Por Cleide Gama | Redação Jornal O Folhão
Segurança: A sensação de insegurança virou companhia diária do brasileiro. O medo já não bate apenas à porta, ele entra pela janela, senta no banco do ônibus, acompanha o trabalhador na volta para casa e altera até a rotina mais simples. Pesquisa divulgada pelo Instituto Sou da Paz revelou um dado alarmante: apenas 32% dos brasileiros afirmam se sentir seguros na cidade onde vivem. Entre as mulheres, o índice despenca para apenas 26%.
O levantamento mostra um retrato duro do país. A violência urbana deixou de ser apenas manchete policial e passou a moldar o comportamento da população. Milhões de pessoas evitam sair à noite, mudam trajetos, escondem celulares e vivem permanentemente em estado de alerta. O medo virou rotina silenciosa.
Outro dado que chama atenção é que 83% dos entrevistados reconhecem a presença da violência contra a mulher em suas cidades. O crescimento dos casos de feminicídio reforça essa percepção. Dados recentes do Ministério da Justiça apontam que o Brasil registrou o trimestre mais letal da história para mulheres em 2026, com média de quatro feminicídios por dia.
A pesquisa também desmonta alguns discursos simplistas sobre segurança pública. A maioria da população demonstra preferência por medidas de inteligência, prevenção e tecnologia. Cerca de 82% apoiam o uso de câmeras corporais por policiais e 65% defendem uma polícia mais preparada e valorizada.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação nacional com o avanço da criminalidade organizada. Levantamentos recentes mostram que a violência ultrapassou temas como economia e corrupção e hoje aparece como a principal preocupação dos brasileiros.
Especialistas alertam que a redução de alguns índices de homicídio não significa necessariamente maior sensação de segurança. Em várias regiões, facções criminosas ampliaram o controle territorial, expandindo atuação para cidades do interior e diversificando atividades ilegais.
Enquanto isso, o cidadão comum segue preso numa espécie de “arquitetura do medo”. Casas com grades mais altas, câmeras em cada esquina, cercas elétricas, aplicativos de monitoramento e ruas vazias após anoitecer revelam uma sociedade cansada de conviver com a insegurança.
O grande desafio do Brasil talvez já não seja apenas combater o crime, mas devolver ao cidadão algo que parece cada vez mais raro: a tranquilidade de viver sem medo.
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