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| Acordo abre uma avenida de oportunidades para os dois blocos econômicos - reprodução |
Por Marcelo Procópio
Mercosul: A aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi celebrada nesta sexta-feira (9) por integrantes do governo brasileiro e por líderes europeus, que classificaram o entendimento como um divisor de águas para a economia e para a geopolítica internacional. O tratado, negociado ao longo de mais de duas décadas, sinaliza uma retomada do multilateralismo em um cenário global marcado por tensões comerciais e disputas estratégicas.
Nas redes sociais, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o acordo vai além dos impactos econômicos imediatos. Para ele, trata-se de um movimento com forte peso geopolítico, capaz de abrir “uma nova avenida de cooperação” entre dois grandes blocos econômicos. Haddad destacou que a parceria aponta para um futuro de maior pluralidade, oportunidades e integração internacional.
Já a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, ressaltou os efeitos práticos do acordo para o cotidiano da economia brasileira. Segundo ela, a ampliação do acesso de produtos nacionais ao mercado europeu tende a atrair investimentos, estimular a concorrência e contribuir para a redução da inflação. Em nota oficial, Tebet classificou o pacto como “um marco histórico para o multilateralismo”, capaz de combinar crescimento econômico, geração de empregos e renda com sustentabilidade, inovação e tecnologia.
O que prevê o acordo
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou que o acordo de livre comércio foi aprovado por ampla maioria dos países da União Europeia. O Mercosul é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, que juntos somam mais de 270 milhões de habitantes e um PIB combinado superior a US$ 2,5 trilhões.
O texto prevê a redução imediata de tarifas para máquinas, equipamentos de transporte e itens industriais estratégicos, como motores, geradores de energia elétrica, autopeças e aeronaves. Também estão incluídos setores como produtos químicos, couro, pedras de cantaria, facas e lâminas. No caso das commodities agrícolas, a eliminação de tarifas será gradual e condicionada a cotas, respeitando regras sanitárias e ambientais exigidas pela União Europeia.
Impacto nas relações entre América Latina e Europa
Atualmente, a União Europeia é um dos principais parceiros comerciais da América Latina, disputando com a China a liderança em investimentos diretos na região. Estimativas apontam que o comércio entre a UE e o Mercosul gira em torno de 90 a 100 bilhões de euros por ano. A Europa é destino relevante para exportações latino-americanas de produtos agrícolas, minérios e energia, enquanto fornece bens industrializados, tecnologia e serviços de alto valor agregado.
Com o novo acordo, analistas avaliam que países do Mercosul podem ganhar competitividade, diversificar exportações e reduzir a dependência de mercados asiáticos e norte-americanos. Para a Europa, o tratado garante acesso privilegiado a matérias-primas estratégicas e reforça sua presença econômica em uma região rica em recursos naturais e com grande potencial de consumo.
Repercussão política
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a decisão e classificou o avanço como “uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação entre países e blocos”. Segundo Lula, o acordo é uma sinalização clara em defesa do comércio internacional e da integração econômica. O presidente brasileiro teve papel ativo na retomada das negociações e tratou o tema como prioridade durante a presidência brasileira do Mercosul.
De acordo com a agência Reuters, ao menos 15 dos 27 países da União Europeia — representando cerca de 65% da população do bloco — manifestaram voto favorável, conforme exigido pelas regras internas. Caso o resultado seja formalmente confirmado, Ursula von der Leyen poderá viajar ao Paraguai nos próximos dias para a ratificação junto aos países do Mercosul.
Apesar do avanço, o acordo ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor. Mesmo assim, governos e setores empresariais dos dois lados do Atlântico já veem o tratado como um passo decisivo para redefinir as relações econômicas entre a América Latina e a Europa nas próximas décadas.
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