
Governador Tarcísio de Freitas tem sua gestão manchada com mais um escândalo de corrupção na sua administração no governo do Estado de São Paulo - Foto de reprodução, Infomoney
Por Marcelo Procópio | Redação Jornal O Folhão
São Paulo: Um esquema bilionário de corrupção investigado no âmbito da Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo (Sefaz-SP) colocou em xeque a capacidade do governo Tarcísio de Freitas de prevenir e conter desvios dentro da administração estadual. As apurações, conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo, indicam a existência de um esquema estruturado para concessão irregular de créditos de ICMS, com suspeitas de pagamento de propinas que podem ultrapassar a casa do bilhão de reais.
O caso veio à tona com a Operação Ícaro, que resultou na prisão e no afastamento de auditores fiscais, além da investigação de empresários ligados a grandes empresas do varejo. Segundo o MP, servidores públicos teriam utilizado brechas normativas e falhas de controle para acelerar e liberar créditos tributários de forma ilegal, causando prejuízo direto aos cofres públicos.
Diante da repercussão, o governo estadual anunciou exonerações, afastamentos e a revisão de normas internas que simplificavam o ressarcimento de ICMS. Apesar das medidas, críticos avaliam que elas ocorreram apenas após a revelação do esquema, levantando dúvidas sobre a eficácia da governança e dos mecanismos de controle durante a gestão atual.
Para o professor de administração pública e especialista em controle governamental, Carlos Menezes, o episódio “revela fragilidades sérias na estrutura de fiscalização do Estado”. Segundo ele, “não basta reagir depois do escândalo; a prevenção exige sistemas robustos, transparência ativa e auditorias independentes permanentes”.
A percepção popular também é de desconfiança. A auxiliar de serviços gerais Maria Aparecida, moradora da zona leste da capital, afirma que “o cidadão paga imposto caro e espera que o governo cuide do dinheiro. Quando surge um caso desses, parece que ninguém estava olhando”. Já o comerciante João Ribeiro questiona a liderança do Executivo: “Se isso aconteceu dentro da Fazenda, como confiar que outros setores estão livres de problemas?”.
Na Assembleia Legislativa, parlamentares da oposição defendem a ampliação das investigações e discutem a instalação de uma CPI para apurar responsabilidades políticas e administrativas. O argumento central é que, mesmo que não haja prova de envolvimento direto do governador, cabe ao chefe do Executivo garantir estruturas capazes de impedir esquemas desse porte.
O Palácio dos Bandeirantes sustenta que colaborou com as investigações e reforçou os controles internos, reiterando o discurso de tolerância zero com a corrupção. Ainda assim, o caso da Sefaz-SP deixa uma marca incômoda no governo Tarcísio: a de que falhas internas permitiram a atuação de um esquema milionário sem detecção prévia.
Para analistas, o desfecho das investigações e a adoção de medidas estruturais — e não apenas corretivas — serão decisivos para avaliar se o governo conseguirá recuperar a confiança da população e demonstrar capacidade real de impedir novos episódios de corrupção na máquina pública paulista.
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