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| A violência, segundo pesquisadores, está diretamente ligada à desigualdade social |
Por Cleide Gama | Redação Jornal O Folhão
Violência: O Brasil convive com uma ferida silenciosa que cresce longe dos holofotes, escondida dentro de casas, escolas, vizinhanças e até no ambiente digital. Um levantamento divulgado pelo Mapa Nacional da Violência de Gênero revela que, entre 2011 e 2024, uma média de 64 meninas por dia sofreram violência sexual no país. No período, mais de 308 mil crianças e adolescentes de até 17 anos foram vítimas desse tipo de crime.
Somente em 2024, foram registrados 45.435 casos, o equivalente a quase 3,8 mil notificações por mês. Os números, porém, podem ser ainda maiores. Especialistas alertam que a subnotificação continua sendo um dos maiores obstáculos no combate à violência sexual infantil. Muitas vítimas não denunciam por medo, vergonha ou dependência emocional e financeira do agressor.
Os dados mostram também um retrato social cruel. Meninas negras aparecem como as principais vítimas, representando mais da metade dos casos registrados nos últimos anos. A violência, segundo pesquisadores, está diretamente ligada à desigualdade social, à vulnerabilidade econômica e à falta de proteção em determinadas regiões do país.
Outro dado alarmante desmonta uma ideia que durante décadas dominou o imaginário popular: o agressor nem sempre é um desconhecido. Em aproximadamente um terço dos casos, o autor da violência possui vínculo familiar com a vítima, incluindo pais, padrastos, irmãos e outros parentes próximos. A casa, que deveria ser um refúgio, muitas vezes se transforma em território de medo.
Especialistas também demonstram preocupação com o avanço da violência sexual facilitada pela internet. Plataformas digitais, redes sociais e aplicativos passaram a ser usados por criminosos para aliciar crianças e adolescentes. Um estudo recente do UNICEF aponta que uma em cada cinco crianças e adolescentes brasileiros já sofreu algum tipo de violência sexual mediada por tecnologia.
O tema ganha ainda mais relevância neste mês de maio, marcado pela campanha Maio Laranja e pelo Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado em 18 de maio. A mobilização busca conscientizar a sociedade sobre sinais de abuso e incentivar denúncias.
Enquanto os números crescem, especialistas defendem medidas urgentes: fortalecimento das políticas públicas, ampliação do atendimento psicológico às vítimas, integração entre escolas e conselhos tutelares, além de campanhas permanentes de conscientização. Para muitos pesquisadores, combater a violência sexual infantil exige mais do que leis severas. Exige vigilância coletiva, educação e coragem para romper o silêncio.
No fundo, cada estatística carrega uma infância interrompida. E um país que não protege suas crianças acaba perdendo parte do próprio futuro.
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