segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Divisões no “Bolsonarismo”: Família e aliados em choque enquanto eleição de 2026 se aproxima

Jair Bolsonaro está preso na Papudinha. Ele foi julgado e condenado a 27 anos de prisão. Seu filho Flávio anunciou que vai disputar as eleições para dar continuidade ao trabalho de seu pai. Foto de reprodução - Gazeta do Povo.


Por Marcos Vinicius| Redação Jornal O Folhão 

Brasília – O que era esperado ser a convergência de um núcleo político para as eleições de 2026 transformou-se em uma sequência de atritos internos entre integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados próximos, abrindo fissuras que reacendem debates sobre liderança, estratégia e lealdade dentro do bolsonarismo.


Crise aberta por Michelle Bolsonaro

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), figura tradicionalmente associada ao núcleo familiar e à base bolsonarista, tomou nos últimos meses uma postura que expõe tensões claras com membros do próprio clã. Decidiu não participar ativamente da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o principal nome hoje associado ao legado político de Bolsonaro para 2026, comunicando sua decisão mesmo após diálogo com o ex-presidente. 

Esse distanciamento foi interpretado por aliados de Flávio e por aliados do bolsonarismo tradicional como um sinal de divisão estratégica. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, chegou a criticar tanto Michelle quanto o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) por não apoiarem com afinco a candidatura presidencial do senador, chegando a dizer que ambos tinham “amnésia” em relação à campanha. 

Por sua vez, Nikolas rebateu as críticas e negou que ele ou Michelle estivessem com “amnésia”, defendendo o posicionamento deles e destacando a necessidade de priorizar questões maiores, como o estado de saúde de Jair Bolsonaro e a situação nacional sob o governo Lula. 



Reações da família e disputa por espaço

A reação dos filhos de Bolsonaro não se limitou a críticas verbais. Em episódios anteriores, Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro — três dos filhos mais politicamente ativos — se colocaram contrários a posicionamentos públicos de Michelle, especialmente quando ela teceu críticas a alianças consideradas estratégicas pelo PL. Isso gerou reuniões internas de emergência no partido e debates acalorados sobre a direção da agenda eleitoral. 

Em um dos episódios mais emblemáticos, Michelle bateu de frente com a movimentação do PL em apoio ao ex-governador Ciro Gomes em um Estado do Nordeste, o que desencadeou uma reação imediata dos filhos e de setores partidários que defendiam a estratégia. 

Embora Flávio tenha buscado minimizar certas críticas e afirmado que não cobraria apoio, a situação evidencia que há mais do que um simples “descompasso”: existe uma ativa disputa por narrativa e protagonismo dentro do movimento bolsonarista, potencialmente agravada pela ausência física do líder máximo — Bolsonaro está atualmente preso na Papudinha (Brasília) após condenação por tentativa de golpe à democracia. 



Contexto eleitoral e forças externas ao clã

Especialistas em política destacam que essa fragmentação vai além de conflitos familiares. Com a eleição presidencial de 2026 se aproximando e a contra-hegemonia ao governo do Luiz Inácio Lula da Silva, aliados históricos e ex-bolsonaristas vêm recalibrando suas posições. Alguns militantes conservadores, que antes se alinhavam fielmente à família, agora criticam a incapacidade de formar alianças mais amplas ou de manter unidade em torno de um projeto político consistente.

Além disso, membros que já integraram estruturas de apoio ao bolsonarismo — como o ex-aliado e deputado Alexandre Frota ou a ex-deputada Joice Hasselmann, que denunciaram práticas como as chamadas “milícias digitais” durante o governo — têm ressaltado que a fragmentação atual é reflexo de uma ausência de liderança clara e de um grupo que falha em conciliar interesses pessoais com objetivos coletivos. 



E as acusações que cercam Flávio Bolsonaro?

Não se pode dissociar as tensões internas do pano de fundo judicial que acompanha a família. O senador Flávio Bolsonaro tem sido historicamente ligado ao caso conhecido como “rachadinha” — um esquema investigado pelo Ministério Público e pela Justiça que envolvia supostas irregularidades na devolução de parte do salário de assessores ao então parlamentar quando este era deputado estadual no Rio de Janeiro. Movimentações financeiras atípicas e outras operações levantadas pelo conselho fiscalizador levantaram suspeitas de lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa, e culminaram em investigações e denúncias no tribunal do Rio. 

Embora algumas decisões judiciais tenham anulado provas ou questionado a condução do caso, o episódio permanece como um elemento que acompanha a carreira política de Flávio e é frequentemente utilizado por críticos para questionar sua integridade e aptidão para liderar um projeto nacional. 

O bolsonarismo, enquanto movimento político, demonstra hoje um mosaico de vozes muitas vezes dissonantes. A disputa interna entre Michelle Bolsonaro e membros diretos da família, as críticas de Eduardo Bolsonaro a aliados que divergem de sua estratégia, e o debate mais amplo entre ex-bolsonaristas e apoiadores históricos revelam uma crise de coesão. Essa disputa, longe de ser apenas familiar, tem implicações diretas no fortalecimento ou fragilização de um bloco político que, até poucos anos atrás, parecia invencível no espectro conservador brasileiro.

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