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| As queimadas na Amazônia e no Pantanal Matogrossense são crimes ambientais que normalmente está relacionado a grilagem de terra, ocupação de área de preservação, dentre outras. |
Por Marcos Vinicius
Ambiente: Em 2025, o Brasil viveu um embate intenso entre a preservação de seus biomas e uma série de crimes ambientais que expuseram fragilidades institucionais, avanços pontuais e desafios urgentes para o futuro. Apesar de alguns dados apontarem quedas em práticas destrutivas, especialistas e autoridades ambientais alertam para números que ainda assustam e para a necessidade de políticas mais eficazes e fiscalização robusta.
Números que Alarmam: Crimes Ambientais em Alta
Um relatório divulgado pela Rede de Observatórios de Segurança aponta que, entre 2023 e 2024, as autoridades estaduais registraram mais de 41 mil crimes ambientais em nove estados brasileiros, incluindo Amazonas, Bahia, Ceará, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo — uma média superior a 56 infrações por dia durante o período.
Pesquisadores, no entanto, enfatizam que esses dados provavelmente subestimam a realidade, pois não contemplam conflitos socioambientais e violências contra povos tradicionais, como indígenas, quilombolas e ribeirinhos.
Desmatamento: Redução Oficial, Mas Cenário Complexo
No cenário de desmatamento, o Brasil registrou queda de 11,08% no desmatamento da Amazônia e 11,49% no Cerrado entre agosto de 2024 e julho de 2025, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Apesar disso, análises ambientais mostram que quase 90% desse desmatamento ainda ocorre sem autorização legal, o que denota que grande parte da destruição segue fora dos marcos regulatórios e sob atuação de crime ambiental.
🚨 Casos de Destaque em 2025
Denúncia contra grandes empresas no RJ
Em outubro, o Ministério Público Federal formalizou denúncia contra a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Harsco Metals Ltda. por crimes ambientais em Volta Redonda (RJ), envolvendo o depósito ilegal de mais de 5 milhões de toneladas de resíduos industriais sem licenciamento adequado — impactando solo, lençóis freáticos e milhares de moradores.
Ações de fiscalização e multas ambientais
No litoral paranaense, o Instituto Água e Terra (IAT) aplicou mais de R$ 1,8 milhão em multas ambientais entre dezembro de 2024 e março de 2025 por crimes que incluem desmatamento ilegal e outras infrações à legislação ambiental durante a temporada de verão.
Fiscalização em Xeque
Um relatório recente aponta que o Brasil sofreu, ao longo dos últimos anos, a perda de mais da metade de seus inspetores ambientais federais, enfraquecendo a capacidade de fiscalização em território nacional. Embora o efetivo tenha crescido um pouco até 2025, com cerca de 771 agentes ambientais, essa força ainda está aquém do necessário para cobrir todas as regiões críticas do país.
Judicialização dos Crimes Ambientais
O Judiciário também registrou movimentação expressiva no combate aos crimes ambientais: nos últimos quatro anos, o número de julgamentos de ações ambientais aumentou em 51%, demonstrando a crescente pressão por responsabilização judicial e aplicação da legislação ambiental no Brasil.
Reflexos e o Caminho à Frente
Embora alguns indicadores, como a redução no desmatamento, mostrem sinais positivos, a realidade dos crimes ambientais no Brasil em 2025 evidencia uma luta contínua entre forças econômicas, ausência de fiscalização adequada e a urgência por políticas capazes de proteger a biodiversidade e os direitos das populações tradicionais.
Especialistas alertam que apenas com um sistema de monitoramento unificado, maior investimento em fiscalização e uma resposta judicial eficaz será possível enfrentar, de fato, o volume e a complexidade dos delitos ambientais que afetam o país.
📍Nota: Esta retrospectiva foi apurada com base em dados oficiais, relatórios de segurança pública e levantamentos independentes.
Leia mais no Folhão — onde o futuro do meio ambiente encontra os fatos do presente.
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