domingo, 1 de fevereiro de 2026

Do traço de Niemeyer ao concreto no chão: as obras que marcaram Duque de Caxias

 


Por Cleide Gama | Jornal O Folhão 

Duque de Caxias: No final da década de 1990, Duque de Caxias passou a integrar, ainda que tardiamente, o mapa da arquitetura brasileira assinada por Oscar Niemeyer, um dos maiores nomes da arquitetura mundial. Em um município historicamente marcado pela força do trabalho e por profundas desigualdades sociais, o arquiteto projetou três obras que simbolizavam cultura, conhecimento e dignidade: o Teatro Municipal Raul Cortez, a Biblioteca Pública Municipal Governador Leonel de Moura Brizola e o Monumento Movimento do Trabalhador.

O projeto nasceu em um contexto de tentativa de requalificação urbana do centro da cidade, especialmente da Praça do Pacificador, área simbólica e de grande circulação popular. A proposta, à época, era clara: levar equipamentos culturais de alto nível ao coração da Baixada Fluminense, rompendo com a lógica histórica que concentrava grandes obras apenas na capital.



Cultura no centro da cidade

Inaugurada em 2004, a Biblioteca Leonel Brizola tornou-se rapidamente um dos principais polos de leitura e formação cultural do município. Com acervo diversificado, atividades educativas e projetos voltados para estudantes da rede pública, o espaço passou a ser frequentado por crianças, jovens e adultos.

Foi aqui que eu li meu primeiro livro inteiro”, conta Maria das Dores, moradora do bairro Jardim 25 de Agosto. “A biblioteca sempre foi um espaço aberto, acolhedor, diferente de tudo que a gente tinha na cidade.”

Dois anos depois, em 2006, foi inaugurado o Teatro Municipal Raul Cortez, também assinado por Niemeyer. Com capacidade para cerca de 440 pessoas e um projeto arquitetônico que dialoga com a praça, o teatro consolidou-se como um dos principais palcos culturais da Baixada Fluminense, recebendo peças, shows, formaturas e eventos institucionais.

Para o produtor cultural Carlos Henrique Silva, o teatro “representou uma virada simbólica”.

Duque de Caxias passou a receber espetáculos que antes só iam ao Centro do Rio. Isso tem um impacto direto na autoestima da população.”



O monumento ao trabalhador

Entre as obras, o Monumento Movimento do Trabalhador talvez fosse a mais simbólica. Localizado às margens da Rodovia Washington Luís, o monumento homenageava a classe trabalhadora — base histórica da cidade, conhecida como cidade-dormitório por décadas.

Monumento "Movimento do Trabalhador" erguido por Orcar Niemayer que foi demolido pelo prefeito Netinho Reis - foto de reprodução TV Prefeito.


Críticos de arte destacavam o valor estético e político da obra. Segundo a arquiteta e urbanista Helena Motta, “o monumento dialogava diretamente com a identidade de Caxias. Era uma obra que falava de gente comum, de quem construiu a cidade com o próprio suor”.



Demolição e polêmica

No final de janeiro de 2026, a história desse conjunto sofreu um abalo irreversível. A Prefeitura de Duque de Caxias, sob a gestão do prefeito Netinho Reis, determinou a demolição do Monumento "Movimento do Trabalhador", alegando a necessidade de instalação de uma estrutura de monitoramento urbano com câmeras e tecnologia de segurança.

A decisão foi tomada sem consulta pública e gerou forte reação de moradores, artistas, arquitetos e defensores do patrimônio cultural. Embora o monumento não tivesse tombamento oficial, especialistas afirmam que sua relevância histórica e artística justificava debate amplo antes de qualquer intervenção.

Não é só concreto que foi ao chão, foi um pedaço da nossa memória”, afirma o comerciário João Batista, que trabalha há 30 anos próximo ao local onde o monumento estava instalado.

Nas redes sociais e em manifestações públicas, críticos acusaram a gestão municipal de desprezo pelo patrimônio cultural e de promover o apagamento simbólico da história da cidade. Para muitos, a demolição revela uma visão utilitarista do espaço urbano, onde cultura e memória são vistas como obstáculos, e não como valores.

O professor Evandro Brasil ao ser consultado nos trouxe a seguinte informação: “Na maioria das cidades do mundo, se houvesse um monumento assinado por Oscar Niemeyer, o gestor público faria exatamente o contrário do que foi feito em Duque de Caxias pelo prefeito Netinho Reis: desapropriaria imóveis do entorno, reorganizaria o espaço urbano e garantiria visibilidade máxima à obra. Aqui, infelizmente, o prefeito optou por destruir um patrimônio de valor histórico, cultural e simbólico inestimável. Essa decisão revela não apenas falta de sensibilidade, mas um profundo desconhecimento do que representa Niemeyer para a arquitetura mundial e para a memória coletiva da cidade.”

“Esse episódio também escancara a negligência do Poder Legislativo local. Os 29 vereadores, assim como os deputados estaduais e federais que representam Duque de Caxias, falharam gravemente ao não criarem mecanismos legais de proteção para esses monumentos. A ausência de leis de preservação demonstra ignorância institucional e descompromisso com a história do município. Quando o Parlamento se omite, abre-se caminho para decisões arbitrárias que empobrecem culturalmente a cidade.” Concluiu o professor Evandro em tom de profunda indignação.



Entre legado e abandono

Enquanto o teatro e a biblioteca seguem funcionando — ainda que enfrentando desafios de manutenção e investimento — a demolição do monumento reacendeu um debate antigo: quem decide o que deve ser preservado em Duque de Caxias?

Para a professora e historiadora Ana Lúcia Ferreira, o episódio deixa uma lição amarga.

Quando uma cidade destrói sua própria memória, ela empobrece culturalmente. O legado de Niemeyer em Caxias deveria ser ampliado e protegido, não reduzido a escombros.”

A história das obras de Oscar Niemeyer em Duque de Caxias é, hoje, também a história de escolhas políticas. Entre o traço do arquiteto e o concreto demolido, permanece a pergunta que ecoa entre os moradores: qual cidade estamos construindo para o futuro?

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Escândalo Bancário no Brasil: “Barco de Papel” e as Complexas Relações do Banco Master com Políticos e Governos

O Caso Banco Master já se configura como um dos maiores escândalos financeiros dos últimos anos. Foto de Arquivo, reprodução.

Por Cleide Gama, Redação Jornal O Folhão 

Fraude Bancária: Nesta sexta-feira (23), a Polícia Federal deflagrou a Operação Barco de Papel, um novo e significativo capítulo do que já se tornou um dos maiores escândalos financeiros recentes do país: o Caso Banco Master. A ação mira aplicações suspeitas feitas pelo Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro, e amplia a dimensão política e institucional de uma crise que envolve cifras bilionárias e diversas estruturas do poder público e privado. 



O que é a Operação Barco de Papel

A Operação Barco de Papel cumpre mandados de busca e apreensão contra o presidente do Rioprevidência e outros diretores, no âmbito das investigações sobre aproximadamente R$ 970 milhões aplicados em títulos do Banco Master entre novembro de 2023 e julho de 2024. Esses recursos pertencem ao fundo que administra aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores estaduais. 

A PF investiga nove transações que, segundo as autoridades, teriam exposto indevidamente recursos previdenciários a produtos financeiros considerados de alto risco, incompatíveis com a finalidade da autarquia de proteger o futuro dos beneficiários. Além de gestão fraudulenta e desvio de recursos, estão sendo apurados os crimes de fraude à fiscalização, indução ao erro de repartições públicas, associação criminosa e corrupção passiva. 



Banco Master e o contexto mais amplo das investigações

O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025, por determinação do Banco Central, após uma grave crise de liquidez e indícios de irregularidades na emissão de títulos e ativos financeiros. Relatórios internos e investigações paralelas apontam que o banco pode ter operado com aproximadamente R$ 11,5 bilhões em práticas suspeitas, incluindo a emissão de produtos utilizados para captar recursos junto a fundos públicos e privados. 

Vorcaro chegou a ser preso preventivamente no ano passado e, após ser solto com tornozeleira eletrônica, segue sob investigação. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) quebraram sigilos bancários e fiscais de mais de 100 pessoas e entidades no caso, em diligências autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 



Relações com políticos e governos

Um dos elementos que mais chamam atenção no escândalo é a teia de conexões entre o grupo do Banco Master e figuras públicas no cenário político brasileiro.

Embora o foco da Operação Barco de Papel seja o Rioprevidência, a investigação decorre de um contexto em que fundos de pensão de diversos estados e municípios — incluindo o do Rio — fizeram aplicações significativas no banco antes de sua falência. Em levantamentos independentes, outros fundos municipais também ficaram expostos a títulos do Master, com valores que, somados, podem ultrapassar R$ 2 bilhões — incluindo cidades de São Paulo, Mato Grosso do Sul e outras regiões. 

A exposição de entidades públicas a títulos do banco colocou sob escrutínio os responsáveis por decisões de investimento em governos estaduais e municipais, especialmente em um cenário em que órgãos de controle como o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro já haviam alertado, em 2024 e 2025, para irregularidades e elevado risco das operações. Mesmo após esses alertas, os aportes continuaram, o que agora é objeto de investigação mais detalhada. 



Implicações políticas e institucionais

O caso transcende aspectos financeiros e compromete relações institucionais. A investigação se aproxima de figuras indicadas por governos, gerando questionamentos sobre a governança no uso de recursos públicos. A atuação de gestores estaduais e a responsabilidade de governadores que nomearam dirigentes ao Rioprevidência estão no radar de partidos de oposição e de órgãos de controle social, que exigem maior transparência e consequências políticas. 

Além disso, o caso levantou debates sobre a regulação do sistema financeiro nacional, o papel do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a necessidade de revisão de regras que permitam que instituições de menor porte exponham fundos públicos a riscos elevados. 

Em meio à crise, o FGC já iniciou o pagamento de valores a clientes do Master que tinham depósitos garantidos — até o limite legal —, aliviando parcialmente o impacto para pequenos investidores. Porém, recursos aplicados por fundos de pensão como o Rioprevidência não contam com essa garantia, deixando em aberto a dimensão dos prejuízos potenciais. 

O Caso Banco Master já se configura como um dos maiores escândalos financeiros dos últimos anos, misturando fraudes bancárias, investimentos públicos de risco, relações políticas e falhas de governança. A Operação Barco de Papel representa mais um esforço das autoridades brasileiras para esclarecer o que aconteceu com quase R$ 1 bilhão em recursos previdenciários e para responsabilizar gestores públicos e privados que, sob suspeita, colocaram em risco a segurança financeira de servidores públicos e investidores. 

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Brasil volta à elite do automobilismo: Bortoleto lidera nova geração na Fórmula 1 em 2026

 

O piloto brasileiro Gabriel Bortoleto é confirmado como piloto titular da equipe Audi - Foto de reprodução CNN 

Por Marcos Vinicius, Redação O Folhão

Após anos de ausência de protagonismo brasileiro na principal categoria do automobilismo mundial, o Brasil volta a ter representação direta na Formula 1 em 2026. O nome que simboliza esse retorno é Gabriel Bortoleto, confirmado como piloto titular da equipe Audi F1 Team (ex-Sauber), que estreia oficialmente como escuderia de fábrica no novo ciclo técnico da categoria.

A entrada da Audi marca uma nova fase da Fórmula 1, impulsionada pela mudança de regulamentos de motores em 2026, que priorizam sustentabilidade, eficiência energética e novas tecnologias híbridas. Nesse contexto, a escolha de Bortoleto não é apenas esportiva, mas também estratégica: ele representa juventude, potencial de marketing global e abertura de mercado na América Latina.



Novo eixo de poder na Fórmula 1

Fontes ligadas ao paddock europeu indicam que a Audi vem estruturando um centro técnico próprio e ampliando investimentos em engenharia de performance, inteligência artificial e simulação aerodinâmica. O projeto prevê integração direta entre fábrica, pista e desenvolvimento tecnológico, o que coloca Bortoleto em um ambiente altamente competitivo desde sua consolidação como titular.

Além disso, a categoria passa por uma reconfiguração geopolítica do automobilismo, com entrada de novas montadoras, novas equipes e expansão comercial fora do eixo tradicional Europa-EUA, o que fortalece países emergentes no esporte — incluindo o Brasil.



Outros brasileiros no radar da F1

Outro nome relevante é Pietro Fittipaldi, que integra o projeto da Cadillac F1 Team, equipe que estreia na Fórmula 1 em 2026. Embora não esteja no grid principal, sua função como piloto de desenvolvimento e testes o coloca dentro da estrutura técnica da categoria, com acesso direto aos novos carros e tecnologias.

Já Felipe Drugovich, campeão da Fórmula 2, segue fora do grid titular. Apurações indicam que sua ausência não se deve a desempenho esportivo, mas a fatores políticos e econômicos do paddock, como patrocínios, interesses comerciais e alinhamentos estratégicos entre equipes e fabricantes, o que continua sendo uma barreira histórica para pilotos latino-americanos.



Novas informações de bastidores

Informações obtidas por O Folhão apontam que:

A Audi avalia o Brasil como mercado prioritário de expansão comercial da marca no esporte, o que fortalece o projeto em torno de Bortoleto.

Existe um movimento interno na F1 para ampliar presença na América do Sul nos próximos anos, inclusive com novas negociações de corridas, centros de formação de pilotos e academias regionais.

A entrada da Cadillac e da Audi redefine o equilíbrio de forças na categoria, reduzindo o domínio histórico de poucas equipes e criando novas oportunidades de ascensão para jovens talentos.



Muito além da pista

O retorno de um brasileiro ao grid não é apenas simbólico: representa impacto econômico, cultural e esportivo. A Fórmula 1 é hoje uma das maiores plataformas globais de mídia, tecnologia e negócios. Ter um brasileiro como protagonista significa visibilidade internacional, fortalecimento da base do automobilismo nacional e inspiração para uma nova geração de pilotos.

Depois de anos de ausência, o Brasil volta a ser parte ativa da elite do esporte a motor. E, desta vez, não apenas como coadjuvante, mas inserido em projetos estruturantes do futuro da Fórmula 1.

O Brasil está de volta à Fórmula 1 — e o futuro já começou. 🏁🇧🇷

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Desgoverno em xeque: as responsabilidades de Cláudio Castro no escândalo do Banco Master

Falhas graves na gestão dos recursos do governo do Estado do Rio de Janeiro pode incorrer em crime de responsabilidade ao governador Cláudio Castro - foto de reprodução Agência Brasil 

Por Marcelo Procópio 

Política: Os investimentos do Rioprevidência em ativos ligados ao Banco Master escancararam um problema maior do que uma decisão financeira mal calculada: revelaram falhas graves de gestão, fiscalização e responsabilidade política no governo Cláudio Castro. Em jogo estão recursos que garantem aposentadorias e pensões de milhares de servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro.

Relatórios e alertas de órgãos de controle indicam que as aplicações envolviam alto risco, sem a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), característica incompatível com a natureza previdenciária dos recursos. Ainda assim, os aportes seguiram adiante. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) chegou a emitir alertas formais, questionando a segurança e a razoabilidade dessas operações. Ignorar tais advertências, afirmam especialistas, pode configurar gestão temerária.

Como chefe do Executivo, Cláudio Castro é o responsável político máximo pela condução do Rioprevidência. Cabe ao governador nomear dirigentes, estabelecer diretrizes e assegurar que decisões estratégicas sigam critérios técnicos e legais. Para o cientista político Carlos Melo, “quando um governo desconsidera alertas técnicos e expõe recursos previdenciários a riscos elevados, a responsabilidade política é direta. Não se trata de erro pontual, mas de método”.

Na Assembleia Legislativa, o caso acirrou o debate. Deputados de oposição defendem investigações profundas. Para o deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), “é inadmissível que o dinheiro de aposentados seja tratado como capital especulativo. Houve omissão do governo e falha grave de fiscalização”. Parlamentares também questionam o papel da base aliada, que, segundo eles, não exerceu com rigor sua função fiscalizatória.

Especialistas em finanças públicas são unânimes ao apontar que fundos previdenciários devem priorizar segurança e liquidez, não rentabilidade agressiva. A economista e professora de políticas públicas Laura Carvalho avalia que “o caso evidencia um descompasso entre a boa prática de gestão previdenciária e as decisões adotadas. Quando isso ocorre, a conta costuma recair sobre o contribuinte e o servidor”.

O governo afirma que os pagamentos estão garantidos e que medidas estão sendo adotadas para mitigar riscos. No entanto, a crise de confiança já está instalada. Para analistas, mesmo que não haja perda total dos recursos, o episódio deixa marcas profundas na credibilidade da gestão estadual.

O caso Banco Master não é apenas um problema contábil. Ele simboliza um desgoverno que falha em proteger o futuro de quem dedicou a vida ao serviço público. A sociedade fluminense cobra respostas, transparência e, sobretudo, responsabilização política. O silêncio ou a minimização dos fatos apenas reforçam a percepção de que, no Rio de Janeiro, a previdência segue sendo tratada como aposta — quando deveria ser compromisso.

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sábado, 17 de janeiro de 2026

Tiroteio e Terror em Duque de Caxias: Sargento Bruno Souza é Morto ao Reagir a Assalto e Cidade Clama por Segurança

 

3° sargento da Polícia Militar Bruno Dantas de Souza foi maus uma vítima da ausência de segurança pública na cidade de Duque de Caxias - Foto de reprodução O Dia.

Por Marcelo Procópio 

Violência: O 3º sargento da Polícia Militar Bruno Dantas de Souza foi morto a tiros na tarde desta sexta-feira (16) no bairro Parada Morabi, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. De acordo com a corporação, o agente reagiu a uma tentativa de assalto quando foi atingido por disparos. Ele chegou a ser socorrido por moradores e levado ao Hospital Adão Pereira Nunes, mas não resistiu aos ferimentos.

Bruno estava lotado no programa Segurança Presente e era conhecido como um ativista comunitário, atuando frequentemente em ações de zeladoria urbana e mobilização por melhorias no bairro. Horas antes de ser baleado, ele havia publicado um vídeo cobrando a limpeza de uma via onde havia denunciado acúmulo de lixo — em mais um sinal de que sua atuação ia além das funções policiais.

Nas redes sociais, o luto tomou conta de amigos e familiares. “Gente boa demais, sempre buscando ajudar o próximo, lutando e fazendo por melhorias no bairro. Uma grande perda!”, escreveu um colega. “Vamos fazer justiça. Estou muito triste. Descanse em paz!”, lamentou um amigo.

Até o momento, não há informações oficiais sobre o local e o horário do enterro.



Segurança em Duque de Caxias: Realidade Crua

Os recentes fatos voltam a expor a dura realidade da segurança pública no município. Apesar de dados oficiais apontarem reduções significativas em índices de criminalidade em 2025, como queda de até 47,8% na letalidade violenta e 21,8% nos roubos de rua em comparação com 2024 — resultados atribuídos a ações integradas entre Prefeitura, Polícia Militar e programas estaduais como PROEIS e Segurança Presente — a sensação de insegurança ainda persiste entre moradores.

Paradoxalmente, outras análises apontam um aumento nos homicídios dolosos em partes do ano e um clima de medo que permanece nas ruas. Relatos de moradores destacam que crimes violentos — como assaltos, roubos e tiroteios — continuam a impactar a rotina da população e a confiança nas autoridades de segurança.

Além disso, Duque de Caxias lidera estatísticas preocupantes em alguns segmentos: entre janeiro e agosto de 2025, o município concentrou dezenas de ocorrências de roubo de cargas, com aumento de cerca de 55% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da Firjan.



Opinião dos Moradores

Nas ruas, a sensação de insegurança é franca. Moradores relatam que assaltos, roubos, furtos e extorsões são frequentes, e que a presença policial muitas vezes é percebida apenas em ações pontuais. Um comerciante do Centro disse: “A gente trava a porta cedo porque não dá para ficar aqui esperando alguém invadir. O medo é real”. Outra moradora do bairro Sarapuí afirmou que “não dá mais para sair sem olhar para os lados. É tiro, é assalto… parece que nunca vai melhorar”. Essas vozes ecoam um sentimento de frustração com políticas que, na visão de muitos, não transformaram a sensação de segurança cotidiana.



Atuação da Prefeitura: Entre elogios e críticas

Nos últimos anos, a gestão do prefeito Netinho Reis tem divulgado iniciativas de combate à criminalidade, como a retirada de barricadas em vias públicas, instalação de módulos de segurança e reforço na Guarda Municipal. No entanto, há críticas duras por parte de segmentos da sociedade civil e de moradores que atribuem ao gestor uma atuação “midiática e pouco efetiva”, sugerindo que muitas ações são mais publicitárias do que verdadeiras soluções estruturais.

Especialistas em segurança pública lembram que a segurança é, prioritariamente, responsabilidade do Governo do Estado do Rio de Janeiro, e que políticas municipais, por mais bem intencionadas, têm alcance limitado sem uma coordenação robusta com o aparato estadual e federativo.

Alguns críticos vão além, pedindo que a prefeitura vá além de medidas como a retirada de barricadas, que em alguns casos podem estar ligadas à dinâmica local das comunidades, e que trabalhe de forma mais estratégica com o estado para enfrentar o crime organizado e dar respostas concretas à população.



Desafio à Frente

A morte do sargento Bruno Souza não deve ser vista como um episódio isolado, mas como um alerta para a necessidade de repensar políticas de segurança pública na Baixada Fluminense. Enquanto números oficiais mostram avanços em determinados índices, a experiência diária de quem vive em Duque de Caxias aponta para um problema ainda grave e urgente.

A sociedade clama por ações mais profundas, articuladas e eficazes, que vão além do discurso político e que realmente devolvam tranquilidade às ruas e às famílias que, diariamente, convivem com o medo da violência.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Ativismo Judicial ou Garantia Legal? As Intervenções de Dias Toffoli no Caso Banco Master Acendem Alerta Institucional

Dias Tofoli, ministro da Suprema Côrte no centro de uma grande polêmica 

Por Cleide Gama, Jornal O Folhão

Judiciário: As recentes decisões do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master, provocaram um intenso debate no meio jurídico, político e institucional. O que para alguns é o exercício legítimo da função de controle e garantia de direitos, para outros já configura uma interferência direta e atípica em investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público.

Desde o avanço da chamada Operação Compliance Zero, o caso passou a chamar atenção não apenas pelo volume financeiro investigado, mas principalmente pela forma como o Judiciário passou a atuar no curso das apurações. Toffoli determinou a centralização e lacração de provas no STF, criticou publicamente a atuação da Polícia Federal, redirecionou materiais apreendidos e, em um movimento considerado incomum, ordenou a realização de uma acareação envolvendo o controlador do banco investigado, um ex-dirigente do BRB e um diretor do Banco Central — que não figura como investigado.



Medidas fora do padrão

Especialistas ouvidos pelo O Folhão afirmam que, embora o STF tenha competência para supervisionar investigações que envolvam autoridades ou questões sensíveis, o nível de detalhamento e protagonismo adotado pelo ministro foge ao padrão tradicional do processo penal brasileiro.

“O juiz é o garantidor da legalidade, não o condutor da investigação. Quando ele passa a decidir sobre a dinâmica, o ritmo e até o conteúdo das diligências, há um risco real de contaminação processual”, avalia a professora de Direito Processual Penal da UFRJ, Helena Monteiro.

Outro ponto que causou forte reação foi a exposição de um diretor do Banco Central em uma acareação pública. Técnicos da área financeira alertam que esse tipo de medida pode fragilizar a autonomia do órgão regulador, além de criar insegurança institucional no sistema financeiro.

“O Banco Central atua de forma técnica e preventiva. Colocar seus dirigentes em situações de confronto judicial, sem que sejam investigados, pode gerar um efeito inibidor perigoso”, afirma Ricardo Lemos, ex-consultor do próprio BC.



Risco jurídico e precedente perigoso

Além das críticas institucionais, cresce também a preocupação com os efeitos jurídicos futuros dessas intervenções. Para parte da comunidade jurídica, a atuação direta de Toffoli pode abrir espaço para questionamentos sobre a imparcialidade do julgamento, caso o processo venha a ser analisado pelo próprio STF.

O professor e analista político Evandro Brasil faz um alerta contundente: Essa atitude, no futuro, poderá inviabilizar a condenação de eventuais acusados, se couber ao ministro Toffoli julgar o caso. O juiz que julga não é o mesmo que investiga e oferece denúncia. Suas intervenções nas investigações da Polícia Federal podem gerar a percepção de que, assim como ocorreu com Sérgio Moro na Lava Jato, Toffoli estaria, ainda que indiretamente, instruindo as investigações e a denúncia.”

Segundo Evandro Brasil, esse tipo de atuação compromete o princípio do juiz natural e da imparcialidade, pilares fundamentais do Estado Democrático de Direito.



Comparações inevitáveis

Nos bastidores do meio jurídico, a comparação com a Lava Jato tornou-se inevitável. À época, mensagens reveladas pela Operação Spoofing levaram à anulação de condenações sob o argumento de que houve colaboração indevida entre juiz e acusação. Agora, críticos apontam que o excesso de protagonismo judicial no caso Banco Master pode gerar consequências semelhantes.

Para o criminalista Eduardo Prates Filho, o problema não está apenas na legalidade formal das decisões, mas no efeito sistêmico: “Mesmo que cada ato isoladamente tenha respaldo jurídico, o conjunto cria um cenário de interferência que pode ser explorado pela defesa no futuro. E isso enfraquece todo o esforço investigativo.”



Um debate que vai além do caso

O episódio envolvendo Dias Toffoli e o Banco Master ultrapassa os limites de um inquérito específico. Ele reacende um debate central no Brasil contemporâneo: até onde vai o papel do Judiciário nas grandes investigações? Quando a atuação judicial protege direitos e quando ela passa a comprometer a própria eficácia da Justiça?

Enquanto o STF sustenta que suas ações visam garantir a legalidade e evitar abusos, cresce a percepção, dentro e fora das instituições, de que o caso pode se tornar um marco negativo, tanto do ponto de vista jurídico quanto institucional.

O desfecho das investigações dirá se as intervenções de Toffoli foram um zelo extremo ou um erro estratégico com potencial de custar caro ao próprio sistema de Justiça. Uma coisa, porém, já é certa: o debate está longe de terminar.

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Facção é alvo de megaoperação por esquema de “banco clandestino” que irrigava o crime em Mato Grosso

Os acusados criaram um “banco paralelo” abastecido com recursos do tráfico de drogas - foto de reprodução: Araguaia In Foco.

Por Marcelo Procópio 

Economia do Crime: Uma ampla ofensiva da Polícia Civil colocou em xeque, na manhã desta quarta-feira (14), a estrutura financeira de uma facção criminosa que operava em Mato Grosso como se fosse uma instituição bancária ilegal. Ao todo, 471 ordens judiciais estão sendo cumpridas contra integrantes do grupo, acusado de criar um “banco paralelo” abastecido com recursos do tráfico de drogas e utilizado para práticas como agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro.


A ação, concentrada em Primavera do Leste (MT), envolve 225 mandados de prisão preventiva, 225 de busca e apreensão domiciliar e 21 medidas judiciais de bloqueio e indisponibilidade de valores. A operação também se estende a outros cinco estados — Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Acre e São Paulo — evidenciando o alcance interestadual da organização criminosa.

De acordo com as investigações, o grupo mantinha uma estrutura financeira própria, com controle de arrecadação, repasses internos e cobrança sistemática de dívidas ilegais. Esse esquema funcionava como um verdadeiro sistema bancário clandestino, responsável por financiar o tráfico de entorpecentes e, ao mesmo tempo, mascarar a origem ilícita do dinheiro por meio de empréstimos informais, especialmente a comerciantes locais.

Segundo a Polícia Civil, além do tráfico de drogas, há fortes indícios da prática de crimes como lavagem de capitais, extorsão, associação criminosa e imposição de regras internas típicas de facções organizadas. O uso do dinheiro do tráfico para concessão de empréstimos a juros elevados era uma das principais estratégias para reinserir os recursos no mercado formal, dificultando o rastreamento pelas autoridades.

Especialistas em segurança pública apontam que esse tipo de “banco paralelo” tem se tornado cada vez mais comum entre facções criminosas no Brasil, sobretudo em regiões estratégicas para o escoamento do tráfico. O modelo permite que o crime organizado amplie sua influência econômica e social, criando dependência financeira e medo em comunidades e setores do comércio.

A megaoperação reforça uma tendência das forças de segurança de atacar não apenas a base operacional do tráfico, mas principalmente o coração financeiro das organizações criminosas. Para os investigadores, o enfraquecimento desses esquemas de lavagem e crédito ilegal é fundamental para reduzir o poder das facções e impedir sua expansão territorial.

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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Crise no combate à corrupção no Maranhão: saída em massa do GAECO expõe tensão institucional e escancara elo político de prefeito investigado com a extrema direita

  
Promotores do GAECO pedem exoneração coletiva após parecer do MP em caso de corrupção em Turilândia (Maranhão)

Por Marcos Vinicius 

Corrupção: Uma grave crise institucional abalou o Ministério Público do Maranhão neste fim de semana. Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) pediram exoneração coletiva de suas funções após a cúpula do MP emitir parecer favorável à soltura de todos os investigados presos na Operação Tântalo II, que apura um amplo esquema de corrupção na Prefeitura de Turilândia, município localizado a cerca de 150 quilômetros de São Luís.

A decisão da Procuradoria-Geral de Justiça, divulgada no sábado, gerou forte reação interna. Para os integrantes do GAECO, o posicionamento fragiliza o enfrentamento ao crime organizado e contradiz frontalmente o trabalho investigativo desenvolvido ao longo de meses. No documento de exoneração, os promotores afirmam que o parecer compromete a credibilidade institucional do órgão e rompe a convergência mínima necessária para a continuidade de suas atividades.

A Operação Tântalo II ganhou repercussão nacional após sua segunda fase, deflagrada em dezembro, resultar na prisão de todos os 11 vereadores de Turilândia, além de empresários, um secretário municipal e do prefeito Paulo Curió, filiado ao União Brasil. De acordo com as investigações, o chefe do Executivo municipal teria liderado um esquema criminoso responsável por desviar aproximadamente R$ 56 milhões das áreas de Saúde e Assistência Social, por meio de empresas de fachada e contratos fraudulentos.

Além da dimensão financeira, o caso também carrega forte peso político. O prefeito Paulo Curió mantém proximidade com grupos ligados à extrema direita e integra o campo político alinhado ao bolsonarismo. Durante o governo Jair Bolsonaro, esse mesmo espectro político defendeu reiteradamente o enfraquecimento de órgãos de controle, atacou o Ministério Público e buscou desacreditar operações anticorrupção — um discurso que, segundo críticos, encontra eco em situações como a atual.

No memorando enviado ao procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, os promotores ressaltam que respeitam a hierarquia institucional, mas afirmam que a divergência é profunda a ponto de inviabilizar a permanência no grupo, nos moldes atuais. O parecer que recomendou a soltura foi assinado pelo procurador-geral de Justiça em exercício, Orfileno Bezerra Neto, e encaminhado à 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, que agora decidirá sobre a liberdade dos investigados.

O pedido de exoneração coletiva foi assinado por dez promotores, incluindo o então coordenador do GAECO, Luiz Muniz Rocha Filho. Eles destacam que a decisão da cúpula do MP vai na contramão dos avanços obtidos nos últimos anos no combate às organizações criminosas infiltradas no poder público.

Em resposta, o procurador-geral Danilo Ferreira divulgou nota afirmando que todas as medidas adotadas respeitam rigorosamente a Constituição e a legislação penal, defendendo que a prisão deve ser utilizada apenas quando estritamente necessária. Segundo ele, mudanças em cargos de coordenação fazem parte da dinâmica institucional e não comprometem a continuidade das ações estratégicas.

A nova liderança do GAECO e da Coordenadoria de Assuntos Estratégicos e Inteligência (CAEI) ficará a cargo do procurador de Justiça Haroldo Paiva de Brito. O Ministério Público afirma que novos integrantes serão nomeados para dar prosseguimento às investigações iniciadas pela equipe anterior.

Durante a operação, um dado chamou ainda mais atenção: em audiências, os 11 vereadores presos optaram por permanecer em silêncio absoluto. Nas buscas autorizadas pelo Tribunal de Justiça, os promotores apreenderam grandes quantias em dinheiro vivo, com uma contagem inicial que apontou cerca de R$ 5 milhões encontrados em endereços ligados aos investigados.

O nome da operação faz alusão a Tântalo, figura da mitologia grega condenada a ver água e frutos ao alcance das mãos, sem jamais poder usufruí-los. Para o Ministério Público, a metáfora representa a realidade da população de Turilândia, que vê recursos públicos destinados a serviços essenciais desaparecerem sem gerar benefícios concretos.

Apesar da defesa institucional apresentada pelo MP, a saída coletiva dos promotores do GAECO levanta questionamentos sérios sobre a independência das investigações, a pressão política nos bastidores e o impacto da influência de grupos da extrema direita sobre o funcionamento dos órgãos de controle. Em meio a esse cenário, permanece a dúvida que ecoa fora do Maranhão: quem perde quando quem combate a corrupção decide sair?

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Relato sobre “arma desconhecida” em suposta operação contra Maduro levanta dúvidas e alerta especialistas

Militares americanos teriam desembarcado de helicópteros e neutralizado rapidamente soldados e equipamentos venezuelanos

Por Marcos Vinicius 

Venezuela: Um relato divulgado pela imprensa sensacionalista norte-americana voltou a agitar o noticiário internacional ao sugerir que forças especiais dos Estados Unidos teriam utilizado uma arma até então desconhecida em uma operação secreta contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A informação, publicada pelo New York Post, baseia-se no depoimento de um suposto integrante da equipe de segurança do líder venezuelano e não foi confirmada por fontes independentes.

Segundo essa versão, militares americanos teriam desembarcado de helicópteros e neutralizado rapidamente soldados e equipamentos venezuelanos por meio de um dispositivo não convencional. O relato afirma que, antes mesmo de qualquer confronto direto, sistemas de radar teriam sido desligados e as forças locais “cegadas”, sem capacidade de reação.

Ainda de acordo com a testemunha, a arma teria emitido uma onda sonora de alta intensidade, capaz de incapacitar pessoas em poucos segundos. Entre os efeitos descritos estão sangramentos nasais, vômitos com sangue e a queda imediata de soldados, que teriam ficado imóveis no chão. O depoimento sustenta que um pequeno grupo — cerca de 20 integrantes das forças especiais americanas — teria conseguido neutralizar centenas de defensores, sem registrar baixas do lado dos Estados Unidos.

O Ministério do Interior da Venezuela, sempre segundo a publicação americana, teria contabilizado cerca de 100 mortes entre membros das forças de segurança durante o ataque a uma residência ligada a Maduro. O New York Post sugere que o fato de o relato ter sido divulgado por um porta-voz ligado ao governo de Donald Trump reforçaria sua credibilidade — argumento que é visto com cautela por analistas.



Falta de confirmação e contexto real

Até o momento, não há confirmação oficial do Pentágono, da Casa Branca ou de organismos internacionais sobre a existência dessa operação, tampouco sobre o uso de uma arma secreta. Especialistas em defesa ouvidos por veículos internacionais lembram que relatos desse tipo costumam surgir em contextos de guerra informacional e propaganda política.

É fato, no entanto, que os Estados Unidos pesquisam há décadas tecnologias chamadas de “armas de energia direcionada”, que incluem sistemas de micro-ondas de alta potência e dispositivos acústicos, como o LRAD (Long Range Acoustic Device), já utilizado para controle de multidões e proteção de instalações estratégicas. Essas tecnologias, porém, têm uso conhecido e limitado, e não há registro comprovado de emprego em larga escala com efeitos letais ou massivos em operações militares reais, como os descritos no relato.

Para analistas internacionais, a combinação de fontes anônimas, ausência de provas técnicas e o histórico de tensão entre Washington e Caracas reforçam a necessidade de cautela. “Sem verificação independente, trata-se de um relato grave, mas ainda no campo das alegações”, avalia um pesquisador de segurança internacional.

Enquanto isso, o governo venezuelano mantém o discurso de que sofre constantes tentativas de desestabilização externa, e os Estados Unidos reiteram que acompanham a situação do país por vias diplomáticas e políticas. Entre denúncias, versões conflitantes e silêncio oficial, o suposto uso de uma “arma desconhecida” permanece, por ora, sem comprovação.

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STF cobra novo cálculo de pena e impõe prazo à Justiça mineira em caso do 8 de Janeiro

Antônio Cláudio Ferreira condenado a 17 anos de prisão está no centro de um impasse entre o STF e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Foto de reprodução G1

Por Cleide Gama 

Golpe de Estado: O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Vara de Execuções Penais de Uberlândia (MG) refaça, no prazo máximo de 48 horas, o cálculo da pena de Antônio Cláudio Ferreira, condenado pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Ferreira ficou conhecido por destruir o relógio histórico de Dom João VI durante a invasão ao Palácio do Planalto.

Condenado a 17 anos de prisão, o réu responde por crimes que incluem tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio público, deterioração de bem tombado e associação criminosa armada.

A ordem do STF foi expedida após a Corte constatar que decisões anteriores não foram cumpridas pela Justiça de Minas Gerais, responsável pela execução da pena. De acordo com informações enviadas ao Supremo, o condenado exerceu atividades laborais por 187 dias entre setembro de 2024 e abril de 2025, participou de atividades educacionais, leu quatro obras literárias e foi aprovado no Encceja 2024, obtendo certificação do ensino fundamental.

Com base nesses dados, Moraes já havia reconhecido 66 dias de remição de pena, além de autorizar o abatimento do período em que Ferreira permaneceu preso preventivamente, entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024. Mesmo assim, segundo o ministro, a Vara de Uberlândia não encaminhou a documentação necessária para validar oficialmente as atividades realizadas nem apresentou novo demonstrativo do tempo restante de pena.

Diante da omissão, Moraes determinou a emissão imediata de um novo atestado de pena a cumprir, com atualização dos cálculos e ciência formal ao preso. Também ordenou que a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais comprove, no mesmo prazo, a carga horária, a frequência escolar no Encceja e a quantidade de livros efetivamente lidos, acompanhadas das devidas certidões. A Procuradoria-Geral da República foi comunicada, e a defesa do condenado, intimada.

Procurado pela reportagem, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou, por meio de sua assessoria, que irá apurar internamente as providências cabíveis.



Decisão judicial gera conflito institucional

O episódio se insere em um contexto de atrito entre o STF e a Vara de Execuções Penais de Uberlândia. Em junho, Antônio Cláudio deixou o Presídio Professor Jacy de Assis após obter progressão ao regime semiaberto por decisão do juiz responsável pela Vara. A soltura ocorreu sem o uso de tornozeleira eletrônica, sob a justificativa de que o Estado não dispunha do equipamento naquele momento.

No dia seguinte, Alexandre de Moraes determinou o retorno imediato do condenado ao sistema prisional e autorizou a abertura de investigação contra o magistrado, ao entender que a decisão extrapolou a competência da Vara. A Corregedoria do TJMG instaurou procedimento administrativo, e Ferreira acabou recapturado pela Polícia Federal em Catalão, no interior de Goiás.



O caso

Antônio Cláudio Alves Ferreira foi identificado pela Polícia Federal como o autor da depredação do relógio histórico que integrava o acervo do Palácio do Planalto. A peça, de origem francesa, foi trazida ao Brasil com a família real portuguesa no início do século XIX e tinha alto valor histórico e simbólico.

A identificação do réu ocorreu a partir de imagens de câmeras de segurança, reconhecimento facial e depoimentos. O episódio ganhou projeção nacional após a divulgação das imagens em programa televisivo, o que levou pessoas do convívio do acusado a reconhecê-lo.

Apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Ferreira usava uma camiseta com a imagem do político no dia da invasão às sedes dos Três Poderes, episódio que marcou um dos ataques mais graves às instituições democráticas brasileiras nas últimas décadas.

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Operação “Sem Refino” coloca Cláudio Castro no centro de nova tempestade política no Rio

Ex-governador Cláudio Castro é alvo de operação da Polícia Federal (Foto de reprodução - Tempo Real) Por Marcelo Procópio| Redação Jornal O ...