![]() |
| Promotores do GAECO pedem exoneração coletiva após parecer do MP em caso de corrupção em Turilândia (Maranhão) |
Por Marcos Vinicius
Corrupção: Uma grave crise institucional abalou o Ministério Público do Maranhão neste fim de semana. Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) pediram exoneração coletiva de suas funções após a cúpula do MP emitir parecer favorável à soltura de todos os investigados presos na Operação Tântalo II, que apura um amplo esquema de corrupção na Prefeitura de Turilândia, município localizado a cerca de 150 quilômetros de São Luís.
A decisão da Procuradoria-Geral de Justiça, divulgada no sábado, gerou forte reação interna. Para os integrantes do GAECO, o posicionamento fragiliza o enfrentamento ao crime organizado e contradiz frontalmente o trabalho investigativo desenvolvido ao longo de meses. No documento de exoneração, os promotores afirmam que o parecer compromete a credibilidade institucional do órgão e rompe a convergência mínima necessária para a continuidade de suas atividades.
A Operação Tântalo II ganhou repercussão nacional após sua segunda fase, deflagrada em dezembro, resultar na prisão de todos os 11 vereadores de Turilândia, além de empresários, um secretário municipal e do prefeito Paulo Curió, filiado ao União Brasil. De acordo com as investigações, o chefe do Executivo municipal teria liderado um esquema criminoso responsável por desviar aproximadamente R$ 56 milhões das áreas de Saúde e Assistência Social, por meio de empresas de fachada e contratos fraudulentos.
Além da dimensão financeira, o caso também carrega forte peso político. O prefeito Paulo Curió mantém proximidade com grupos ligados à extrema direita e integra o campo político alinhado ao bolsonarismo. Durante o governo Jair Bolsonaro, esse mesmo espectro político defendeu reiteradamente o enfraquecimento de órgãos de controle, atacou o Ministério Público e buscou desacreditar operações anticorrupção — um discurso que, segundo críticos, encontra eco em situações como a atual.
No memorando enviado ao procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, os promotores ressaltam que respeitam a hierarquia institucional, mas afirmam que a divergência é profunda a ponto de inviabilizar a permanência no grupo, nos moldes atuais. O parecer que recomendou a soltura foi assinado pelo procurador-geral de Justiça em exercício, Orfileno Bezerra Neto, e encaminhado à 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, que agora decidirá sobre a liberdade dos investigados.
O pedido de exoneração coletiva foi assinado por dez promotores, incluindo o então coordenador do GAECO, Luiz Muniz Rocha Filho. Eles destacam que a decisão da cúpula do MP vai na contramão dos avanços obtidos nos últimos anos no combate às organizações criminosas infiltradas no poder público.
Em resposta, o procurador-geral Danilo Ferreira divulgou nota afirmando que todas as medidas adotadas respeitam rigorosamente a Constituição e a legislação penal, defendendo que a prisão deve ser utilizada apenas quando estritamente necessária. Segundo ele, mudanças em cargos de coordenação fazem parte da dinâmica institucional e não comprometem a continuidade das ações estratégicas.
A nova liderança do GAECO e da Coordenadoria de Assuntos Estratégicos e Inteligência (CAEI) ficará a cargo do procurador de Justiça Haroldo Paiva de Brito. O Ministério Público afirma que novos integrantes serão nomeados para dar prosseguimento às investigações iniciadas pela equipe anterior.
Durante a operação, um dado chamou ainda mais atenção: em audiências, os 11 vereadores presos optaram por permanecer em silêncio absoluto. Nas buscas autorizadas pelo Tribunal de Justiça, os promotores apreenderam grandes quantias em dinheiro vivo, com uma contagem inicial que apontou cerca de R$ 5 milhões encontrados em endereços ligados aos investigados.
O nome da operação faz alusão a Tântalo, figura da mitologia grega condenada a ver água e frutos ao alcance das mãos, sem jamais poder usufruí-los. Para o Ministério Público, a metáfora representa a realidade da população de Turilândia, que vê recursos públicos destinados a serviços essenciais desaparecerem sem gerar benefícios concretos.
Apesar da defesa institucional apresentada pelo MP, a saída coletiva dos promotores do GAECO levanta questionamentos sérios sobre a independência das investigações, a pressão política nos bastidores e o impacto da influência de grupos da extrema direita sobre o funcionamento dos órgãos de controle. Em meio a esse cenário, permanece a dúvida que ecoa fora do Maranhão: quem perde quando quem combate a corrupção decide sair?
...................
Anúncio, Divulgação


Nenhum comentário:
Postar um comentário