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| Registro oficial do encontro entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva - foto de reprodução BBC |
Por Marcelo Procópio
Tarifaço: O ano de 2025 foi marcado por uma escalada de tensões políticas e diplomáticas envolvendo Brasil e Estados Unidos, com protagonismo de atores políticos brasileiros no exterior, medidas comerciais agressivas do ex-presidente norte-americano Donald Trump e uma reação articulada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conter danos econômicos e institucionais. Os principais episódios se concentraram entre o primeiro e o segundo semestre do ano, acompanhando o calendário político internacional e eleitoral nos EUA.
A atuação de Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro nos EUA
Entre janeiro e maio de 2025, Paulo Figueiredo, influenciador político radicado nos Estados Unidos e neto do ex-presidente João Figueiredo, intensificou sua atuação junto a círculos conservadores norte-americanos. Utilizando redes sociais, podcasts e eventos políticos, passou a defender sanções contra autoridades brasileiras, questionar decisões do Judiciário e sustentar a narrativa de que o Brasil viveria uma “crise democrática”. Ao longo do primeiro semestre, suas declarações ganharam repercussão em ambientes ligados ao trumpismo e à ala mais radical do Partido Republicano.
No mesmo período, especialmente entre março e julho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) manteve presença constante nos Estados Unidos. Durante viagens sucessivas, reuniu-se com parlamentares republicanos, assessores ligados a Donald Trump e organizações conservadoras. Eduardo defendeu publicamente restrições diplomáticas e econômicas ao Brasil, criticou o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal e apoiou iniciativas de pressão internacional contra o país. As ações provocaram reação imediata no Congresso Nacional e levaram o Itamaraty a emitir notas de preocupação ainda no primeiro semestre.
Trump volta ao jogo e impõe tarifas ao Brasil
No segundo semestre de 2025, em meio ao avanço da campanha presidencial norte-americana e à retomada de protagonismo político de Donald Trump, o ex-presidente anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros estratégicos. Entre agosto e setembro, foram atingidos principalmente setores como aço, alumínio e alguns derivados do agronegócio.
Trump justificou as medidas alegando “concorrência desleal”, “excessos regulatórios ambientais” e instabilidade política no Brasil — argumentos alinhados ao discurso de setores conservadores norte-americanos e reforçados por aliados brasileiros no exterior. As tarifas provocaram impacto imediato nas exportações, afetando contratos comerciais ainda no terceiro trimestre do ano e acendendo alertas em estados brasileiros dependentes do comércio com os EUA.
A resposta do governo Lula
A reação do governo brasileiro começou ainda em setembro de 2025 e se intensificou até o fim do ano. O presidente Lula adotou um discurso firme, porém diplomático, defendendo a soberania nacional e rejeitando qualquer tentativa de ingerência externa. Em pronunciamentos feitos entre setembro e outubro, Lula afirmou que o Brasil “não aceita chantagem política disfarçada de política comercial”.
O Itamaraty passou a atuar de forma mais incisiva a partir de outubro, ampliando negociações com o Departamento de Estado dos EUA, com governadores norte-americanos e com setores empresariais prejudicados pelas tarifas. Paralelamente, entre outubro e novembro, o governo brasileiro acionou formalmente mecanismos da Organização Mundial do Comércio (OMC), questionando a legalidade das medidas anunciadas por Trump.
No último trimestre de 2025, Lula também acelerou a estratégia de diversificação comercial, fortalecendo acordos com a União Europeia, países asiáticos e nações do Sul Global, buscando reduzir a dependência do mercado norte-americano e amortecer os impactos econômicos das sanções.
Repercussão política e institucional no Brasil
Entre outubro e dezembro de 2025, as ações de Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro passaram a ser debatidas de forma mais intensa no Congresso Nacional. Parlamentares governistas defenderam investigações sobre possível atuação contra os interesses nacionais, enquanto juristas e especialistas em relações internacionais alertaram para o desgaste institucional provocado por articulações políticas feitas fora do país.
Ao final de 2025, o episódio consolidou um dos capítulos mais tensos da relação Brasil–Estados Unidos nos últimos anos. A retrospectiva do ano evidencia que, ao longo dos doze meses, disputas ideológicas, interesses eleitorais e política comercial se entrelaçaram de forma inédita, transformando a política externa em um campo direto de disputa interna — com reflexos concretos na economia, na diplomacia e na vida cotidiana dos brasileiros.
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