Por Evandro Brasil | @evandrobrasil.oficial
Opinião: Vivemos uma inflexão histórica na arena política brasileira. O debate público deixou de ocorrer prioritariamente nos parlamentos, nas universidades e nos jornais impressos. Hoje, ele se estrutura majoritariamente nos ambientes digitais — espaços mediados por algoritmos, impulsionamentos e dinâmicas emocionais.
Plataformas como Facebook, Instagram, YouTube e X tornaram-se verdadeiros territórios de disputa simbólica. Quem compreende sua lógica domina a narrativa. Quem a ignora, torna-se refém dela.
A hegemonia digital da extrema direita
Nos últimos anos, setores da extrema direita demonstraram notável capacidade de adaptação ao ecossistema digital. Entenderam rapidamente que a arena contemporânea não é apenas ideológica — é algorítmica.
Operam com:
✓ Linguagem simples e emocional.
✓ Mensagens curtas e altamente compartilháveis.
✓ Redes coordenadas de engajamento.
✓ Uso intensivo de vídeos curtos e cortes estratégicos.
✓ Narrativas polarizadoras que mobilizam identidade.
Essa estratégia não surgiu por acaso. Ela compreendeu algo fundamental: o algoritmo privilegia engajamento, e engajamento é frequentemente movido por emoção — não por racionalidade técnica.
O Cunctatório progressista
Enquanto isso, setores progressistas frequentemente assumem postura reativa. Respondem a pautas já estabelecidas, tentam corrigir desinformações após sua viralização e mantêm linguagem excessivamente técnica em ambientes que operam por síntese.
Esse fenômeno pode ser denominado “Cunctatório” — termo derivado do latim cunctator, associado a Quinto Fábio Máximo, general romano conhecido por sua estratégia de retardamento e desgaste do inimigo.
No contexto atual, o cunctatório deixa de ser virtude estratégica e passa a representar:
✓ Hesitação comunicacional.
✓ Lentidão decisória.
✓ Subestimação do ambiente digital.
✓ Incapacidade de disputar narrativa em tempo real.
Em uma arena acelerada, a demora equivale à derrota simbólica.
O Alcantil em que navegamos
Vivemos um “alcantil” digital — um terreno escarpado, instável, permeado por riscos reputacionais e ataques coordenados. Não se trata de águas calmas. Trata-se de um ambiente de alta volatilidade informacional.
Navegar nesse cenário exige:
✓ Profissionalização da comunicação.
✓ Compreensão técnica dos algoritmos.
✓ Produção de narrativas mobilizadoras.
✓ Integração entre militância, intelectuais e estrategistas digitais.
✓ Velocidade de resposta e coordenação.
✓ Não basta ter razão técnica. É preciso ter eficácia comunicacional.
Içar as velas: a necessidade de uma virada estratégica
Içar as velas significa abandonar a postura defensiva e assumir protagonismo narrativo. Significa compreender que a disputa política contemporânea é também uma disputa de atenção.
Isso implica:
✓ Traduzir complexidade em clareza.
✓ Produzir conteúdo com estética contemporânea.
✓ Formar quadros capacitados em comunicação digital.
✓ Utilizar dados e métricas como instrumentos estratégicos.
✓ A política do século XXI não se faz apenas com ideias — faz-se com estratégia de circulação dessas ideias.
Por fim, podemos concluir que a questão central não é ideológica, mas estrutural: quem dominar os ambientes digitais moldará a percepção coletiva da realidade.
O Cunctatório precisa ser superado. O Alcantil precisa ser atravessado. As velas precisam ser içadas.
A disputa não é apenas por votos. É por narrativa. É por hegemonia. É por futuro.
Evandro Brasil é professor, pedagogo, profissional em SST, contabilista e estudioso no campo da biomedicina. Pós-graduado em microbiologia; gerontologia; e estética. Evandro é membro do partido Cidadania23 RJ. @evandrobrasil.oficial | evandrobrasil.blogspot.com
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