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| Conversas e dados extraídos do celular de Daniel Vocaro incluem menções a autoridades públicas. |
Por Cleide Gama
Brasília – A investigação sobre as irregularidades que levaram ao colapso e à liquidação do Banco Master segue abrindo capítulos inéditos no cenário político e judicial brasileiro. A Polícia Federal (PF) conseguiu acessar integralmente o conteúdo de celulares apreendidos do controlador da instituição, Daniel Vorcaro, revelando informações que complicaram ainda mais o caso.
Conteúdo do telefone de Vorcaro e menções a autoridades
Em fevereiro de 2026, a Polícia Federal confirmou que conseguiu acessar – mesmo diante da recusa da defesa em fornecer senhas – o conteúdo de pelo menos um dos aparelhos de Daniel Vorcaro, incluindo mensagens, áudios, fotos e registros de aplicativos. O material está em análise e servirá para aprofundar a investigação sobre fraudes e práticas ilegais no banco.
Segundo fontes envolvidas no caso, conversas e dados extraídos do celular incluem menções a autoridades públicas, o que motivou pedidos formais de instâncias superiores da Justiça Federal para que o processo recebesse atenção especial. Parte dessas menções envolveu o nome do então relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli, gerando intensa discussão institucional.
Afastamento de Dias Toffoli da relatoria
Após a divulgação de que o nome de Toffoli aparecia em mensagens extraídas do celular de Vorcaro, o ministro decidiu deixar voluntariamente a relatoria do inquérito que apura as supostas fraudes, lavagem de dinheiro e organização criminosa ligadas ao Banco Master. A decisão foi tomada após pressão de outras autoridades e da própria Suprema Corte.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, realizou a redistribuição do processo, que agora está sob a responsabilidade do ministro André Mendonça, que já se reuniu com delegados da PF para se inteirar do andamento do caso.
Toffoli negou ter recebido qualquer dinheiro ou benefício de Vorcaro ou de pessoas associadas ao Banco Master. Seu gabinete insiste que não há confirmação de pagamentos ou conflito de interesse, e que a PF não teria legitimidade para pedir sua suspeição, argumentando questões processuais.
Operação Compliance Zero e bloqueio de bens
A investigação é conduzida no âmbito da Operação Compliance Zero, que começou em novembro de 2025 e desde então já resultou em ordens de busca e apreensão em diversos estados, além do bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões em bens ligados a Vorcaro, sua família e aliados. A PF mira supostas práticas de fraude, gestão temerária de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
Vorcaro e alguns executivos chegaram a ser presos durante as fases iniciais da operação. Eles negam irregularidades e afirmam que a liquidação do banco foi injusta e precipitada, embora as apurações apontem para prejuízos que podem superar cifras bilionárias.
Denúncias de contratação de influenciadores e ataques ao Banco Central
Paralelamente à investigação criminal, a PF também está levantando informações sobre **supostas contratações de influenciadores digitais e jornalistas para divulgar conteúdos críticos ao Banco Central e favorecer a imagem do Banco Master após sua liquidação.
Essas denúncias indicam que, no final de 2025, representantes de empresas de marketing digital teriam procurado perfis com grande alcance nas redes sociais, oferecendo pagamento para publicações que atacassem a atuação do Banco Central no caso do Master e destacassem narrativas favoráveis ao banco e a seus controladores. Influenciadores e comunicadores envolvidos relataram ter sido contatados para esse tipo de campanha, que agora pode fazer parte de um novo inquérito, caso a PF entenda haver elementos suficientes para formalizar as suspeitas.
Impacto político e institucional
O escândalo, que começou como uma investigação sobre fraudes financeiras, ganhou dimensão política ao envolver citações a nomes de autoridades e ao expor tensões entre Poder Judiciário, forças policiais e órgãos reguladores. A troca de relatoria no STF e as investigações sobre possíveis tentativas de influenciar a opinião pública elevam o caso a um dos mais complexos em curso sobre o sistema financeiro no País.
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