terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Escândalo na Sefaz-SP expõe fragilidades no controle do governo Tarcísio

 

Governador Tarcísio de Freitas tem sua gestão manchada com mais um escândalo de corrupção na sua administração no governo do Estado de São Paulo - Foto de reprodução, Infomoney 

Por Marcelo Procópio | Redação Jornal O Folhão 

São Paulo: Um esquema bilionário de corrupção investigado no âmbito da Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo (Sefaz-SP) colocou em xeque a capacidade do governo Tarcísio de Freitas de prevenir e conter desvios dentro da administração estadual. As apurações, conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo, indicam a existência de um esquema estruturado para concessão irregular de créditos de ICMS, com suspeitas de pagamento de propinas que podem ultrapassar a casa do bilhão de reais.

O caso veio à tona com a Operação Ícaro, que resultou na prisão e no afastamento de auditores fiscais, além da investigação de empresários ligados a grandes empresas do varejo. Segundo o MP, servidores públicos teriam utilizado brechas normativas e falhas de controle para acelerar e liberar créditos tributários de forma ilegal, causando prejuízo direto aos cofres públicos.

Diante da repercussão, o governo estadual anunciou exonerações, afastamentos e a revisão de normas internas que simplificavam o ressarcimento de ICMS. Apesar das medidas, críticos avaliam que elas ocorreram apenas após a revelação do esquema, levantando dúvidas sobre a eficácia da governança e dos mecanismos de controle durante a gestão atual.

Para o professor de administração pública e especialista em controle governamental, Carlos Menezes, o episódio “revela fragilidades sérias na estrutura de fiscalização do Estado”. Segundo ele, “não basta reagir depois do escândalo; a prevenção exige sistemas robustos, transparência ativa e auditorias independentes permanentes”.

A percepção popular também é de desconfiança. A auxiliar de serviços gerais Maria Aparecida, moradora da zona leste da capital, afirma que “o cidadão paga imposto caro e espera que o governo cuide do dinheiro. Quando surge um caso desses, parece que ninguém estava olhando”. Já o comerciante João Ribeiro questiona a liderança do Executivo: “Se isso aconteceu dentro da Fazenda, como confiar que outros setores estão livres de problemas?”.

Na Assembleia Legislativa, parlamentares da oposição defendem a ampliação das investigações e discutem a instalação de uma CPI para apurar responsabilidades políticas e administrativas. O argumento central é que, mesmo que não haja prova de envolvimento direto do governador, cabe ao chefe do Executivo garantir estruturas capazes de impedir esquemas desse porte.

O Palácio dos Bandeirantes sustenta que colaborou com as investigações e reforçou os controles internos, reiterando o discurso de tolerância zero com a corrupção. Ainda assim, o caso da Sefaz-SP deixa uma marca incômoda no governo Tarcísio: a de que falhas internas permitiram a atuação de um esquema milionário sem detecção prévia.

Para analistas, o desfecho das investigações e a adoção de medidas estruturais — e não apenas corretivas — serão decisivos para avaliar se o governo conseguirá recuperar a confiança da população e demonstrar capacidade real de impedir novos episódios de corrupção na máquina pública paulista.

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