quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Entre a Esperança e a Expectativa: o Retrato do Povo Brasileiro em um Ano de Contrastes

Grupo de missionários em projeto de evangelização junto as famílias pobres do sertão do país 

Por Marcos Vinicius 

Esperança: O ano que se encerra deixa para o Brasil um sentimento coletivo marcado por contrastes. Entre a esperança renovada e expectativas ainda não plenamente atendidas, o povo brasileiro atravessou mais um ciclo histórico tentando equilibrar sobrevivência, dignidade e sonhos. De Norte a Sul, do campo às grandes metrópoles, a sensação predominante foi a de resistência — com avanços importantes, mas também frustrações que ecoaram nas ruas, nas redes e nas conversas do dia a dia.

Um país diverso, sentimentos semelhantes

Na Região Norte, a população seguiu cobrando políticas mais eficazes para o desenvolvimento sustentável, proteção da Amazônia e melhoria da infraestrutura básica. Houve avanços no combate ao desmatamento e maior presença do Estado em ações ambientais, o que trouxe esperança para comunidades ribeirinhas e povos indígenas. Ainda assim, persistem decepções ligadas à lentidão de obras estruturantes e ao acesso precário a serviços de saúde e transporte.

No Nordeste, o sentimento foi de reconhecimento por políticas sociais que ajudaram a reduzir a insegurança alimentar e ampliar o acesso a programas de renda e educação. Investimentos em energias renováveis, especialmente solar e eólica, foram vistos como conquistas concretas. Por outro lado, o desemprego estrutural, a dependência de repasses federais e os efeitos das mudanças climáticas — como secas e enchentes — continuam sendo fontes de apreensão.

No Centro-Oeste, o agronegócio seguiu como motor econômico, gerando crescimento e arrecadação. Parte da população celebrou o fortalecimento da produção e das exportações, enquanto outra parte demonstrou preocupação com conflitos fundiários, impactos ambientais e a concentração de renda. A expectativa por equilíbrio entre produção, preservação e justiça social segue em aberto.

No Sudeste, especialmente nos grandes centros urbanos, o ano foi marcado por avanços econômicos moderados, queda gradual da inflação e retomada de alguns setores produtivos. Houve reconhecimento de políticas voltadas à estabilidade econômica, investimentos em obras de mobilidade e programas de renegociação de dívidas. Ainda assim, a população expressou frustração com a violência urbana, o alto custo de vida e a precariedade em áreas como saúde pública e habitação.

No Sul, a sensação foi fortemente impactada por eventos climáticos extremos, como enchentes e desastres naturais, que deixaram marcas profundas na população. A atuação dos governos no socorro emergencial e na reconstrução foi vista como necessária e, em alguns casos, eficiente. Porém, a reconstrução lenta e o sentimento de vulnerabilidade diante das mudanças climáticas geraram insegurança e cobrança por políticas de prevenção mais robustas.

Conquistas reconhecidas, decepções persistentes

Entre as conquistas apontadas por grande parte da população estão a ampliação de programas sociais, o fortalecimento de políticas de combate à fome, a retomada do diálogo institucional e a recuperação gradual da credibilidade internacional do Brasil. Também houve avanços na vacinação, em ações ambientais e em investimentos públicos em infraestrutura e educação.

Por outro lado, as decepções ficaram evidentes na dificuldade de melhorar rapidamente a vida cotidiana. Filas no sistema de saúde, violência, desigualdade social, baixa renda, serviços públicos insuficientes e a percepção de distanciamento entre a classe política e o cidadão comum continuam sendo motivos de descrença.

Um sentimento que atravessa o país

A retrospectiva revela que o brasileiro segue acreditando no futuro, mas com os pés no chão. A esperança existe, porém vem acompanhada de cobrança, vigilância e desejo de participação. O sentimento nacional é claro: o povo quer resultados concretos, políticas que cheguem à ponta e decisões que respeitem a diversidade regional e social do país.

Ao final do ano, o Brasil não se define apenas por conquistas ou decepções, mas pela capacidade de seguir em frente. Entre expectativas e desafios, permanece viva a convicção de que um país mais justo, humano e desenvolvido ainda é possível — desde que o povo seja ouvido e colocado no centro das decisões.

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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

EUA, Bolsonaro e Tarifas: o ano em que a política externa virou campo de batalha

Registro oficial do encontro entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva - foto de reprodução BBC

Por Marcelo Procópio

Tarifaço: O ano de 2025 foi marcado por uma escalada de tensões políticas e diplomáticas envolvendo Brasil e Estados Unidos, com protagonismo de atores políticos brasileiros no exterior, medidas comerciais agressivas do ex-presidente norte-americano Donald Trump e uma reação articulada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conter danos econômicos e institucionais. Os principais episódios se concentraram entre o primeiro e o segundo semestre do ano, acompanhando o calendário político internacional e eleitoral nos EUA.



A atuação de Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro nos EUA

Entre janeiro e maio de 2025, Paulo Figueiredo, influenciador político radicado nos Estados Unidos e neto do ex-presidente João Figueiredo, intensificou sua atuação junto a círculos conservadores norte-americanos. Utilizando redes sociais, podcasts e eventos políticos, passou a defender sanções contra autoridades brasileiras, questionar decisões do Judiciário e sustentar a narrativa de que o Brasil viveria uma “crise democrática”. Ao longo do primeiro semestre, suas declarações ganharam repercussão em ambientes ligados ao trumpismo e à ala mais radical do Partido Republicano.

No mesmo período, especialmente entre março e julho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) manteve presença constante nos Estados Unidos. Durante viagens sucessivas, reuniu-se com parlamentares republicanos, assessores ligados a Donald Trump e organizações conservadoras. Eduardo defendeu publicamente restrições diplomáticas e econômicas ao Brasil, criticou o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal e apoiou iniciativas de pressão internacional contra o país. As ações provocaram reação imediata no Congresso Nacional e levaram o Itamaraty a emitir notas de preocupação ainda no primeiro semestre.



Trump volta ao jogo e impõe tarifas ao Brasil

No segundo semestre de 2025, em meio ao avanço da campanha presidencial norte-americana e à retomada de protagonismo político de Donald Trump, o ex-presidente anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros estratégicos. Entre agosto e setembro, foram atingidos principalmente setores como aço, alumínio e alguns derivados do agronegócio.

Trump justificou as medidas alegando “concorrência desleal”, “excessos regulatórios ambientais” e instabilidade política no Brasil — argumentos alinhados ao discurso de setores conservadores norte-americanos e reforçados por aliados brasileiros no exterior. As tarifas provocaram impacto imediato nas exportações, afetando contratos comerciais ainda no terceiro trimestre do ano e acendendo alertas em estados brasileiros dependentes do comércio com os EUA.



A resposta do governo Lula

A reação do governo brasileiro começou ainda em setembro de 2025 e se intensificou até o fim do ano. O presidente Lula adotou um discurso firme, porém diplomático, defendendo a soberania nacional e rejeitando qualquer tentativa de ingerência externa. Em pronunciamentos feitos entre setembro e outubro, Lula afirmou que o Brasil “não aceita chantagem política disfarçada de política comercial”.

O Itamaraty passou a atuar de forma mais incisiva a partir de outubro, ampliando negociações com o Departamento de Estado dos EUA, com governadores norte-americanos e com setores empresariais prejudicados pelas tarifas. Paralelamente, entre outubro e novembro, o governo brasileiro acionou formalmente mecanismos da Organização Mundial do Comércio (OMC), questionando a legalidade das medidas anunciadas por Trump.

No último trimestre de 2025, Lula também acelerou a estratégia de diversificação comercial, fortalecendo acordos com a União Europeia, países asiáticos e nações do Sul Global, buscando reduzir a dependência do mercado norte-americano e amortecer os impactos econômicos das sanções.



Repercussão política e institucional no Brasil

Entre outubro e dezembro de 2025, as ações de Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro passaram a ser debatidas de forma mais intensa no Congresso Nacional. Parlamentares governistas defenderam investigações sobre possível atuação contra os interesses nacionais, enquanto juristas e especialistas em relações internacionais alertaram para o desgaste institucional provocado por articulações políticas feitas fora do país.

Ao final de 2025, o episódio consolidou um dos capítulos mais tensos da relação Brasil–Estados Unidos nos últimos anos. A retrospectiva do ano evidencia que, ao longo dos doze meses, disputas ideológicas, interesses eleitorais e política comercial se entrelaçaram de forma inédita, transformando a política externa em um campo direto de disputa interna — com reflexos concretos na economia, na diplomacia e na vida cotidiana dos brasileiros.

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Emendas em foco: denúncias, investigações e reações marcaram o Congresso em 2025

 

Deputados e Senadores fazem pressão no governo e criam situações inusitadas para garantir a liberação de cifras milionárias por meio de emendas do orçamento com pouca transparência 

Por Marcos Vinicius 

Congresso Nacional: Ao longo de 2025, as emendas parlamentares voltaram ao centro do debate político nacional. Denúncias de falta de transparência, investigações de órgãos de controle e decisões do Judiciário colocaram sob holofotes tanto as chamadas emendas Pix quanto as emendas do relator, reacendendo discussões sobre o uso de recursos públicos, equilíbrio entre os Poderes e a real finalidade desses instrumentos no Congresso Nacional.

Desde o início do ano, Tribunais de Contas, Ministério Público e Controladoria-Geral da União (CGU) passaram a intensificar fiscalizações após uma série de reportagens e representações apontarem possíveis irregularidades. Entre os principais problemas identificados estavam a dificuldade de rastrear o destino final dos recursos, a ausência de critérios técnicos claros para a distribuição das verbas e indícios de uso político-eleitoral das emendas em ano pré-eleitoral.

As emendas Pix, criadas com o argumento de agilizar repasses diretos a estados e municípios, foram alvo de críticas severas. Em diversos casos, prefeitos e governadores receberam recursos sem a exigência prévia de planos detalhados de aplicação. Órgãos de controle alertaram que a rapidez dos repasses, sem mecanismos robustos de fiscalização, abriu margem para desperdício e mau uso do dinheiro público. Em resposta, algumas administrações passaram a publicar relatórios voluntários de execução, numa tentativa de conter a pressão social e institucional.

Já as emendas do relator, herança de anos anteriores, continuaram a gerar controvérsia em 2025, mesmo após decisões judiciais que determinaram maior transparência. Denúncias apontaram que, na prática, parte das verbas ainda era negociada nos bastidores, com dificuldade de identificar claramente os parlamentares beneficiados e os critérios adotados. O tema voltou à pauta do Supremo Tribunal Federal (STF), que cobrou do Congresso regras mais rígidas e mecanismos efetivos de publicidade.

No Congresso, o assunto dividiu parlamentares. Enquanto alguns defenderam as emendas como instrumento legítimo de fortalecimento do municipalismo e de atendimento a demandas locais, outros reconheceram a necessidade de reformas profundas. Projetos de lei e propostas de resolução interna foram apresentados ao longo do ano com o objetivo de impor limites, padronizar critérios técnicos e ampliar a transparência, mas muitos ainda enfrentam resistência política.

A sociedade civil também teve papel ativo em 2025. Organizações de combate à corrupção, universidades e veículos de imprensa produziram levantamentos, cruzaram dados e pressionaram por mudanças. O tema das emendas passou a ser recorrente nas redes sociais e em audiências públicas, consolidando-se como uma das principais pautas de fiscalização cidadã do ano.

Ao final de 2025, o balanço é claro: as emendas parlamentares permanecem como um instrumento poderoso — e controverso — do sistema político brasileiro. As denúncias e ações ao longo do ano revelaram avanços pontuais em transparência, mas também expuseram fragilidades estruturais que seguem desafiando o Congresso e os órgãos de controle. Para especialistas, o debate está longe de terminar e deve continuar a influenciar a agenda política e institucional do país nos próximos anos.

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

De 8 de Janeiro ao Júri: O Brasil e o Longo Caminho da Justiça Contra o Golpe

Jair Bolsonaro, muitos militares, policiais, agentes públicos e apoiadores estiveram no banco dos reus. Foto de reprodução - Agência Brasil 

Por Marcelo Procópio 

Golpe de Estado: Do marco trágico de 8 de janeiro de 2023 — quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília em um dos maiores atentados à democracia brasileira — até o final de 2025, o país viu desfilar um dos maiores e mais complexos processos judiciais de sua história recente. Entre prisões, condenações, fugas, extradições e até violações de tornozeleiras eletrônicas, a trajetória das investigações e julgamentos teve desdobramentos dramáticos que marcaram o Estado Democrático de Direito.



A Maior Operação Judicial da História Recente

As investigações dos atos golpistas foram centralizadas na chamada Operação Lesa Pátria, conduzida pela Polícia Federal, com o apoio do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação é reconhecida como uma das maiores já realizadas no país, com centenas de mandados de prisão, busca e apreensão e indiciamentos ao longo de mais de dois anos. 

Segundo dados mais recentes do STF, mais de 1.100 pessoas já foram responsabilizadas pelo envolvimento nos ataques — entre condenações e acordos com o Ministério Público — e aproximadamente 638 condenações já foram confirmadas, com penas que variam conforme a gravidade dos crimes. 

O Supremo também autuou mais de 1.700 ações penais relacionadas à tentativa de golpe, e quase 810 réus já foram condenados pelo tribunal, sob acusações que vão de associação criminosa armada a golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. 



🚓 Prisões e Condenações: Nomes e Números

O processo culminou em condenações emblemáticas. Em setembro de 2025, o **ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito — a primeira vez na história em que um ex-chefe de Estado brasileiro foi condenado por tais atos. 

Além dele, diversos militares e ex-integrantes do alto escalão do governo anterior também receberam penas severas, incluindo generais e ex-ministros. Esses julgamentos foram alvo de forte atenção nacional e internacional, com ministros do STF, como Cármen Lúcia, destacando a importância de reafirmar a ordem constitucional diante de tentativas de desestabilização. 



Fugas, Extradições e Violações de Tornozeleiras

Apesar das condenações, o processo não foi isento de episódios dramáticos. Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal e condenado a mais de 24 anos de prisão, tentou fugir do país rumo a El Salvador com passaporte falso — após quebrar a tornozeleira eletrônica que monitorava sua prisão domiciliar e chegar ao aeroporto de Assunção, no Paraguai. Ele foi detido e retornou ao Brasil para cumprir pena em regime fechado. 

Também houve dificuldades no cumprimento de medidas cautelares. No caso de Bolsonaro, o próprio ex-presidente foi detido preventivamente em novembro de 2025 após ter violado sua tornozeleira eletrônica, em um ato que as autoridades interpretaram como tentativa de fuga no contexto de uma mobilização convocada por seu próprio filho. 

Além disso, grupos de condenados fugiram para países vizinhos, especialmente para a Argentina, levando o STF a solicitar extradições. No início de dezembro, a Justiça Argentina autorizou a extradição de cinco brasileiros que haviam participado dos atos golpistas e tentado buscar refúgio no país. 



Reações Políticas e Judiciais

O processo judicial também gerou tensões no plano político. Em maio de 2025, a Câmara dos Deputados aprovou uma resolução polêmica para suspender parte das ações penais relacionadas ao 8 de janeiro, incluindo ações que envolvem figuras de alta relevância como o próprio Bolsonaro e aliados, em um movimento criticado por setores jurídicos por interferir no andamento das investigações e julgamentos. 

Paralelamente, um projeto de lei aprovado em dezembro de 2025 propôs redução de penas para os condenados pelo 8 de janeiro, incluindo a redução da pena de Bolsonaro para apenas 2 anos e 4 meses, tramitando agora no Senado. A proposta tem sido objeto de debate intenso, com críticos alertando que isso pode enfraquecer o combate à impunidade em casos de ataque à democracia. 



Conclusão: Justiça em Curso

A retrospectiva das investigações e dos julgamentos dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro revela um capítulo complexo da história brasileira: um país que enfrentou uma ameaça direta às suas instituições e, nos anos seguintes, mobilizou um aparato jurídico sem precedentes para buscar responsabilização e reafirmar o Estado Democrático de Direito.

Entre prisões emblemáticas, tentativas de fuga, violações de tornozeleiras e debates legislativos acalorados, a jornada judicial continua — e seus desdobramentos seguirão moldando o futuro político e institucional do Brasil.

Essa matéria traz um panorama atualizado e documentado dos anos de 2025 e dos principais marcos no processo de responsabilização pelos ataques contra a democracia.

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2025 — Ano de Duelos e Desafios: O Brasil Contra os Crimes Ambientais

As queimadas na Amazônia e no Pantanal Matogrossense são crimes ambientais que normalmente está relacionado a grilagem de terra, ocupação de área de preservação, dentre outras. 

Por Marcos Vinicius 

Ambiente: Em 2025, o Brasil viveu um embate intenso entre a preservação de seus biomas e uma série de crimes ambientais que expuseram fragilidades institucionais, avanços pontuais e desafios urgentes para o futuro. Apesar de alguns dados apontarem quedas em práticas destrutivas, especialistas e autoridades ambientais alertam para números que ainda assustam e para a necessidade de políticas mais eficazes e fiscalização robusta.



Números que Alarmam: Crimes Ambientais em Alta

Um relatório divulgado pela Rede de Observatórios de Segurança aponta que, entre 2023 e 2024, as autoridades estaduais registraram mais de 41 mil crimes ambientais em nove estados brasileiros, incluindo Amazonas, Bahia, Ceará, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo — uma média superior a 56 infrações por dia durante o período. 

Pesquisadores, no entanto, enfatizam que esses dados provavelmente subestimam a realidade, pois não contemplam conflitos socioambientais e violências contra povos tradicionais, como indígenas, quilombolas e ribeirinhos. 



Desmatamento: Redução Oficial, Mas Cenário Complexo

No cenário de desmatamento, o Brasil registrou queda de 11,08% no desmatamento da Amazônia e 11,49% no Cerrado entre agosto de 2024 e julho de 2025, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). 

Apesar disso, análises ambientais mostram que quase 90% desse desmatamento ainda ocorre sem autorização legal, o que denota que grande parte da destruição segue fora dos marcos regulatórios e sob atuação de crime ambiental. 



🚨 Casos de Destaque em 2025


Denúncia contra grandes empresas no RJ

Em outubro, o Ministério Público Federal formalizou denúncia contra a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Harsco Metals Ltda. por crimes ambientais em Volta Redonda (RJ), envolvendo o depósito ilegal de mais de 5 milhões de toneladas de resíduos industriais sem licenciamento adequado — impactando solo, lençóis freáticos e milhares de moradores. 


Ações de fiscalização e multas ambientais

No litoral paranaense, o Instituto Água e Terra (IAT) aplicou mais de R$ 1,8 milhão em multas ambientais entre dezembro de 2024 e março de 2025 por crimes que incluem desmatamento ilegal e outras infrações à legislação ambiental durante a temporada de verão. 



Fiscalização em Xeque

Um relatório recente aponta que o Brasil sofreu, ao longo dos últimos anos, a perda de mais da metade de seus inspetores ambientais federais, enfraquecendo a capacidade de fiscalização em território nacional. Embora o efetivo tenha crescido um pouco até 2025, com cerca de 771 agentes ambientais, essa força ainda está aquém do necessário para cobrir todas as regiões críticas do país. 



Judicialização dos Crimes Ambientais

O Judiciário também registrou movimentação expressiva no combate aos crimes ambientais: nos últimos quatro anos, o número de julgamentos de ações ambientais aumentou em 51%, demonstrando a crescente pressão por responsabilização judicial e aplicação da legislação ambiental no Brasil. 



Reflexos e o Caminho à Frente

Embora alguns indicadores, como a redução no desmatamento, mostrem sinais positivos, a realidade dos crimes ambientais no Brasil em 2025 evidencia uma luta contínua entre forças econômicas, ausência de fiscalização adequada e a urgência por políticas capazes de proteger a biodiversidade e os direitos das populações tradicionais.

Especialistas alertam que apenas com um sistema de monitoramento unificado, maior investimento em fiscalização e uma resposta judicial eficaz será possível enfrentar, de fato, o volume e a complexidade dos delitos ambientais que afetam o país. 


📍Nota:  Esta retrospectiva foi apurada com base em dados oficiais, relatórios de segurança pública e levantamentos independentes.

Leia mais no Folhão — onde o futuro do meio ambiente encontra os fatos do presente.

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2025: o ano em que a corrupção voltou ao centro do debate político brasileiro

Órgãos de controle afirma que cerca de 6 bilhões de reais em recursos públicos estiveram sob o risco de irregularidades

Por Cleide Gama

Corrupção: Ao longo de 2025, o Brasil voltou a conviver com uma sucessão de denúncias, investigações e operações que colocaram em evidência velhos problemas da política nacional: suspeitas de corrupção, desvio de recursos públicos e uso indevido do dinheiro que deveria chegar à população. A cada mês, novos casos reforçaram a percepção de que, apesar dos avanços institucionais, o combate à corrupção ainda enfrenta enormes desafios.

Levantamentos consolidados a partir de dados de órgãos de controle indicam que mais de R$ 6 bilhões em recursos públicos estiveram sob suspeita de irregularidades em 2025, considerando investigações em andamento na Polícia Federal, auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Esses valores envolvem contratos de obras públicas, compras emergenciais na área da saúde, convênios com organizações sociais, licitações de transporte público e programas de infraestrutura urbana.

Entre os principais focos de investigação do ano estiveram prefeituras e governos estaduais, responsáveis por grande parte da execução direta de políticas públicas. De acordo com relatórios técnicos da CGU, cerca de 60% das auditorias realizadas em 2025 apontaram indícios de sobrepreço, direcionamento de licitação ou falhas graves de execução, especialmente em municípios de médio porte. Já o TCU identificou problemas recorrentes em contratos ligados a obras rodoviárias, saneamento básico e tecnologia da informação.

A Polícia Federal deflagrou dezenas de operações ao longo do ano, muitas delas em parceria com o Ministério Público, mirando esquemas de corrupção sistêmica que envolviam empresários, agentes públicos e intermediários políticos. Em vários casos, as investigações revelaram o uso de empresas de fachada, contratos superfaturados e repasses ilegais para financiamento político.

Especialistas ouvidos ao longo do ano foram unânimes em afirmar que a corrupção tem impacto direto na vida da população. Cada real desviado representa menos medicamentos nos hospitais, menos vagas em creches, escolas inacabadas e obras que nunca saem do papel. Em 2025, esse efeito foi sentido de forma ainda mais dura em áreas vulneráveis, onde a dependência de políticas públicas é maior.

Apesar do cenário preocupante, houve também avanços. O uso de tecnologia para cruzamento de dados, o fortalecimento dos portais de transparência e a maior integração entre órgãos de controle permitiram identificar irregularidades com mais rapidez. Denúncias feitas por cidadãos e servidores públicos também tiveram papel fundamental na abertura de investigações.



Como acompanhar e denunciar casos de corrupção

O combate à corrupção não depende apenas das instituições, mas também da participação ativa da sociedade. Qualquer cidadão pode — e deve — acompanhar a aplicação do dinheiro público e denunciar irregularidades. Veja como:

Portais da Transparência: acompanhe gastos federais, estaduais e municipais em sites oficiais, como o Portal da Transparência do Governo Federal e os portais dos estados e prefeituras.

Controladoria-Geral da União (CGU): denúncias podem ser feitas pela plataforma Fala.BR, de forma identificada ou anônima.

Ministério Público: promotorias estaduais e o Ministério Público Federal recebem denúncias presenciais e online.

Tribunais de Contas: TCU e TCEs também possuem canais para comunicar suspeitas de irregularidades.

Polícia Federal: casos que envolvam recursos federais podem ser comunicados diretamente à PF.

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Fiscalizar, denunciar e cobrar transparência são atitudes essenciais para fortalecer a democracia e garantir que o dinheiro público cumpra sua finalidade: melhorar a vida da população. Em 2025, a lição que ficou é clara — sem vigilância permanente, a corrupção encontra espaço para se repetir.

Brasil 2025: O Ano em Que a Violência Contra a Mulher Continuou a Deixar Feridas Abertas

O número de casos registrados de violência contra a mulher tem crescido assustadoramente em nosso país, assim como os casos de feminicídio. Foto de reprodução - Catraca Livre

Por Cleide Gama 

Violência contra mulher: Ao fechar as páginas de 2025, o Brasil enfrenta um cenário preocupante no que diz respeito à violência de gênero, com dados que refletem a persistência (e em alguns casos o aumento) dos casos de violência contra a mulher e feminicídio em todo o país. A cada ano, milhares de brasileiras convivem com o medo dentro de suas próprias casas, e os números mostram que ainda há um longo caminho para a efetiva proteção e garantia de direitos. 

Segundo dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero, vinculados ao Senado Federal, 718 feminicídios foram registrados entre janeiro e junho de 2025, o que representa uma média de cerca de quatro mulheres mortas por dia por razões de gênero no primeiro semestre. No mesmo período, foram contabilizados quase 34 mil casos de estupro contra mulheres, uma média de aproximadamente 187 casos por dia. 

O levantamento mais amplo, que inclui estimativas até outubro, indica que o Brasil ultrapassou os 1.000 casos de feminicídio em nove meses de 2025, com 1.075 casos registrados, superior ao mesmo período de 2024. Em São Paulo, por exemplo, 207 feminicídios foram contabilizados até outubro – alto índice, mostrando que a violência não se restringe a regiões específicas. 

Além dos dados sobre feminicídio, uma pesquisa nacional do Instituto DataSenado revela que 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar em 2025. Esse estudo ouviu mais de 21 mil mulheres e mostrou que 71% dos episódios de agressão ocorreram com outras pessoas presentes, muitas vezes crianças, evidenciando as múltiplas vítimas desse tipo de violência. 

Organizações internacionais também destacam o impacto global e local da violência de gênero. De acordo com relatório das Nações Unidas divulgado em 2025, 50 mil mulheres e meninas foram mortas por parceiros íntimos ou familiares em 2024, o que significa que, em média, uma mulher é morta por um parceiro ou familiar a cada 10 minutos — e os dados combinados sugerem que esse ciclo brutal persiste em 2025. 



POR QUE ESSA VIOLÊNCIA ACONTECE?

Especialistas apontam que a violência contra a mulher é um problema estrutural, alimentado por desigualdades de gênero, discriminação e falhas nos mecanismos de prevenção. A maior parte dos casos de feminicídio ocorre dentro de casa, muitas vezes por parceiros ou ex-parceiros, mostrando que o lar, que deveria ser um espaço de segurança, se torna um ambiente de risco. 



UM PROBLEMA QUE EXIGE RESPOSTAS EFETIVAS

Apesar da existência de leis robustas, como a Lei Maria da Penha e a criminalização do feminicídio no Código Penal, sua aplicação efetiva ainda enfrenta desafios. Esforços de órgãos públicos e da sociedade civil se intensificaram em 2025, com campanhas de conscientização, capacitação de profissionais e ações de apoio às vítimas, reconhecendo que a prevenção começa muito antes do crime em si, desde a educação sobre igualdade de gênero até o fortalecimento de redes de proteção. 


Informações de utilidade pública: como agir para evitar e minimizar a violência contra a mulher

Se você ou alguém que você conhece está enfrentando violência doméstica ou ameaça de feminicídio, é fundamental buscar ajuda imediatamente. Aqui estão os principais canais de apoio e denúncia no Brasil:

📞 Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher

Atendimento gratuito e sigiloso 24h, com informações, orientação jurídica e apoio emocional.

📱 WhatsApp do Ligue 180 – (61) 99610-0180

Atendimento por mensagem para registrar denúncias ou solicitar orientações.

📞 Polícia Militar – 190

Em casos de emergência com risco imediato de vida.

📞 Disque Denúncia – 181

Canal para denúncias de violência e encaminhamento às autoridades competentes.

👮‍♀️ Delegacias da Mulher

Unidades especializadas no atendimento à mulher em situação de violência, com equipes treinadas para acolher, registrar ocorrências e iniciar medidas protetivas.

Além disso, procure apoio de familiares, amigos ou serviços de assistência social em sua comunidade e, se possível, registre boletim de ocorrência assim que houver sinais de violência. A conscientização e a mobilização da sociedade são essenciais para quebrar o ciclo de violência e promover um Brasil mais seguro para todas as mulheres.

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sábado, 27 de dezembro de 2025

Correios perdem mercado, faturam bilhões e pagam o preço da má gestão política

Os Correios agonizam enquanto observa o mercado de logística modernizar-se e operar em alta escala.


Por Cleide Gama 

Logística: Mesmo com presença em todos os municípios do país e faturamento bilionário, os Correios seguem perdendo espaço no mercado de entregas. Especialistas, funcionários e usuários apontam a interferência política e a falta de compromisso dos últimos governos como fatores centrais para o enfraquecimento da estatal.

Os Correios continuam sendo uma das maiores empresas logísticas do Brasil. De acordo com dados públicos divulgados em relatórios institucionais, a empresa chegou a registrar faturamento anual superior a R$ 20 bilhões em anos recentes, operando uma rede com mais de 10 mil unidades, dezenas de centros de tratamento e um fluxo diário de milhões de objetos postais, entre cartas, encomendas e serviços logísticos.

Ainda assim, a estatal perdeu protagonismo justamente no período de maior crescimento do setor: a explosão do e-commerce e das entregas rápidas no Brasil



Mercado em expansão, Correios em retração

Enquanto o mercado privado de logística cresceu a taxas anuais estimadas entre 15% e 25%, impulsionado pelo comércio eletrônico, os Correios viram sua participação de mercado encolher. Transportadoras privadas, startups logísticas e aplicativos ocuparam um espaço que historicamente pertencia à empresa pública.



Para especialistas, o problema não está na estrutura, mas na condução política.

"Os Correios sempre tiveram capilaridade, marca e capacidade operacional. O que faltou foi gestão moderna e compromisso dos governos”, avalia o professor Evandro Brasil, pesquisador e defensor da modernização das empresas públicas.



Gestões Temer e Bolsonaro sob críticas

Funcionários ouvidos pela reportagem afirmam que, sobretudo durante os governos Michel Temer (2016–2018) e Jair Bolsonaro (2019–2022), a empresa foi tratada mais como instrumento político do que como ativo estratégico nacional.

A cada troca de governo mudava tudo: diretores, prioridades, projetos. Muitos cargos eram ocupados por indicação política, sem conhecimento técnico. Isso desmotiva quem está na ponta”, relata um funcionário com mais de 20 anos de casa, que pediu para não ser identificado.

Durante esses períodos, os Correios enfrentaram contingenciamentos, falta de investimentos estruturais, sucateamento de unidades e tentativa de preparação apressada para privatização, sem um plano consistente de modernização tecnológica.

Para Evandro Brasil, esse modelo custou caro à empresa e à população:
"Quando políticos se preocupam mais em indicar aliados do que em cobrar resultados, a conta chega. Os Correios sangraram recursos com gestões ineficientes, enquanto o mercado de entregas crescia diante dos nossos olhos.



Operação gigante, gestão pequena

Hoje, os Correios seguem responsáveis por operações estratégicas, como:

Entregas em áreas remotas onde o setor privado não atua

Distribuição de medicamentos, livros e materiais oficiais

Atendimento logístico a milhões de pequenos empreendedores

Mesmo assim, populares relatam insatisfação com prazos e serviços.

A gente confia nos Correios, mas percebe que falta investimento. Dá pra ser melhor”, diz Maria de Lourdes, comerciante em Duque de Caxias (RJ), que depende da empresa para vender pela internet.



O que defendem especialistas e trabalhadores

Entre funcionários, especialistas e usuários, há consenso em alguns pontos:

Gestão técnica e profissional, sem aparelhamento político

Investimento em tecnologia e automação logística

Valorização dos trabalhadores

Foco estratégico no e-commerce e na última milha

Salvar os Correios não é privatizar nem manter tudo como está. É modernizar, blindar contra interferência política e tratar a empresa como estratégica para o desenvolvimento do Brasil”, conclui Evandro Brasil.

Enquanto o debate segue, uma certeza se impõe: o Brasil ainda precisa dos Correios, mas os Correios precisam, urgentemente, de governos comprometidos com resultados — e não apenas com cargos.

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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Alexandre de Moraes no centro do debate: entre decisões constitucionais e a disputa de narrativas na imprensa

Ministro Alexandre de Moraes vem sendo alvo de ataques na imprensa que buscam atingir sua integridade moral - Foto de reprodução BBC

Por Marcos Vinicius – Jornal O Folhão

Mídia: O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, tornou-se uma das figuras mais centrais e controversas do cenário político-institucional brasileiro nos últimos anos. Relator de processos sensíveis que envolvem ataques às instituições, tentativas de ruptura democrática e a disseminação organizada de desinformação, Moraes passou a ocupar um espaço permanente no noticiário nacional — não apenas por suas decisões, mas também pelas narrativas construídas em torno delas.

Parte da imprensa tem cumprido seu papel constitucional de informar, contextualizar e fiscalizar os poderes da República. No entanto, cresce a percepção de que determinados veículos, colunistas e comentaristas vêm adotando uma postura menos comprometida com a apuração rigorosa dos fatos e mais alinhada a versões difundidas por atores políticos diretamente atingidos por decisões do STF. Essas narrativas, muitas vezes, colocam em dúvida a integridade moral do ministro, sugerindo excessos ou motivações pessoais, sem a devida sustentação factual.

Alexandre de Moraes atua em processos que investigam crimes graves contra o Estado Democrático de Direito, incluindo articulações golpistas, ataques ao processo eleitoral e o uso de estruturas digitais para minar a confiança da população nas instituições. Suas decisões, gostem ou não a determinados grupos, estão amparadas na Constituição Federal, no ordenamento jurídico vigente e no entendimento colegiado do Supremo Tribunal Federal.

Além disso, o Judiciário, como um todo, tem avançado sobre temas historicamente sensíveis à classe política. Casos relacionados ao uso e à fiscalização de emendas parlamentares, hoje sob forte escrutínio institucional — inclusive com atuação do ministro Flávio Dino —, expõem práticas que há décadas alimentam denúncias de desvios, falta de transparência e uso político de recursos públicos. Esse contexto ajuda a explicar o aumento da tensão entre parte da classe política, setores da opinião pública e o Judiciário.

Para muitos cidadãos ouvidos pela reportagem do Folhão, o ataque recorrente ao ministro não é coincidência. “Quando a Justiça começa a chegar perto de gente poderosa, sempre aparece uma tentativa de desmoralizar quem está julgando”, afirma Maria de Lourdes, aposentada, moradora da Baixada Fluminense. “Eu não vejo perseguição. Vejo alguém cumprindo a lei”, completa.

Já o motorista Carlos Henrique, de 42 anos, avalia que parte da imprensa “repete discursos prontos”. “Tem político que mente descaradamente, mas vira fonte confiável só porque dá entrevista. A imprensa precisa ter mais responsabilidade com quem escolhe ouvir”, critica.

Entre jovens eleitores, o sentimento é semelhante. A estudante de direito Ana Paula Ribeiro, 21 anos, destaca que o debate muitas vezes ignora o conteúdo jurídico das decisões. “Quase ninguém discute o mérito legal. Preferem atacar a pessoa do ministro. Isso empobrece o debate público e confunde a população.

Especialistas em comunicação e democracia alertam que a repetição de narrativas descoladas dos fatos pode gerar descrédito institucional, abrindo espaço para a radicalização e a desinformação. A crítica às decisões judiciais é legítima e necessária em uma democracia, mas ela precisa ser feita com base em fatos, argumentos jurídicos e responsabilidade social — não como instrumento de vingança política ou estratégia de mobilização ideológica.

Em um momento em que o Brasil ainda lida com as consequências de ataques à democracia, o papel da imprensa se torna ainda mais sensível. Informar com equilíbrio, checar versões e contextualizar interesses não é uma opção editorial, mas um dever democrático. Para muitos brasileiros, defender a integridade das instituições — e de seus agentes quando atuam dentro da lei — não é tomar partido, mas preservar o Estado de Direito.

Como resume o comerciante João Batista, 58 anos: “Não é sobre gostar ou não do Alexandre de Moraes. É sobre respeitar a Constituição. Se amanhã for outro ministro fazendo a mesma coisa, a regra tem que ser a mesma.”

A democracia se fortalece quando a crítica é honesta, a informação é responsável e o debate público se baseia em fatos — não em narrativas fabricadas.

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domingo, 21 de dezembro de 2025

Apatridia não é opção: por que Eduardo Bolsonaro não pode ter “passaporte de apátrida

Eduardo Bolsonaro filho do ex-presidente Jair Bolsonaro que se encontra preso por condenação em tentativa de golpe de Estado. Reprodução.

Por Cleide Gama 

Diplomacia: Eduardo Bolsonaro, que se tornou réu no Supremo Tribunal Federal (STF) e teve o mandato cassado pela Câmara dos Deputados, afirmou que pretende buscar um chamado “passaporte de apátrida” para continuar vivendo nos Estados Unidos. A declaração, feita em entrevista ao SBT News, porém, não encontra respaldo jurídico, já que ele não perdeu a cidadania brasileira — condição essencial para que alguém seja reconhecido como apátrida.

Segundo a definição das Nações Unidas, uma pessoa apátrida é aquela que não é considerada nacional por nenhum Estado, conforme sua legislação. Não é o caso de Eduardo Bolsonaro, que segue sendo brasileiro nato e, portanto, continua com nacionalidade plenamente reconhecida pelo Brasil.

Na entrevista, o ex-deputado explicou que, com o fim do mandato, deverá devolver o passaporte diplomático e alegou que não poderá emitir um novo documento por determinação do STF. Ainda assim, sugeriu que buscaria “outros meios” para realizar viagens internacionais, mencionando até a possibilidade de tentar um documento destinado a apátridas. Especialistas em direito internacional e fontes do Itamaraty, no entanto, esclarecem que essa hipótese é inviável enquanto ele mantiver a cidadania brasileira.

O que de fato ocorre é que o passaporte diplomático está vinculado exclusivamente ao exercício do cargo público. Uma vez encerrado o mandato, a devolução do documento é obrigatória, sem que isso represente perda de nacionalidade ou impedimento definitivo de retorno ao país. Caso esteja sem passaporte comum, Eduardo Bolsonaro pode solicitar, em uma embaixada ou consulado brasileiro nos Estados Unidos, uma Autorização de Retorno ao Brasil. Esse documento permite apenas o regresso ao território nacional, não servindo para viagens a outros países.

A legislação brasileira, alinhada a tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, trata a apatridia como uma condição excepcional e busca justamente reduzi-la, não ampliá-la. A perda de nacionalidade brasileira só ocorre em situações específicas previstas na Constituição, como a aquisição voluntária de outra nacionalidade (com exceções) ou decisão judicial, o que não se aplica ao caso.

Na prática, portanto, Eduardo Bolsonaro continua livre para retornar ao Brasil a qualquer momento, mas não pode se declarar ou ser reconhecido como apátrida. A situação evidencia a diferença entre restrições administrativas relacionadas a documentos de viagem e a condição extrema — e rara — da apatridia, frequentemente associada a violações de direitos humanos em contextos de guerra, dissolução de Estados ou discriminação legal, cenários muito distantes da realidade do ex-parlamentar.

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Suspensão da Licença Ambiental do Projeto Longo Prazo: Vitória da Sociedade frente aos Riscos Climáticos

 

Área afetada pelo rompimento de barragem no distrito de Bento Rodrigues, zona rural de Mariana, em Minas Gerais. Imagem do Corpo de Bombeiros, reproduzida da Agência GOV.

Por Marcelo Procópio 

Meio Ambiente: A Justiça Federal determinou a suspensão imediata da licença ambiental concedida ao polêmico projeto Longo Prazo da mineradora Samarco, que previa a ampliação da extração de minério e a construção de novas pilhas de rejeitos nos municípios históricos de Mariana e Ouro Preto (MG), onde ocorreu o desastre da barragem de Fundão. A decisão, assinada pela juíza Patrícia Alencar Teixeira de Carvalho, foi motivada pela ausência de uma análise adequada sobre riscos de eventos climáticos extremos no processo de licenciamento concedido pelo Estado de Minas Gerais em junho de 2025.

A determinação interrompe a licença ambiental até que a empresa apresente estudos complementares robustos, incluindo modelagens hidrológicas e geotécnicas que considerem cenários futuros de mudanças no clima, além de um inventário de emissões de gases de efeito estufa e avaliação do impacto sobre metas de mitigação climática. O Estado de Minas Gerais ficará responsável por exigir o cumprimento dessas exigências antes de reabrir a análise técnica do projeto.


Por que essa suspensão é histórica?

Especialistas e advogados do Instituto Cordilheira, que representam moradores da região (incluindo o distrito de Bento Rodrigues), destacam que esta é a primeira vez que um projeto de mineração em Minas Gerais é paralisado judicialmente por reconhecer riscos climáticos negligenciados no licenciamento ambiental. A Justiça entendeu que o processo anterior utilizou apenas dados históricos de chuva, sem integrar projeções futuras de mudanças climáticas.


O medo dos moradores e opiniões técnicas

Moradores de Bento Rodrigues e comunidades vizinhas expressaram grande alívio com a decisão: muitos disseram que “a ampliação da mineração aumentaria a sensação de insegurança, especialmente em épocas de chuvas intensas, como as que já causaram inundações e deslizamentos em Minas nos últimos anos”. Há receio de que barragens de rejeitos, associadas a eventos climáticos extremos, representem riscos físicos e econômicos permanentes.


Visão do Professor Evandro Brasil

O professor Evandro Brasil, que conhece profundamente os desafios de riscos ambientais e preservação ecológica nas regiões afetadas, considerou a decisão “um marco para o fortalecimento do licenciamento ambiental no Brasil. A Justiça reconheceu que não basta olhar para o passado, é preciso prever o futuro climaticamente incerto que já estamos vivendo”. Evandro destacou que “não podemos continuar a autorizar empreendimentos de alto risco sem considerar como eventos extremos — mais frequentes e intensos por causa da mudança climática — podem afetar vidas, comunidades e ecossistemas inteiros”.


Dados sobre riscos climáticos que reforçam essa necessidade

A decisão judicial encontra respaldo em dados científicos atuais sobre a intensificação de riscos climáticos:

- Eventos climáticos extremos têm aumentado significativamente, com análise global apontando que mais de 3,39 bilhões de pessoas foram afetadas por desastres relacionados ao clima entre 2000 e 2020, incluindo secas, enchentes e ciclones. 

- No Brasil, entre 2020 e 2023 houve cerca de 16.306 desastres climáticos registrados, com um aumento de 250% nos últimos quatro anos, comparado à década de 1990. 

- Estudo nacional mostra que para cada 0,1°C de aumento da temperatura média global o Brasil registra em média 360 novos eventos climáticos extremos, como secas e tempestades. 

- Cientistas alertam que, com até 2°C de aquecimento global, entre 50 e 150 milhões de pessoas podem ser diretamente afetadas por inundações anualmente — um número que pode saltar ainda mais com aquecimento adicional. 


O que essa suspensão representa para o futuro

A decisão da Justiça Federal sinaliza uma mudança importante no modo como grandes empreendimentos de mineração poderão ser licenciados no Brasil, especialmente em áreas sujeitas a riscos de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes e severos devido às mudanças climáticas antropogênicas. Ela também reforça a necessidade de políticas públicas que exijam análises climáticas prospectivas como parte obrigatória do licenciamento, protegendo comunidades e o meio ambiente em longo prazo.

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

PF investiga líder do PL e apreensão de dinheiro vira centro de disputa política

Ministro Flávio Dino autorizou operação da Polícia Federal que investiga Carlos Jordy (PL) e Sóstenes Cavalcante (PL).

Por Marcos Vinicius 

Polícia Federal: Alvo de uma operação da Polícia Federal nesta sexta-feira (19), o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), negou qualquer irregularidade e afirmou que a apuração tem motivação política. Segundo ele, trata-se de uma ação direcionada “contra a direita”, com o objetivo de desviar a atenção de possíveis problemas envolvendo o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante entrevista coletiva concedida no Salão Verde da Câmara, Sóstenes explicou que os R$ 430 mil em espécie encontrados em sua residência seriam provenientes da venda recente de um imóvel. De acordo com o deputado, o comprador optou por pagar em dinheiro e ele não chegou a depositar o valor no banco, o que classificou como um “lapso”, mas não como prática ilegal. “Não existe nada ilícito nisso. Quem tem dinheiro irregular não guarda em casa dessa forma”, declarou.

O parlamentar também rebateu suspeitas relacionadas a uma empresa que presta serviços de locação de veículos ao seu gabinete, outro ponto investigado pela PF. Ele afirmou que utiliza regularmente o automóvel alugado, um Corolla usado, justamente para reduzir custos, e que paga um dos menores valores permitidos pela cota parlamentar. “Só haveria problema se eu não usasse o carro e apenas emitisse nota”, argumentou.

Outro foco da investigação envolve relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificaram movimentações consideradas atípicas em contas de assessores ligados ao PL, somando cerca de R$ 18 milhões. Sóstenes criticou o órgão, dizendo que os dados apresentados não contextualizam a origem dos recursos ao longo do tempo. Segundo ele, um de seus motoristas, citado nos relatórios, possui outras atividades comerciais além do trabalho no gabinete, o que explicaria os valores movimentados.

Além de Sóstenes, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo da operação. O líder do PL afirmou não temer as investigações e disse ter convocado a coletiva para prestar esclarecimentos aos eleitores e à população. Ele ainda lançou críticas a integrantes do governo Lula e a pessoas do entorno do presidente, mencionando desdobramentos recentes de um escândalo envolvendo suspeitas de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A referência foi a uma operação da PF realizada na quinta-feira (18), que apura possíveis fraudes em aposentadorias e aponta repasses do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, para Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís da Silva, filho do presidente, e pessoa próxima ao PT.


O que dizem os investigadores

De acordo com a Polícia Federal, um ex-assessor de Sóstenes, Adailton Oliveira dos Santos, teria movimentado aproximadamente R$ 11,4 milhões em créditos e valor semelhante em débitos, principalmente nos anos de 2023 e 2024. Para os investigadores, ele seria um dos responsáveis por operacionalizar desvios de recursos da cota parlamentar.

O relatório aponta que parte significativa dessas transações não teve origem ou destino claramente identificados, incluindo repasses classificados como “pagamentos diversos” e transferências para beneficiários sem identificação formal. Segundo a PF, o volume e o padrão das movimentações são incompatíveis com a renda declarada do assessor, considerando sua função pública e contexto familiar. A defesa de Adailton ainda não se manifestou.

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Aprovação do STF avança e avaliações do Congresso mostram leve melhora, aponta Genial/Quaest

Plenário do Supremo Tribunal Federal, Praça dos Três Poderes no Distrito Federal, Brasília.

Por Marcelo Procópio 

Brasília: Entre julho e dezembro deste ano, a percepção positiva da população sobre o trabalho do Supremo Tribunal Federal (STF) registrou um crescimento significativo. Segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (19) pelo instituto Genial/Quaest, a avaliação positiva subiu 10 pontos porcentuais, passando de 23% para 33%.

No mesmo período, a avaliação negativa do STF também apresentou aumento, ainda que em menor proporção: avançou de 32% para 36%, um acréscimo de quatro pontos. Já a parcela dos entrevistados que considerava o desempenho da Corte como regular caiu de forma expressiva, de 34% para 24%. O percentual de pessoas que não souberam ou preferiram não responder recuou de 11% para 7%.

No Poder Legislativo, os dados indicam uma leve melhora na imagem da Câmara dos Deputados. Entre outubro e dezembro, a avaliação positiva cresceu cinco pontos porcentuais, passando de 15% para 20%. No mesmo intervalo, a avaliação negativa caiu de 39% para 36%, enquanto a percepção regular apresentou pequena variação, de 36% para 35%.

O Senado Federal também apresentou avanço na avaliação positiva, que subiu de 18% para 22% no período analisado. A avaliação negativa teve leve oscilação, recuando de 34% para 33%, e a regular caiu de 36% para 34%.

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, entre os dias 11 e 14 de dezembro. A coleta foi realizada de forma domiciliar, por meio de entrevistas presenciais e questionários estruturados. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, com nível de confiança de 95%.

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Dallagnol cumpre decisão judicial e paga R$ 146,8 mil a Lula por danos morais no “caso PowerPoint”

Deltan durante a operação Lava à Jato fez acusações contra Lula

Por Cleide Gama 

Brasília: O ex-procurador da República Deltan Dallagnol efetuou o pagamento de R$ 146,847,13, resultado da condenação por danos morais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em decorrência do episódio conhecido como “caso PowerPoint”, ocorrido durante a Operação Lava Jato em 2016. O valor, já incluídos os honorários advocatícios e atualização monetária, foi depositado em conta vinculada ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) no dia 27 de novembro, e deverá ser transferido a Lula nos próximos dias. 

A determinação de pagamento da indenização havia sido estabelecida pelo TJ-SP em julho de 2025, que fixou inicialmente a obrigação de Dallagnol quitar R$ 135,4 mil no prazo de 15 dias sob pena de aplicação de multa de 10% e honorários adicionais. Com a correção monetária e juros, o montante final atingiu quase R$ 147 mil. 


Origens do processo

O caso remonta a setembro de 2016, quando Dallagnol, então coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, concedeu entrevista coletiva em que utilizou uma apresentação em PowerPoint para expor a denúncia contra Lula no caso do triplex do Guarujá. Na apresentação, ele vinculou o nome do petista a 14 tópicos ligados a supostos crimes, usando termos como “comando” e “propinocracia”, e afirmou que a propina atribuída ao ex-presidente ultrapassaria R$ 3 milhões. 

O então advogado de Lula, Cristiano Zanin — hoje ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) — entrou com ação por danos morais no mesmo ano, alegando que a apresentação extrapolou os limites funcionais e configurou ofensa à honra e à reputação do presidente. Nas instâncias iniciais, o pedido de Lula foi rejeitado, mas foi revertido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2022, que condenou Dallagnol ao pagamento de R$ 75 mil, por maioria de votos. 

O STJ entendeu que o uso de linguagem não técnica e qualificações desabonadoras na entrevista caracterizou “excesso” no exercício da função. Lula recorreu após ter seu pedido negado em instâncias inferiores, pleiteando inicialmente R$ 1 milhão em indenização. 


Repercussões e posicionamentos

Nas redes sociais, Dallagnol afirmou que arrecadou recursos via doações de mais de 12 mil pessoas via Pix para viabilizar o pagamento. Segundo ele, os valores doados chegaram a cerca de R$ 835 mil após aplicação financeira, e o excedente (aproximadamente R$ 688 mil) foi destinado a hospitais filantrópicos que atendem crianças com câncer e transtorno do espectro autista (TEA). 

O ex-procurador tem reafirmado que não se arrepende da apresentação em PowerPoint, chegando a declarar que “faria de novo mil vezes” a atuação, sustentando que agiu com base em evidências e na busca por responsabilização de corrupção. 

O “caso PowerPoint” é uma das controvérsias mais emblemáticas envolvendo a Lava Jato, gerando debates sobre limites da atuação de procuradores, juízo de culpa antecipado e conflitos entre estratégias de divulgação midiática e garantias constitucionais de presunção de inocência e honra das pessoas investigadas. A decisão definitiva de indenização pela Justiça brasileira marca um ponto importante nas discussões sobre responsabilização e reparação em casos de abuso acusatório. 

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Rio de Janeiro reconhece casamento religioso da Umbanda e do Candomblé com efeitos civis

Governador sanciona lei que reconhece casamentos realizados em cultos de religião de matriz africana no Rio de Janeiro - foto de reprodução 

Por Marcos Vinicius 

Religião: O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), sancionou nesta segunda-feira (15) uma lei que passa a reconhecer oficialmente os casamentos realizados no âmbito da Umbanda e do Candomblé. A proposta é de autoria do deputado estadual Átila Nunes (PSD) e confere ao ato matrimonial valor religioso, social e cultural, com possibilidade de posterior reconhecimento civil.

A nova legislação considera como autoridades religiosas aptas a celebrar esses casamentos os babalorixás, ialorixás, pais e mães de santo, sacerdotes, sacerdotisas, chefes de terreiro e demais lideranças espirituais tradicionalmente reconhecidas pelas comunidades dessas religiões, desde que atuem de forma notória em terreiros, templos ou espaços religiosos.

Para que a cerimônia religiosa possa produzir efeitos civis, será necessária a emissão de uma declaração formal da celebração, elaborada pela autoridade religiosa. O documento deverá conter informações obrigatórias, como nome completo, número de identidade, CPF e endereço dos noivos; data, local e horário da cerimônia; identificação completa do celebrante; nome e identificação do terreiro ou casa religiosa onde ocorreu o rito; além das assinaturas da autoridade religiosa e de, no mínimo, duas testemunhas da comunidade.

Essa declaração poderá ser apresentada ao Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais competente, acompanhada dos demais documentos exigidos pela legislação federal vigente. O objetivo da medida é reforçar princípios constitucionais como a liberdade religiosa, a dignidade da pessoa humana, a igualdade, a liberdade de associação e a valorização da diversidade cultural.

Segundo o deputado Átila Nunes, o Rio de Janeiro se torna o primeiro estado brasileiro a instituir uma norma que assegura efeitos civis aos casamentos celebrados na Umbanda e no Candomblé. Para ele, a iniciativa representa um avanço histórico no reconhecimento das religiões de matriz africana no país.

“O significado dessa lei é enorme. Durante muito tempo, algo assim seria inimaginável. Tenho convicção de que essa iniciativa servirá de referência para outros estados. É um novo capítulo na história das religiões afro-brasileiras, que hoje ocupam posição de destaque no cenário religioso nacional”, afirmou o parlamentar.

Durante a sanção, o governador vetou o artigo que previa punições às serventias extrajudiciais que recusassem, de forma discriminatória, o recebimento ou o processamento da documentação desses casamentos. De acordo com Castro, esse ponto extrapola a competência do Estado, já que a legislação sobre registros públicos é atribuição exclusiva da União.

Também foi vetado o trecho que autorizava os Poderes Executivo e Judiciário a promover campanhas educativas, capacitações de agentes públicos e notariais, além de ações de valorização das expressões culturais e religiosas da Umbanda e do Candomblé. Segundo o governador, o dispositivo violaria o princípio da separação dos Poderes ao impor a adoção de políticas públicas específicas pelo Executivo.

Mesmo com os vetos, a sanção da lei é considerada um marco no combate à intolerância religiosa e no fortalecimento do reconhecimento institucional das tradições afro-brasileiras no estado do Rio de Janeiro.

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Escândalo Bancário no Brasil: “Barco de Papel” e as Complexas Relações do Banco Master com Políticos e Governos

O Caso Banco Master já se configura como um dos maiores escândalos financeiros dos últimos anos. Foto de Arquivo, reprodução. Por Cleide Gam...