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| 3° sargento da Polícia Militar Bruno Dantas de Souza foi maus uma vítima da ausência de segurança pública na cidade de Duque de Caxias - Foto de reprodução O Dia. |
Por Marcelo Procópio
Violência: O 3º sargento da Polícia Militar Bruno Dantas de Souza foi morto a tiros na tarde desta sexta-feira (16) no bairro Parada Morabi, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. De acordo com a corporação, o agente reagiu a uma tentativa de assalto quando foi atingido por disparos. Ele chegou a ser socorrido por moradores e levado ao Hospital Adão Pereira Nunes, mas não resistiu aos ferimentos.
Bruno estava lotado no programa Segurança Presente e era conhecido como um ativista comunitário, atuando frequentemente em ações de zeladoria urbana e mobilização por melhorias no bairro. Horas antes de ser baleado, ele havia publicado um vídeo cobrando a limpeza de uma via onde havia denunciado acúmulo de lixo — em mais um sinal de que sua atuação ia além das funções policiais.
Nas redes sociais, o luto tomou conta de amigos e familiares. “Gente boa demais, sempre buscando ajudar o próximo, lutando e fazendo por melhorias no bairro. Uma grande perda!”, escreveu um colega. “Vamos fazer justiça. Estou muito triste. Descanse em paz!”, lamentou um amigo.
Até o momento, não há informações oficiais sobre o local e o horário do enterro.
Segurança em Duque de Caxias: Realidade Crua
Os recentes fatos voltam a expor a dura realidade da segurança pública no município. Apesar de dados oficiais apontarem reduções significativas em índices de criminalidade em 2025, como queda de até 47,8% na letalidade violenta e 21,8% nos roubos de rua em comparação com 2024 — resultados atribuídos a ações integradas entre Prefeitura, Polícia Militar e programas estaduais como PROEIS e Segurança Presente — a sensação de insegurança ainda persiste entre moradores.
Paradoxalmente, outras análises apontam um aumento nos homicídios dolosos em partes do ano e um clima de medo que permanece nas ruas. Relatos de moradores destacam que crimes violentos — como assaltos, roubos e tiroteios — continuam a impactar a rotina da população e a confiança nas autoridades de segurança.
Além disso, Duque de Caxias lidera estatísticas preocupantes em alguns segmentos: entre janeiro e agosto de 2025, o município concentrou dezenas de ocorrências de roubo de cargas, com aumento de cerca de 55% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da Firjan.
Opinião dos Moradores
Nas ruas, a sensação de insegurança é franca. Moradores relatam que assaltos, roubos, furtos e extorsões são frequentes, e que a presença policial muitas vezes é percebida apenas em ações pontuais. Um comerciante do Centro disse: “A gente trava a porta cedo porque não dá para ficar aqui esperando alguém invadir. O medo é real”. Outra moradora do bairro Sarapuí afirmou que “não dá mais para sair sem olhar para os lados. É tiro, é assalto… parece que nunca vai melhorar”. Essas vozes ecoam um sentimento de frustração com políticas que, na visão de muitos, não transformaram a sensação de segurança cotidiana.
Atuação da Prefeitura: Entre elogios e críticas
Nos últimos anos, a gestão do prefeito Netinho Reis tem divulgado iniciativas de combate à criminalidade, como a retirada de barricadas em vias públicas, instalação de módulos de segurança e reforço na Guarda Municipal. No entanto, há críticas duras por parte de segmentos da sociedade civil e de moradores que atribuem ao gestor uma atuação “midiática e pouco efetiva”, sugerindo que muitas ações são mais publicitárias do que verdadeiras soluções estruturais.
Especialistas em segurança pública lembram que a segurança é, prioritariamente, responsabilidade do Governo do Estado do Rio de Janeiro, e que políticas municipais, por mais bem intencionadas, têm alcance limitado sem uma coordenação robusta com o aparato estadual e federativo.
Alguns críticos vão além, pedindo que a prefeitura vá além de medidas como a retirada de barricadas, que em alguns casos podem estar ligadas à dinâmica local das comunidades, e que trabalhe de forma mais estratégica com o estado para enfrentar o crime organizado e dar respostas concretas à população.
Desafio à Frente
A morte do sargento Bruno Souza não deve ser vista como um episódio isolado, mas como um alerta para a necessidade de repensar políticas de segurança pública na Baixada Fluminense. Enquanto números oficiais mostram avanços em determinados índices, a experiência diária de quem vive em Duque de Caxias aponta para um problema ainda grave e urgente.
A sociedade clama por ações mais profundas, articuladas e eficazes, que vão além do discurso político e que realmente devolvam tranquilidade às ruas e às famílias que, diariamente, convivem com o medo da violência.
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