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| Os acusados criaram um “banco paralelo” abastecido com recursos do tráfico de drogas - foto de reprodução: Araguaia In Foco. |
Por Marcelo Procópio
Economia do Crime: Uma ampla ofensiva da Polícia Civil colocou em xeque, na manhã desta quarta-feira (14), a estrutura financeira de uma facção criminosa que operava em Mato Grosso como se fosse uma instituição bancária ilegal. Ao todo, 471 ordens judiciais estão sendo cumpridas contra integrantes do grupo, acusado de criar um “banco paralelo” abastecido com recursos do tráfico de drogas e utilizado para práticas como agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro.
A ação, concentrada em Primavera do Leste (MT), envolve 225 mandados de prisão preventiva, 225 de busca e apreensão domiciliar e 21 medidas judiciais de bloqueio e indisponibilidade de valores. A operação também se estende a outros cinco estados — Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Acre e São Paulo — evidenciando o alcance interestadual da organização criminosa.
De acordo com as investigações, o grupo mantinha uma estrutura financeira própria, com controle de arrecadação, repasses internos e cobrança sistemática de dívidas ilegais. Esse esquema funcionava como um verdadeiro sistema bancário clandestino, responsável por financiar o tráfico de entorpecentes e, ao mesmo tempo, mascarar a origem ilícita do dinheiro por meio de empréstimos informais, especialmente a comerciantes locais.
Segundo a Polícia Civil, além do tráfico de drogas, há fortes indícios da prática de crimes como lavagem de capitais, extorsão, associação criminosa e imposição de regras internas típicas de facções organizadas. O uso do dinheiro do tráfico para concessão de empréstimos a juros elevados era uma das principais estratégias para reinserir os recursos no mercado formal, dificultando o rastreamento pelas autoridades.
Especialistas em segurança pública apontam que esse tipo de “banco paralelo” tem se tornado cada vez mais comum entre facções criminosas no Brasil, sobretudo em regiões estratégicas para o escoamento do tráfico. O modelo permite que o crime organizado amplie sua influência econômica e social, criando dependência financeira e medo em comunidades e setores do comércio.
A megaoperação reforça uma tendência das forças de segurança de atacar não apenas a base operacional do tráfico, mas principalmente o coração financeiro das organizações criminosas. Para os investigadores, o enfraquecimento desses esquemas de lavagem e crédito ilegal é fundamental para reduzir o poder das facções e impedir sua expansão territorial.
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