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| Falhas graves na gestão dos recursos do governo do Estado do Rio de Janeiro pode incorrer em crime de responsabilidade ao governador Cláudio Castro - foto de reprodução Agência Brasil |
Por Marcelo Procópio
Política: Os investimentos do Rioprevidência em ativos ligados ao Banco Master escancararam um problema maior do que uma decisão financeira mal calculada: revelaram falhas graves de gestão, fiscalização e responsabilidade política no governo Cláudio Castro. Em jogo estão recursos que garantem aposentadorias e pensões de milhares de servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro.
Relatórios e alertas de órgãos de controle indicam que as aplicações envolviam alto risco, sem a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), característica incompatível com a natureza previdenciária dos recursos. Ainda assim, os aportes seguiram adiante. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) chegou a emitir alertas formais, questionando a segurança e a razoabilidade dessas operações. Ignorar tais advertências, afirmam especialistas, pode configurar gestão temerária.
Como chefe do Executivo, Cláudio Castro é o responsável político máximo pela condução do Rioprevidência. Cabe ao governador nomear dirigentes, estabelecer diretrizes e assegurar que decisões estratégicas sigam critérios técnicos e legais. Para o cientista político Carlos Melo, “quando um governo desconsidera alertas técnicos e expõe recursos previdenciários a riscos elevados, a responsabilidade política é direta. Não se trata de erro pontual, mas de método”.
Na Assembleia Legislativa, o caso acirrou o debate. Deputados de oposição defendem investigações profundas. Para o deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), “é inadmissível que o dinheiro de aposentados seja tratado como capital especulativo. Houve omissão do governo e falha grave de fiscalização”. Parlamentares também questionam o papel da base aliada, que, segundo eles, não exerceu com rigor sua função fiscalizatória.
Especialistas em finanças públicas são unânimes ao apontar que fundos previdenciários devem priorizar segurança e liquidez, não rentabilidade agressiva. A economista e professora de políticas públicas Laura Carvalho avalia que “o caso evidencia um descompasso entre a boa prática de gestão previdenciária e as decisões adotadas. Quando isso ocorre, a conta costuma recair sobre o contribuinte e o servidor”.
O governo afirma que os pagamentos estão garantidos e que medidas estão sendo adotadas para mitigar riscos. No entanto, a crise de confiança já está instalada. Para analistas, mesmo que não haja perda total dos recursos, o episódio deixa marcas profundas na credibilidade da gestão estadual.
O caso Banco Master não é apenas um problema contábil. Ele simboliza um desgoverno que falha em proteger o futuro de quem dedicou a vida ao serviço público. A sociedade fluminense cobra respostas, transparência e, sobretudo, responsabilização política. O silêncio ou a minimização dos fatos apenas reforçam a percepção de que, no Rio de Janeiro, a previdência segue sendo tratada como aposta — quando deveria ser compromisso.
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