domingo, 15 de fevereiro de 2026

R$ 5 milhões para evento religioso reacendem debate sobre Estado laico no Rio

Claudio Castro destina por decreto 5 milhões de reais do dinheiro público para custear evento da Igreja Universal no Rio - foto de reprodução, Intercept Brasil 


Por Marcos Vinicius| Redação Jornal O Folhão 

Polêmica: O governo do Rio de Janeiro, comandado pelo governador Cláudio Castro, voltou ao centro de uma intensa polêmica após a destinação de cerca de R$ 5 milhões em recursos públicos para a realização de um evento organizado pela Igreja Universal do Reino de Deus. O patrocínio, publicado em atos oficiais do governo estadual, prevê apoio a um evento religioso de grande porte no Estádio do Maracanã.

A decisão gerou forte repercussão política e social, sobretudo por levantar questionamentos sobre o princípio do Estado laico, garantido pela Constituição Federal, que determina a separação entre o poder público e as religiões. Embora o governo alegue que o apoio se enquadra como incentivo a eventos de grande impacto social e turístico, críticos apontam que a medida rompe a neutralidade do Estado em relação às crenças religiosas.


Estado laico sob suspeita

Juristas e entidades da sociedade civil lembram que o Estado pode dialogar com organizações religiosas em ações sociais, mas financiar diretamente um evento de cunho confessional abre um precedente delicado. A pergunta que ecoa entre especialistas e nas ruas é direta e incômoda:

Cláudio Castro destinaria os mesmos R$ 5 milhões para um evento organizado por comunidades de terreiros, religiões de matriz africana ou povos tradicionais?

Até o momento, não há registros de aportes semelhantes do governo estadual para eventos religiosos ligados ao candomblé, à umbanda ou a outras manifestações historicamente marginalizadas, o que reforça as acusações de tratamento desigual por parte do poder público.


Voz das ruas

O Folhão ouviu moradores de diferentes regiões do estado. As opiniões revelam indignação e desconfiança.

“Eu sou evangélica, mas acho errado usar dinheiro público para evento de igreja. Esse dinheiro podia ir para hospital ou escola”, afirma Maria da Conceição, auxiliar de serviços gerais, moradora de São Gonçalo.

“Se fosse um evento de umbanda ou candomblé, duvido que liberassem esse valor todo. Aí iam dizer que não pode misturar religião com governo”, critica Rogério Almeida, comerciante do subúrbio do Rio.

“O Estado tem que ser laico de verdade, não só no papel. Quando escolhe uma religião para apoiar, ele exclui todas as outras”, diz Jéssica Nascimento, estudante universitária.

 

Prioridades em xeque

A polêmica se intensifica em um cenário de crise na saúde, dificuldades na educação e reclamações sobre a falta de investimentos em cultura popular e periférica. Para movimentos sociais, a destinação milionária expõe uma inversão de prioridades e reforça a percepção de que o governo fluminense governa para grupos específicos.

Enquanto isso, o Palácio Guanabara evita comentar a comparação com outras religiões e não respondeu se adotaria o mesmo critério para eventos de matriz africana ou de outras tradições religiosas.

O episódio reacende um debate antigo, mas ainda não resolvido: o Estado do Rio de Janeiro é, de fato, laico — ou laico apenas para alguns?

...............
Anúncio, Divulgação 



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Morre Renato Rabelo, histórico dirigente do PCdoB, aos 83 anos

  Renato Rabelo morre aos 83 anos - foto de reprodução PCdoB Por Marcos Vinicius| Redação Jornal O Folhão  Luto:  O Partido Comunista do Bra...