domingo, 15 de fevereiro de 2026

Acadêmicos de Niterói abre Carnaval do Rio com homenagem histórica ao presidente Lula

Políticos apoiadores consideram o desfile um reconhecimento da trajetória de Lula - Foto de Reprodução UOL.

Por Cleide Gama | Redação Jornal O Folhão 

RIO DE JANEIRO – Em um dos desfiles mais aguardados e controversos do Carnaval 2026, a escola de samba Acadêmicos de Niterói entrará na Avenida Marquês de Sapucaí neste domingo (15), às 22h, com um enredo inédito: “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A agremiação será a primeira a desfilar pelo Grupo Especial, abrindo oficialmente o Carnaval carioca. 



Enredo e narrativa cultural

O samba-enredo narra a trajetória pessoal e política de Lula desde sua infância no interior de Pernambuco até a Presidência da República, destacando momentos marcantes de sua vida e liderança sindical. A letra é contada pela perspectiva de Dona Lindu, mãe de Lula, e foi composta por um grupo de autores ligados ao carnaval carioca. 

A escola também faz referências simbólicas à esperança e à transformação social, elementos que inspiraram o título do enredo. Essa é a primeira vez que uma escola de samba carioca dedica seu tema explicitamente a um presidente em exercício, o que reforça o caráter histórico da homenagem. 



Presença de Lula e primeiros detalhes do desfile

O presidente Lula confirmou sua presença no desfile e acompanhará a apresentação no camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro, conforme apurou a equipe de reportagem. A primeira-dama, Rosângela “Janja” Lula da Silva, participará do desfile em um dos carros alegóricos, tornando-se a primeira mulher na história recente a desfilar como destaque em uma homenagem oficial no Carnaval carioca. 

Além disso, a neta de Lula, Bia Lula, já havia visitado o barracão da Acadêmicos de Niterói nos últimos preparativos, confirmando sua presença no evento. 



Polêmica e implicações políticas

A escolha do enredo gerou intensa polêmica nacional. Partidos de oposição, como o Novo e o Missão, entraram com representações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alegando que o samba poderia configurar propaganda eleitoral antecipada, por exaltar a figura de Lula em ano pré-eleitoral. 

No entanto, o TSE negou liminares que pediam a suspensão do desfile, em decisão unânime do Plenário, mantendo a escola na avenida e reforçando a liberdade artística dos blocos carnavalescos. 

Também houve questionamentos no Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o uso de recursos públicos no financiamento das escolas — um pacote total de R$ 12 milhões repassado pela Embratur para as 12 agremiações do Grupo Especial, com R$ 1 milhão destinado à Acadêmicos de Niterói — e técnicos chegaram a recomendar a suspensão do repasse por risco de desvio de finalidade. 

Ainda assim, a decisão final do TCU manteve o repasse, com um ministro contrariando a área técnica e alegando que o valor foi destinado igualmente a todas as escolas e não configura favorecimento. 



Repercussão e expectativas

Culturalmente, a homenagem é vista por muitos no mundo do samba como um marco — seja pela narrativa popular sobre a vida de um líder político ou pela coragem de estrear no Grupo Especial com um tema tão debatido. Políticos apoiadores consideram o desfile um reconhecimento da trajetória de Lula; críticos denunciam a possibilidade de transformar o Carnaval em palanque político, algo que, até o momento, foi confirmado como dentro da legalidade pela Justiça Eleitoral. 

No sambódromo, a expectativa é de casa cheia, transmissão nacional pela TV Globo e um desfile que ficará na história por sua combinação de arte, política e cultura popular.

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