sexta-feira, 3 de abril de 2026

Linha Chilena: diversão que pode virar tragédia nas ruas brasileiras

Linha chilena mesmo proibida no Brasil continua fazendo vítimas fatais. Foto de reprodução - Tribuna do Rio.

Por Cleide Gama 

Perigo: Empinar pipa é uma tradição cultural presente em várias regiões do Brasil, especialmente nas periferias urbanas. No entanto, o uso das chamadas “linhas chilenas” — cordas revestidas com produtos abrasivos e cortantes — tem transformado uma brincadeira popular em um grave problema de segurança pública.

A linha chilena é ainda mais perigosa que o cerol tradicional. Enquanto o cerol é feito com cola e vidro moído, a versão chilena utiliza pó de quartzo e óxido de alumínio, o que a torna extremamente resistente e cortante. O resultado são acidentes graves, muitas vezes envolvendo motociclistas, ciclistas e até pedestres.


Legislação e proibição

No Brasil, o uso, fabricação e comercialização de linhas cortantes são proibidos em diversos estados e municípios. Em âmbito nacional, a Lei nº 14.349/2022 proíbe expressamente a produção, a venda e o uso de cerol e linhas chilenas em todo o território nacional. A legislação prevê multa e apreensão do material, além de responsabilização em casos de acidentes.

Estados como Rio de Janeiro e São Paulo também possuem legislações específicas que reforçam a proibição, com campanhas educativas e fiscalização mais rigorosa, especialmente em períodos de férias escolares, quando a prática de soltar pipas aumenta.


Casos de acidentes

Os números são alarmantes. Todos os anos, hospitais registram ocorrências envolvendo cortes profundos, principalmente no pescoço de motociclistas. Em alguns casos, os ferimentos são fatais.

Em 2023, um motociclista morreu na Baixada Fluminense após ser atingido por uma linha chilena enquanto trafegava por uma via expressa. Em outro caso, um ciclista sofreu lesões graves no rosto ao ser surpreendido por uma linha esticada entre dois postes.

Relatos como esses não são isolados. O Corpo de Bombeiros frequentemente alerta para o aumento de ocorrências relacionadas a esse tipo de material, classificando-o como “arma potencialmente letal”.


A opinião das pessoas

Nas ruas, o sentimento é de preocupação. Para muitos moradores, a prática precisa ser combatida com mais rigor.

Meu filho gosta de soltar pipa, mas eu não deixo usar cerol nem linha chilena. É muito perigoso, já vimos casos aqui perto”, relata a dona de casa Maria Aparecida, moradora de São Gonçalo.

Já o motoboy Carlos Henrique afirma que trabalha com medo constante: “A gente sai de casa sem saber se vai voltar. Uma linha dessas no pescoço pode matar na hora. Falta fiscalização e consciência.”

Por outro lado, alguns jovens ainda veem a prática como parte da competição entre pipas. “Sem cerol não tem graça, não tem disputa”, disse um adolescente que preferiu não se identificar. Esse tipo de visão reforça a necessidade de educação e conscientização.


Um problema de cultura e segurança

Especialistas apontam que o combate ao uso de linhas chilenas passa não apenas pela repressão, mas também por educação e alternativas seguras. Campanhas públicas, distribuição de linhas apropriadas e criação de espaços adequados para a prática são medidas defendidas por organizações sociais.

A linha entre a diversão e o perigo nunca foi tão tênue. Enquanto o uso das linhas chilenas continuar, o céu colorido das pipas seguirá escondendo um risco invisível — e potencialmente fatal.

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