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| Plenário do Supremo Tribunal Federal durante o julgamento que condenou diversos oficiais por crime de "Tentativa de Golpe de Estado". |
Por Marcelo Procópio | Redação Jornal O Folhão
Justiça Militar: O Ministério Público Militar (MPM) deverá protocolar nesta terça-feira (3), no Superior Tribunal Militar (STM), ações solicitando a perda de posto e patente do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de quatro oficiais condenados por participação na “trama golpista” julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A medida, formalizada como representação por “indignidade ou incompatibilidade para o oficialato”, está prevista no art. 142, § 3º, incisos VI e VII da Constituição Federal de 1988, e também encontra amparo nos artigos 118 e 120 da Lei nº 6.880/1980 (Estatuto dos Militares).
Ao contrário do processo penal que resultou nas condenações, o STM não reavalia as penas aplicadas pelo STF: seu papel é examinar se a conduta dos oficiais é incompatível com os deveres morais e disciplinares exigidos para oficiais das Forças Armadas.
Quem está na mira do pedido
Entre os alvos da ação do MPM estão:
- Jair Bolsonaro – capitão reformado do Exército e ex-presidente, condenado a 27 anos e 3 meses pelo STF por tentativa de golpe de Estado;
- Walter Braga Netto – general da reserva e ex-ministro da Defesa e da Casa Civil;
- Augusto Heleno – general da reserva e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
- Paulo Sérgio Nogueira – general da reserva e ex-ministro da Defesa;
- Almir Garnier – almirante e ex-comandante da Marinha.
Todos têm sentenças transitadas em julgado — ou seja, sem possibilidade de novos recursos — por delitos relacionados à tentativa de abolir violentamente o Estado Democrático de Direito, crimes pelos quais foram condenados pelo STF.
Impasse Jurídico e Consequências
Se o STM acolher as representações do MPM, os oficiais podem ser declarados “indignos” ou “incompatíveis” com o oficialato, o que implica:
- Perda do posto e da patente, uma espécie de expulsão das Forças Armadas;
- Possível impacto sobre regime e local de cumprimento de penas, pois oficiais sem patente não têm mais direito a prisões militares;
- Eventual efeitos administrativos e previdenciários, como a chamada “morte ficta”, que pode alterar benefícios e direitos associados ao posto — embora, em casos análogos, dependentes mantenham pensão mesmo após perda de patente.
Especialistas apontam que esse procedimento é histórico e sem precedentes recentes, pois o STM nunca expulsou generais condenados por crimes contra a democracia, e parte dos ministros foi indicada pelos próprios militares agora julgados, o que adiciona complexidade política e institucional ao caso.
O processo deve tramitar por vários meses no tribunal militar, que decidirá no plenário se os réus poderão manter ou não a farda.
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