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Por Marcelo Procópio| Redação Jornal O Folhão
Hackers: O avanço dos crimes cibernéticos voltou a chamar a atenção para a fragilidade da proteção de dados pessoais no comércio eletrônico brasileiro. Um grupo de hackers teria conseguido acessar e roubar informações de clientes de grandes lojas de moda do país, incluindo números de CPF e dados de cartões de pagamento.
O episódio preocupa porque envolve informações que podem ser utilizadas em diferentes modalidades de fraude, como compras não autorizadas, abertura de contas, tentativas de golpes financeiros e roubo de identidade. Em mãos criminosas, esses dados podem ser comercializados em ambientes clandestinos da internet ou utilizados diretamente para prejudicar consumidores.
Como o golpe funcionava?
De acordo com a investigação da empresa internacional de segurança digital Sansec, os criminosos utilizaram uma técnica conhecida como Magecart, que consiste na inserção de códigos maliciosos em páginas de pagamento de lojas virtuais.
O ataque atingiu a infraestrutura da Convertr, plataforma utilizada por dezenas de marcas brasileiras de moda. Em vez de invadir cada estabelecimento separadamente, os hackers modificaram um único arquivo de um serviço de análise de visitas utilizado pelas lojas. Dessa forma, conseguiram inserir o código espião nas páginas de pagamento de diferentes empresas. Sansec +1
Entre as informações capturadas estavam número do cartão, data de validade, código de segurança, nome do titular e CPF. A investigação também identificou indícios de que o grupo criminoso já atuava contra lojas virtuais brasileiras desde 2024.
A ameaça foi removida, mas o alerta permanece
Em 27 de outubro, a Convertr informou que havia removido o código malicioso e atualizado o sistema utilizado. Entretanto, a retirada do programa não significa que as informações anteriormente capturadas tenham sido recuperadas. A quantidade de consumidores efetivamente atingidos ainda não foi divulgada publicamente. Sansec +1
A investigação também apontou uma possível relação com uma vulnerabilidade de segurança em uma versão antiga do software Plausible, utilizado pela plataforma. Essa hipótese, porém, ainda não foi confirmada pelos pesquisadores. Sansec +1
O que os consumidores devem fazer?
Especialistas recomendam que pessoas que realizaram compras com cartão em páginas de pagamento da Convertr a partir de 24 de outubro procurem imediatamente seus bancos para avaliar o bloqueio e a substituição do cartão.
Também é importante acompanhar as movimentações financeiras, desconfiar de cobranças desconhecidas e monitorar possíveis utilizações indevidas do CPF. O consumidor pode utilizar o Registrato, serviço gratuito do Banco Central, para consultar informações sobre contas bancárias, empréstimos e relacionamentos financeiros vinculados ao seu documento.
O episódio demonstra que nem mesmo uma compra realizada em uma loja virtual aparentemente legítima está totalmente livre de riscos. A segurança digital precisa ser uma responsabilidade permanente das empresas, das plataformas de pagamento e dos fornecedores de tecnologia.
O direito à proteção dos dados pessoais não pode ser tratado como um detalhe técnico. É uma questão de segurança, confiança e respeito ao consumidor.
O Folhão | Informação, cidadania e responsabilidade.
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