do bairro Nova Belém, em Japeri, na Baixada Fluminense, na madrugada deste sábado (28). Leonardo da Rosa Anjos, de 38 anos, foi morto a tiros na chamada Praça do Skate, local conhecido da região.

De acordo com informações da Polícia Militar, agentes do 24º BPM (Queimados) foram acionados após relatos de disparos e, ao chegarem ao local, encontraram a vítima já sem vida. A área foi isolada para o trabalho da perícia, enquanto o caso passou a ser investigado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). 

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento do crime. Leonardo estava sentado em um estabelecimento acompanhado de outras duas pessoas quando um carro se aproximou lentamente. Dois homens encapuzados desceram do veículo e efetuaram diversos disparos — mais de 15 tiros, segundo as investigações. A vítima ainda tentou fugir, mas acabou sendo atingida e caiu. Na sequência, um dos criminosos retornou e efetuou novos disparos. 

Até o momento, a motivação do crime é desconhecida, e nenhum suspeito foi preso. A Polícia Civil informou que diligências estão em andamento para identificar os autores e esclarecer as circunstâncias do homicídio. 

Moradores da região relataram medo e revolta com a violência. “A gente já não tem segurança nenhuma. Isso aconteceu de madrugada, mas podia ser em qualquer horário”, disse um morador que preferiu não se identificar. Outra moradora afirmou que a praça, que deveria ser um espaço de lazer, tem sido cada vez mais associada a episódios de violência: “Era pra ser um lugar de convivência, mas hoje a gente evita até passar por perto à noite”.

O assassinato reacende o alerta sobre a escalada da violência em Japeri, município da Baixada Fluminense que historicamente enfrenta desafios na área de segurança pública e infraestrutura. 

A DHBF segue à frente das investigações, e a polícia pede que qualquer informação que possa ajudar na identificação dos criminosos seja repassada de forma anônima aos canais oficiais.

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sábado, 28 de março de 2026

QUEDA DE UM PODEROSO: PRISÃO DE BACELLAR ABALA A POLÍTICA DO RIO E EXPÕE BASTIDORES DO PODER

Rodrigo Bacelar, deputado estadual cassado e agora preso pela Polícia Federal 

Por Cleide Gama| Redação Jornal O Folhão 

STF: A nova prisão do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, provocou um terremoto político no estado e reacendeu o debate sobre os limites da atuação de autoridades e o combate à corrupção no país.

A operação foi executada pela Polícia Federal, que cumpriu o mandado de prisão preventiva com base em investigações que apontam suposta participação de Bacellar em um esquema de organização criminosa, além de indícios de tentativa de obstrução da Justiça.


Por que a prisão foi decretada

A decisão de Moraes levou em consideração fatores considerados críticos:

- Risco à ordem pública

- Possibilidade de interferência nas investigações

- Indícios de uso da estrutura de poder para dificultar ações policiais

- Suposta participação em articulações para vazamento de informações sigilosas

Outro ponto determinante foi a cassação do mandato político, que retirou o foro e a proteção institucional que antes dificultavam medidas mais duras.


Novos elementos do caso

Fontes ligadas à investigação indicam que a apuração avançou significativamente nos últimos meses, com:

- Quebra de sigilos telefônicos e telemáticos

- Cruzamento de dados financeiros

- Depoimentos que reforçam a tese de atuação coordenada

Há suspeitas de que o grupo investigado mantinha influência em setores estratégicos da administração pública, o que ampliaria a gravidade do caso.


Impacto político imediato

A prisão de Rodrigo Bacellar ocorre em um momento de forte instabilidade política no Rio de Janeiro e pode gerar desdobramentos importantes dentro da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

Nos bastidores, aliados tentam minimizar os danos, enquanto adversários políticos veem na decisão uma confirmação de denúncias antigas. A expectativa é de que o episódio influencie diretamente o rearranjo de forças políticas no estado.


Especialistas analisam

Juristas avaliam que a decisão segue uma linha rigorosa adotada pelo Supremo em casos envolvendo risco à investigação.

A prisão preventiva, nesses casos, não é punição antecipada, mas um instrumento para garantir que o processo ocorra sem interferências”, explica um especialista em direito penal.

Por outro lado, há também críticas quanto à centralização de decisões em tribunais superiores e ao impacto político dessas medidas.


O que vem pela frente

O caso segue em andamento e deve ter novos desdobramentos nos próximos dias. Entre os possíveis cenários:

- Novas fases da investigação

- Denúncia formal pelo Ministério Público

- Possíveis implicações para outros agentes públicos


A prisão de Bacellar não é apenas mais um episódio policial — ela representa um ponto de inflexão na política fluminense. Em um estado historicamente marcado por crises institucionais, o caso reforça a necessidade de transparência, controle e responsabilidade no exercício do poder.

O desfecho ainda é incerto, mas uma coisa já é clara: o impacto dessa decisão deve ecoar por muito tempo nos corredores do poder no Rio de Janeiro.

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RELATÓRIO DA CPMI DO INSS É REJEITADO, GERA CRISE POLÍTICA E EXPÕE FRAGILIDADES NO SISTEMA

Senador Alfredo Gastar foi acusado por membros da CPMI do INSS de agir com imparcialidade e instrumentalizar politicamente a CPMI

Por Marcelo Procópio| Brasília 

INSS: A tentativa de encerrar os trabalhos da CPMI do INSS terminou em impasse e forte repercussão política. O relatório final apresentado pela relatoria foi rejeitado, após intensa divergência entre parlamentares, abrindo espaço para a apresentação de um relatório alternativo por membros contrários ao texto original.

A comissão investigava um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários, envolvendo associações, entidades e possíveis falhas operacionais no Instituto Nacional do Seguro Social. Estima-se que milhões de aposentados e pensionistas tenham sido afetados por cobranças automáticas não autorizadas.


Novos elementos revelados

Durante os trabalhos, vieram à tona informações relevantes:

- Existência de convênios frágeis entre o INSS e entidades privadas

- Falta de verificação rigorosa na autorização de descontos

- Indícios de uso indevido de dados de beneficiários

- Dificuldade dos aposentados em cancelar cobranças

Auditorias internas e cruzamento de dados apontaram que muitos beneficiários sequer tinham conhecimento de que estavam vinculados a associações.


O ponto mais polêmico

Um dos principais fatores que levaram à rejeição do relatório foi a inclusão do nome de Luís Cláudio Lula da Silva, o “Lulinha”, em pedidos de indiciamento.

Parlamentares contrários classificaram a medida como grave extrapolação, alegando ausência de provas concretas que sustentassem qualquer responsabilização direta.

Não se pode usar uma CPMI, que deveria ser técnica, para promover ilações sem base probatória. Isso fragiliza todo o trabalho da comissão”, afirmou um dos integrantes do grupo dissidente.


Relatório alternativo

Diante do impasse, foi apresentado um relatório paralelo que:

- Retira nomes sem comprovação robusta

- Foca na responsabilização de operadores diretos do esquema

- Propõe medidas estruturais para evitar novas fraudes

Esse documento deve ser encaminhado aos órgãos de controle como referência alternativa ao texto rejeitado.


A voz dos aposentados

Entre os principais afetados, o sentimento é de indignação e descrédito.

Todo mês vinha um desconto que eu não autorizei. Quando fui ver, era de uma associação que nunca ouvi falar”, relatou, Venceslau, um aposentado de 68 anos.

Outra pensionista foi direta: “A gente só quer respeito. Enquanto eles brigam em Brasília, quem paga a conta somos nós.”


Especialistas alertam

Juristas ouvidos pela reportagem reforçam que relatórios de CPMI precisam manter rigor técnico.

A inclusão de nomes sem prova consistente compromete a credibilidade institucional e pode inviabilizar responsabilizações futuras”, avalia um especialista em direito público.

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O que acontece agora

Mesmo com a rejeição do relatório principal, o material produzido pela comissão — incluindo o relatório alternativo — pode ser encaminhado para:

Ministério Público Federal

Polícia Federal

Controladoria-Geral da União

Essas instituições poderão dar continuidade às investigações e eventualmente propor ações judiciais.


A CPMI do INSS escancarou um problema grave que afeta diretamente milhões de brasileiros. No entanto, a politização do relatório final e a inclusão de nomes sem comprovação robusta acabaram desviando o foco e enfraquecendo um trabalho que poderia representar um marco no combate a fraudes previdenciárias.

Enquanto isso, aposentados seguem aguardando respostas — e, principalmente, proteção.

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LIMINAR DO STF RECOLOCA GAROTINHO NO JOGO POLÍTICO E DIVIDE OPINIÕES NO RIO

Com decisão do Ministro Cristiano Zanin Garotinho volta ao taboleiro eleitoral na disputa politica no Estado do Rio de Janeiro. Foto de reprodução, Estadão.

Por Marcos Vinicius | Redação Jornal O Folhão 

Uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, voltou a colocar o ex-governador Anthony Garotinho no centro do cenário político fluminense. Em caráter liminar, o magistrado suspendeu os efeitos da condenação relacionada à Operação Chequinho, reacendendo o debate sobre justiça, política e elegibilidade no país.

A decisão não anula definitivamente a condenação, mas retira, por ora, seus efeitos práticos — entre eles, a inelegibilidade. Na prática, Garotinho volta a poder disputar eleições enquanto o mérito do caso ainda será analisado pelas instâncias competentes.


Voz das ruas: apoio e desconfiança

Entre populares, a decisão gerou reações distintas. Em Campos dos Goytacazes, reduto político do ex-governador, muitos comemoraram.

Isso prova que houve injustiça. Garotinho sempre ajudou o povo mais pobre, e agora está tendo a chance de mostrar a verdade”, afirmou um comerciante local.

Já outros moradores demonstram cautela. “A justiça precisa ser firme. Se houve erro, tem que corrigir, mas também não pode virar bagunça”, disse uma professora da rede pública.


Especialistas analisam a decisão

Juristas ouvidos pela reportagem apontam que o ponto central da decisão está na chamada cadeia de custódia das provas — um dos pilares do processo penal moderno.

Segundo especialistas, há indícios de que arquivos digitais utilizados na condenação não passaram por procedimentos técnicos adequados, o que comprometeria sua validade jurídica.

Se a prova é contaminada ou não tem origem comprovada, todo o processo pode ser afetado. A decisão do STF segue uma linha garantista, focada na legalidade estrita”, explica um professor de Direito Penal.

Por outro lado, há quem veja riscos. “Esse tipo de decisão, embora juridicamente fundamentada, pode gerar sensação de impunidade na população, especialmente em casos com forte repercussão política”, avalia outro especialista.


Impacto político imediato

A liminar abre caminho para que Garotinho volte ao tabuleiro eleitoral, especialmente em um momento de reorganização das forças políticas no estado do Rio de Janeiro.

Aliados já veem a decisão como uma “reparação histórica”, enquanto adversários tratam o episódio com preocupação, apontando para a instabilidade jurídica que envolve o caso.


O que vem pela frente

O processo ainda não foi encerrado. A decisão de Cristiano Zanin é provisória e o mérito será julgado posteriormente pelo Supremo Tribunal Federal.

Até lá, o caso deve seguir alimentando debates intensos — tanto nos tribunais quanto nas ruas — sobre os limites da Justiça e o peso das decisões judiciais no futuro político do país.

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terça-feira, 17 de março de 2026

Guerra energética redesenha o poder global e pressiona economia mundial

Petroleiro em chamas no Estreito de Ormuz. Foto de reprodução - O Globo

Por Marcos Vinicius | Redação Jornal O Folhão 

Conflito: A escalada do conflito envolvendo grandes potências militares e energéticas está provocando um efeito dominó no mercado global de petróleo, com impactos diretos na economia, na geopolítica e na vida cotidiana de bilhões de pessoas.

No centro dessa crise está o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Por essa passagem estreita, circula cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo. Com o fechamento imposto por Teerã, o tráfego de petroleiros despencou drasticamente, chegando a cair até 90% em poucos dias, gerando um estrangulamento imediato na oferta global de energia .

Esse cenário provocou uma reação em cadeia. Países altamente dependentes do petróleo do Golfo Pérsico — como China, Índia e Japão — passaram a buscar fornecedores alternativos. Nesse contexto, a Rússia surge como uma das principais beneficiadas. Mesmo sob sanções internacionais, Moscou aumentou suas exportações e viu crescer a demanda por seu petróleo e gás, consolidando-se como um ator ainda mais relevante no tabuleiro energético mundial .

Ao mesmo tempo, o aumento da tensão fez os preços do petróleo dispararem nos mercados internacionais, ultrapassando a marca dos 100 dólares por barril em alguns momentos. Esse aumento pressiona a inflação global, encarece combustíveis, alimentos e transporte, e ameaça desacelerar economias já fragilizadas .

Diante desse cenário crítico, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou ao centro das articulações internacionais, defendendo uma coalizão global para garantir a segurança da rota marítima e estabilizar o fornecimento de energia. Trump tem pressionado tanto a China quanto países da União Europeia e membros da OTAN a atuarem de forma conjunta, evidenciando que a crise energética deixou de ser regional e passou a ser uma questão de segurança global.

A mobilização internacional já começa a ganhar forma. A Agência Internacional de Energia aprovou a maior liberação de reservas estratégicas da história, com centenas de milhões de barris sendo injetados no mercado para conter a disparada dos preços e evitar um colapso no abastecimento .

Enquanto isso, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) decidiu aumentar a produção para tentar equilibrar o mercado, embora especialistas alertem que essas medidas podem ser insuficientes diante da magnitude da crise .

O que se desenha é um novo rearranjo de forças no cenário global. De um lado, o Irã utiliza sua posição geográfica como instrumento de pressão estratégica. De outro, a Rússia transforma o caos em oportunidade econômica e política. No meio desse jogo, Estados Unidos, Europa e China disputam influência e tentam evitar que a crise energética evolua para uma recessão global.

Mais do que uma guerra regional, o mundo assiste a uma disputa pelo controle da energia — e, consequentemente, pelo poder.

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quinta-feira, 12 de março de 2026

EUA classificam PCC e Comando Vermelho como terrorismo e ampliam presença militar na fronteira: medida acende alerta político no Brasil

Donald Trump, presidente dos EUA em mais uma investida contra o Brasil. Foto de reprodução| Estadão.


Por Marcelo Procópio| Redação – Jornal O Folhão

Relações internacionais: Uma nova estratégia do governo dos Estados Unidos para o combate ao crime organizado na América Latina está provocando forte repercussão política e diplomática no Brasil. A administração do presidente Donald Trump trabalha para incluir as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras, classificação que permitiria ao governo norte-americano adotar medidas de segurança e até ações militares contra esses grupos. 

Paralelamente, autoridades dos Estados Unidos articulam o envio de militares e agentes de segurança para atuar na região da fronteira entre o Brasil e o Paraguai, área considerada estratégica para rotas internacionais do narcotráfico. Analistas avaliam que a medida integra uma política mais ampla de segurança regional impulsionada por Washington. 

A iniciativa ocorre no contexto de uma nova política norte-americana de combate ao narcotráfico internacional, que busca equiparar grandes organizações criminosas a grupos terroristas, ampliando as ferramentas legais e militares disponíveis para combatê-las. 



Estratégia internacional e pressão geopolítica

Segundo informações divulgadas por autoridades dos Estados Unidos, a documentação técnica para enquadrar as facções brasileiras como organizações terroristas já teria sido concluída no Departamento de Estado, aguardando apenas etapas finais de aprovação política. 

A política faz parte de uma estratégia mais ampla apresentada pelo governo Trump chamada “Escudo das Américas”, que prevê cooperação militar e de inteligência entre países aliados para enfrentar organizações criminosas transnacionais. 

No entanto, a proposta também levanta preocupações diplomáticas no Brasil. Autoridades brasileiras têm demonstrado resistência à classificação das facções como terrorismo, argumentando que, segundo a legislação nacional, esses grupos são organizações criminosas voltadas ao lucro e não possuem motivação ideológica — elemento central na definição jurídica de terrorismo. 



Debate político e possível impacto nas eleições

O tema também ganhou contornos políticos dentro do Brasil. Setores do governo e analistas apontam que a discussão internacional pode repercutir no cenário político interno, especialmente diante das tensões ideológicas entre grupos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e setores da direita global.

Para o cientista político Carlos Melo, professor do Insper, medidas desse tipo costumam ter impacto direto nas relações internacionais e na política doméstica.


“Quando um país classifica organizações estrangeiras como terroristas, ele abre espaço jurídico para uma série de ações, inclusive militares ou de inteligência. Isso inevitavelmente gera pressão política sobre o país onde essas organizações atuam”, explica.


Na mesma linha, a pesquisadora de segurança pública Camila Nunes, especialista em crime organizado transnacional, afirma que a presença militar ou de agências estrangeiras na região de fronteira pode produzir efeitos geopolíticos relevantes.

A fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina sempre foi considerada sensível para o tráfico internacional. A entrada mais ativa dos Estados Unidos na região pode alterar o equilíbrio diplomático e provocar debates sobre soberania nacional”, avalia.



Soberania e segurança regional

Para especialistas em relações internacionais, a principal preocupação é o precedente que essa classificação pode criar. Caso as facções sejam formalmente consideradas organizações terroristas, os Estados Unidos poderiam justificar ações diretas contra seus integrantes, inclusive fora do território americano.

Essa possibilidade tem alimentado discussões sobre soberania e cooperação internacional no combate ao crime organizado, especialmente em um momento em que o narcotráfico se tornou um fenômeno cada vez mais globalizado.

Enquanto o debate avança nos bastidores diplomáticos, o tema já se tornou um dos mais sensíveis da agenda de segurança pública na América do Sul — e promete continuar no centro das discussões políticas no Brasil nos próximos meses.

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A CPI do Banco Master e o STF: investigação ganha novo capítulo

Ministro Cristiano Zanin, o novo relator da CPI do Banco Master. Foto de reprodução - Brasil de Fato 

Por Marcos Vinicius| Redação – Jornal O Folhão

O debate sobre a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o chamado “caso Banco Master” ganhou um novo capítulo no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Cristiano Zanin foi sorteado como relator da ação que pede à Corte que determine à Câmara dos Deputados a instalação da CPI do Banco Master, ampliando a repercussão política e jurídica do caso em Brasília. 

A relatoria foi redistribuída após o ministro Dias Toffoli declarar suspeição para conduzir o processo, alegando motivo de “foro íntimo”, sem apresentar detalhes públicos sobre a decisão. Com isso, o processo voltou ao sistema eletrônico do tribunal e acabou sendo sorteado para Zanin. 



O que está em jogo

A ação no STF foi apresentada pelo deputado Rodrigo Rollemberg, que sustenta que a Câmara dos Deputados já recebeu um requerimento formal com número suficiente de assinaturas para a criação da CPI. Segundo o parlamentar, o pedido reúne mais de um terço dos deputados, requisito constitucional necessário para a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito. 

O objetivo da CPI seria investigar suspeitas de irregularidades financeiras e possíveis fraudes envolvendo o Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro. As suspeitas incluem movimentações financeiras complexas e operações que podem ter causado prejuízos bilionários ou riscos ao sistema financeiro nacional. 



STF no centro da disputa institucional

O caso coloca o Supremo Tribunal Federal no centro de um debate sensível sobre a separação de poderes. De um lado, parlamentares argumentam que a CPI é um instrumento legítimo de fiscalização do Congresso Nacional. De outro, a discussão jurídica gira em torno da possibilidade de o STF determinar que a Câmara instale uma comissão quando os requisitos constitucionais já foram cumpridos.

Especialistas lembram que o Supremo já firmou entendimento, em decisões anteriores, de que a criação de uma CPI não depende da vontade política da presidência da Casa Legislativa quando há número suficiente de assinaturas e objeto determinado de investigação.



Próximos passos

Com a relatoria agora nas mãos de Cristiano Zanin, caberá ao ministro analisar o mandado de segurança e decidir se há fundamento para que o STF obrigue a Câmara a instalar a CPI. A decisão pode ter forte impacto político, pois o caso envolve suspeitas que dialogam com investigações em andamento e interesses relevantes no sistema financeiro.

Enquanto isso, a pressão política aumenta no Congresso e na opinião pública para que as suspeitas sejam devidamente esclarecidas. A eventual criação da CPI pode abrir uma nova frente de investigação sobre um dos episódios mais controversos do atual cenário político e financeiro brasileiro.

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segunda-feira, 9 de março de 2026

Narcotraficante espanhol aparece como investidor em operação ligada ao Banco Master, apontam documentos

Narcotraficante espanhol Oliver Ortiz de Zarate Martin é apontado como um dos financiadores de Daniel Vocaro no Banco Master. Foto de reprodução UOL

Por Cleide Gama| Redação Jornal O Folhão 

Caso Banco Master: Uma apuração jornalística revelou novos elementos sobre a origem de recursos que teriam sido utilizados na estruturação do Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. Segundo informações obtidas pelo portal ICL Notícias, parte do capital que sustentou operações envolvendo a instituição teria relação com o narcotraficante espanhol Oliver Ortiz de Zarate Martin.

A revelação foi feita por uma fonte do mercado financeiro que afirma ter acompanhado de perto as negociações. A reportagem afirma ter tido acesso a documentos de transações financeiras, registros judiciais e dados da Comissão de Valores Mobiliários que, segundo o veículo, reforçam as suspeitas levantadas.

Ortiz, que residia em um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, foi preso em 2013. Ele acabou condenado por crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Após cumprir pena no país, foi notificado pela Polícia Federal sobre a possibilidade de expulsão do território nacional.

De acordo com a fonte citada pela reportagem, o elo entre o narcotraficante e Vorcaro seria o operador financeiro Benjamim Botelho de Almeida, apontado pela Polícia Federal como um dos articuladores de operações financeiras ligadas ao grupo empresarial. Botelho teria atuado como sócio oculto e operador das movimentações do banqueiro no exterior, especialmente nos Estados Unidos.

Botelho mantém relações com a Sefer Investimentos, corretora que anteriormente operava como Foco Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. A instituição foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro, que investiga possíveis repasses de recursos para negócios ligados à família de Vorcaro.

Ainda segundo a investigação, uma empresa offshore vinculada à Sefer foi aberta nas Bahamas poucos dias após o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master. A corretora também administrava fundos ligados ao Grupo Aquilla, conglomerado no qual Botelho ocupava posição de destaque e onde Oliver Ortiz figurava como investidor.

Fontes ouvidas afirmam que foi justamente por meio de um fundo ligado ao Grupo Aquilla que o traficante teria participado, em 2017, da operação de aquisição do antigo Banco Máxima, instituição que posteriormente daria origem ao Banco Master.

Documentos obtidos pela reportagem indicam que Ortiz era cotista de fundos do grupo. Embora o valor total aplicado não tenha sido confirmado oficialmente por conta do sigilo bancário, a fonte consultada afirma que os aportes somariam centenas de milhões de reais.

Segundo essa versão, parte desses recursos teria sido empregada tanto na criação de fundos imobiliários quanto na expansão do grupo financeiro que posteriormente passou a operar com o Banco Master.

As investigações conduzidas pela Polícia Federal, atualmente sob análise no Supremo Tribunal Federal, apontam para um possível esquema de fraudes envolvendo a instituição. Entre as práticas suspeitas estaria a compra de empresas de baixo valor seguida de manipulação contábil para inflar artificialmente seus resultados financeiros.

De acordo com os investigadores, tais operações teriam sido usadas para desviar recursos de fundos de investimento e outras fontes de financiamento para empresas ligadas ao grupo, em prejuízo de investidores. As suspeitas incluem manipulação de preços, uso indevido de informações privilegiadas e a negociação de ativos de baixa qualidade no mercado.

Nos autos da Operação Compliance Zero, o nome de Benjamim Botelho aparece como participante de estruturas que utilizariam empresas intermediárias ou “de prateleira” para realizar transações financeiras. Segundo os investigadores, muitas dessas operações envolviam companhias com vínculos diretos ou indiretos com Vorcaro e outros personagens centrais do caso.

Em decisão assinada em janeiro, o ministro Dias Toffoli autorizou medidas de investigação contra Botelho e contra a Sefer Investimentos, incluindo ações sobre patrimônio e participações societárias relacionadas ao grupo.

As suspeitas envolvendo Vorcaro e Botelho não são recentes. Ambos já haviam sido citados em investigações anteriores, como a Operação Fundo Fake, que apurou irregularidades em aplicações de fundos de previdência de servidores públicos estaduais e municipais.

"Segundo a Polícia Federal, cerca de R$ 2 bilhões desses fundos teriam sido direcionados para aplicações relacionadas ao Banco Master."

Em um dos processos conduzidos pelo Ministério Público Federal, Benjamim Botelho chegou a ser denunciado por gestão fraudulenta durante o período em que o banco ainda operava como Banco Máxima. A acusação apontava o uso do fundo Aquilla Veyron para simular valorização de ativos da instituição e mascarar problemas de capitalização.

As investigações indicaram que o capital utilizado para comprar ações do próprio banco teria sido originado da própria instituição, numa triangulação que teria distorcido os demonstrativos financeiros apresentados ao mercado.

Até o momento, o Banco Master não respondeu aos questionamentos encaminhados pela reportagem. Também foram enviados pedidos de posicionamento a Benjamim Botelho e a Oliver Ortiz, mas não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

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Quem é o “Alexandre” citado nas mensagens de Daniel Vorcaro: investigação aponta para contador ligado ao grupo do “Careca do INSS”

As investigações da Polícia Federal encontra relação entre Flávio Bolsonaro e o Careca do INSS que pode complicar a vida do filho de Jair Bolsonaro com a justiça. Foto de reprodução - Revista Fórum 

Por Cleide Gama| Redação Jornal O Folhão 

Caso Master: Novos esclarecimentos surgiram sobre a identidade do “Alexandre” citado em conversas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, preso novamente no início de março durante desdobramentos de investigações da Polícia Federal.

Inicialmente, parte da repercussão pública levantou a hipótese de que o contato poderia se referir ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. A interpretação ganhou força após comentários divulgados pela jornalista Malu Gaspar, colunista de O Globo.

"Em síntese, o episódio revela como a dinâmica entre jornalismo, redes sociais e disputas políticas pode acelerar conclusões antes da consolidação das evidências."

Entretanto, apurações posteriores indicaram que o nome citado nas mensagens corresponde, na realidade, ao contador Alexandre Caetano dos Reis, profissional que teria atuado como responsável contábil de empresas vinculadas ao grupo conhecido como “Careca do INSS”.

A própria Polícia Federal, segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, afirmou não ter encontrado indícios que justifiquem qualquer investigação envolvendo o ministro do STF nas conversas interceptadas. Em nota oficial, Alexandre de Moraes também negou ter recebido telefonemas de Vorcaro em 2025, quando o banqueiro foi preso pela primeira vez.

"O acontecido revela como interpretações apressadas podem transformar a mídia em uma verdadeira “máquina de moer reputações”. Antes mesmo da confirmação dos fatos, o nome do ministro Alexandre de Moraes passou a circular em associações que não se sustentaram nas apurações oficiais."


Contador ligado ao núcleo investigado

Relatórios discutidos no âmbito da CPI que apura fraudes em benefícios previdenciários indicam que Alexandre Caetano dos Reis teria prestado serviços contábeis para empresas associadas ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido no meio das investigações como “Careca do INSS”.

Esse grupo é suspeito de participação em um esquema de desvios milionários envolvendo aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social.

Além de atuar para empresas relacionadas ao núcleo investigado, o contador também teria mantido vínculos profissionais com negócios associados ao próprio Vorcaro e com o pastor Fabiano Campos Zettel, integrante da Igreja Batista da Lagoinha e cunhado do banqueiro.

Segundo registros eleitorais, Zettel se destacou nas eleições de 2022 como um dos maiores doadores individuais para campanhas políticas, repassando recursos para o então presidente Jair Bolsonaro e para o atual governador de São Paulo Tarcísio de Freitas.

"Doações eleitorais a nomes como Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas reforçam a importância de investigações rigorosas e transparentes para esclarecer responsabilidades."


Ramificações políticas e empresariais

A investigação também levantou possíveis conexões indiretas com o senador Flávio Bolsonaro. Isso porque Letícia Caetano dos Reis, irmã do contador citado nas mensagens, atua como administradora de um escritório de advocacia que mantém sociedade com o parlamentar.

A relação familiar passou a ser mencionada em requerimentos apresentados à comissão parlamentar que investiga irregularidades no sistema previdenciário. Parlamentares pretendem esclarecer se existe alguma ligação entre o senador e o núcleo suspeito de operar o esquema de desvios.

O presidente da comissão, o senador Carlos Viana, ainda não colocou em votação o pedido de convocação do contador Alexandre Caetano dos Reis para prestar esclarecimentos.

"A menção ao senador Flávio Bolsonaro surge a partir da relação profissional envolvendo Letícia Caetano dos Reis, irmã do contador Alexandre Caetano dos Reis."


Pressões e denúncias na imprensa

O caso também ganhou novos capítulos após reportagens do jornalista Lauro Jardim, também colunista de O Globo. Em seus textos recentes, o jornalista destacou possíveis conexões entre integrantes do esquema investigado e figuras do meio político e empresarial.

Segundo relatos publicados na coluna, Jardim chegou a receber ameaças após divulgar informações sobre o caso. As intimidações teriam partido de pessoas ligadas ao círculo de Vorcaro, situação que aumentou a tensão em torno da investigação.

"As denúncias envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro ganham ainda mais gravidade diante dos relatos de ameaças ao jornalista após a publicação das reportagens."


Um caso ainda em expansão

As apurações indicam que o esquema investigado pode envolver uma complexa rede de operadores financeiros, consultores e intermediários que atuariam na gestão de empresas e movimentações financeiras ligadas ao suposto desvio de recursos previdenciários.

Com novas quebras de sigilo e análise de comunicações apreendidas, investigadores esperam mapear com maior precisão a estrutura do grupo e identificar possíveis beneficiários políticos e empresariais.

"Com quebras de sigilo e análise de comunicações apreendidas, investigadores buscam compreender melhor a engrenagem do suposto esquema. O objetivo é identificar não apenas executores, mas também eventuais beneficiários políticos e empresariais."

Enquanto isso, a CPMI do INSS segue pressionada por parlamentares e pela opinião pública para ampliar o alcance das convocações e aprofundar a investigação sobre os vínculos entre operadores financeiros, empresários e agentes públicos.

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