segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Desgoverno em xeque: as responsabilidades de Cláudio Castro no escândalo do Banco Master

Falhas graves na gestão dos recursos do governo do Estado do Rio de Janeiro pode incorrer em crime de responsabilidade ao governador Cláudio Castro - foto de reprodução Agência Brasil 

Por Marcelo Procópio 

Política: Os investimentos do Rioprevidência em ativos ligados ao Banco Master escancararam um problema maior do que uma decisão financeira mal calculada: revelaram falhas graves de gestão, fiscalização e responsabilidade política no governo Cláudio Castro. Em jogo estão recursos que garantem aposentadorias e pensões de milhares de servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro.

Relatórios e alertas de órgãos de controle indicam que as aplicações envolviam alto risco, sem a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), característica incompatível com a natureza previdenciária dos recursos. Ainda assim, os aportes seguiram adiante. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) chegou a emitir alertas formais, questionando a segurança e a razoabilidade dessas operações. Ignorar tais advertências, afirmam especialistas, pode configurar gestão temerária.

Como chefe do Executivo, Cláudio Castro é o responsável político máximo pela condução do Rioprevidência. Cabe ao governador nomear dirigentes, estabelecer diretrizes e assegurar que decisões estratégicas sigam critérios técnicos e legais. Para o cientista político Carlos Melo, “quando um governo desconsidera alertas técnicos e expõe recursos previdenciários a riscos elevados, a responsabilidade política é direta. Não se trata de erro pontual, mas de método”.

Na Assembleia Legislativa, o caso acirrou o debate. Deputados de oposição defendem investigações profundas. Para o deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), “é inadmissível que o dinheiro de aposentados seja tratado como capital especulativo. Houve omissão do governo e falha grave de fiscalização”. Parlamentares também questionam o papel da base aliada, que, segundo eles, não exerceu com rigor sua função fiscalizatória.

Especialistas em finanças públicas são unânimes ao apontar que fundos previdenciários devem priorizar segurança e liquidez, não rentabilidade agressiva. A economista e professora de políticas públicas Laura Carvalho avalia que “o caso evidencia um descompasso entre a boa prática de gestão previdenciária e as decisões adotadas. Quando isso ocorre, a conta costuma recair sobre o contribuinte e o servidor”.

O governo afirma que os pagamentos estão garantidos e que medidas estão sendo adotadas para mitigar riscos. No entanto, a crise de confiança já está instalada. Para analistas, mesmo que não haja perda total dos recursos, o episódio deixa marcas profundas na credibilidade da gestão estadual.

O caso Banco Master não é apenas um problema contábil. Ele simboliza um desgoverno que falha em proteger o futuro de quem dedicou a vida ao serviço público. A sociedade fluminense cobra respostas, transparência e, sobretudo, responsabilização política. O silêncio ou a minimização dos fatos apenas reforçam a percepção de que, no Rio de Janeiro, a previdência segue sendo tratada como aposta — quando deveria ser compromisso.

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