Por Marcelo Procópio | Redação do Jornal O Folhão
Cultura: O forró da tradicional Feira de Duque de Caxias nasceu da forte presença dos migrantes nordestinos que chegaram à Baixada Fluminense ao longo do século XX. A própria feira, segundo relatos de feirantes e pesquisas históricas, existe desde a década de 1920, antes mesmo da emancipação do município em 1943. Com ela vieram costumes, culinária, sotaques, religiosidade e, naturalmente, a música nordestina.
Durante décadas, sanfoneiros, repentistas e artistas populares circulavam pela feira, transformando o espaço em um importante ponto de encontro da cultura nordestina no estado do Rio de Janeiro. O forró acontecia de forma espontânea, misturado ao comércio de carne de sol, farinha, queijo coalho e outros produtos típicos.
A partir de 1998, o movimento ganhou uma estrutura mais organizada. Segundo registros históricos, Carlinhos Lima propôs apresentações de forró pé-de-serra na cabeceira da feira. O sucesso foi tão grande que o projeto cresceu, ocupando diferentes espaços até se consolidar. Em 2004, a Prefeitura oficializou a iniciativa, que passou a ser conhecida como "Forró na Feira". Inicialmente realizado aos domingos, o evento foi ampliado para os sábados devido ao aumento do público.
Nos anos 2000 e 2010, o Forró na Feira tornou-se uma referência cultural da Baixada Fluminense. O projeto passou a receber bandas, trios de forró, artistas locais e milhares de frequentadores todos os fins de semana. Além do forró pé-de-serra tradicional, surgiram apresentações de forró universitário e outras vertentes do gênero.
Nos dias atuais, o forró continua sendo uma das marcas culturais mais fortes da Feira de Duque de Caxias. Espaços como o Forrobodó mantêm apresentações ao vivo, gastronomia nordestina e danças típicas, preservando uma tradição que atravessa gerações. A feira foi reconhecida em 2015 como Patrimônio Cultural Imaterial do município, reforçando sua importância histórica e cultural para a identidade de Caxias e da Baixada Fluminense.
Mais do que um evento musical, o forró da Feira de Duque de Caxias se tornou um símbolo da resistência cultural nordestina no Rio de Janeiro. Ele representa a história de milhares de famílias que ajudaram a construir a cidade e mantiveram vivas suas tradições mesmo longe de sua terra de origem.
Entre a Tradição e o Abandono: O Grito do Forró da Feira
O que muitos frequentadores, comerciantes e moradores relatam hoje é um contraste entre a importância histórica do forró da feira e a situação atual do espaço onde ele acontece.
O tradicional forró acontece na região da Avenida Presidente Vargas, ao lado da estação ferroviária, em uma área ligada ao complexo da SuperVia e ao acesso do mergulhão do Centro de Duque de Caxias. Documentos sobre a história do forró na cidade registram que o evento ocupa aquele espaço desde a década de 1990, tornando-se um dos maiores pontos de encontro da cultura nordestina na Baixada Fluminense.
"A própria Prefeitura de Duque de Caxias reconhece a relevância cultural da feira, que foi registrada como Patrimônio Cultural Imaterial do município em 2015."
Por outro lado, é frequente ouvir críticas sobre a falta de investimentos permanentes na área cultural e na infraestrutura do entorno. O espaço do mergulhão e dos acessos à estação já passou por períodos de abandono, fechamento, problemas estruturais e falta de manutenção, exigindo reformas e intervenções ao longo dos anos.
A tradicional Feira De Caxias, aos domingos, continua atraindo milhares de pessoas todos os fins de semana, mas muitos frequentadores afirmam que o local poderia receber mais atenção do poder público, especialmente na conservação do espaço, iluminação, segurança, limpeza urbana, apoio aos artistas e valorização da cultura nordestina que ajudou a construir a identidade cultural de Duque de Caxias. Essa percepção é relatada por quem acompanha o movimento cultural da feira e lamenta que um patrimônio tão importante não receba uma estrutura compatível com sua relevância histórica.
Uma crítica recorrente é que o forró da feira sobrevive muito mais pela resistência dos comerciantes, músicos, feirantes e frequentadores do que por uma política cultural contínua. Ao consultar o professor Evandro Brasil sobre o assunto, ele nos disse: "...preservar aquele espaço não significa apenas manter um evento musical, mas proteger uma parte da memória da migração nordestina e da história popular da Baixada Fluminense."
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